domingo, 16 de setembro de 2018

O QUE ME FICOU (DE BOM E MENOS BOM) DA FEIRA DA MOITA?


Por: Catarina Bexiga

Aquela que chegou a ser a Feira Taurina mais importante de Portugal (e que é “espelho” do que se passa actualmente no nosso país), deve merecer uma reflexão profunda da parte de todos. A falta de exigência continua a ser o principal “inimigo” do ambiente taurino português. Tudo é permitido. Tudo é aceite. A maioria fica feliz!

As breves anotações que se seguem, traduzem o que me ficou (de bom e menos bom) da recém terminada jornada taurina moitense:

- A AFICIÓN DA MOITA: Sempre foi considerada uma das terras mais aficionadas do nosso país e a sua Feira – que chegou a ter seis espectáculos, as principais Figuras do Toureio e grandes enchentes – uma das mais atractivas para o aficionado. Hoje a realidade é outra! A Corrida Mista de Terça-feira registou cerca de ¼ de casa; a Corrida de Quinta-feira registou uma boa entrada (¾ no cartel mais rematado); e a Corrida de Sexta-feira menos de ½ casa. A afición moitense parece divorciada da “Daniel do Nascimento”. Preocupante…

- A AFINIDADE COM O TOUREIO A PÉ: Sempre houve afinidade entre a Moita e o toureio a pé, mas nos tempos que correm trazer as Figuras é um elevado risco económico. Este ano, a empresa de Rafael Vilhais, apostou no nome de Manuel Escribano e do português Nuno Casquinha. Uma aposta equilibrada, ao seguir a linha um espanhol/um português. No entanto, também mereciam oportunidade António João Ferreira e Manuel Dias Gomes. Faz-nos falta aprender a valorizar e a promover o que é nosso…

- APRESENTAÇÃO DAS GANADARIAS: No capítulo ganadero, a apresentação da maioria dos toiros correspondeu à categoria do redondel. É de enaltecer o cuidado da empresa e a preocupação dos ganaderos. Da Corrida de Falé Filipe, destaco o burraco que tocou em sorte a Manuel Escribano; a Corrida de Passanha teve quatro toiros preciosos; e no Concurso de Ganadarias, apenas o toiro de António Silva não tinha morfologia para disputar um concurso.

- DEIXOU-SE DE DAR IMPORTÂNCIA AOS FERROS COMPRIDOS: Na Feira da Moita actuaram 16 cavaleiros (entre praticantes e profissionais) e contam-se pelos “dedos de uma mão” os que deram importância aos ferros compridos. Hoje, as exigências são cada vez menores. Durante a Feira, só me recordo de Francisco Palha (com o Homero), de Miguel Moura (com o Xarope) numa “gaiola”(embora o ferro tenha resultado descaído), de Luís Rouxinol Jr. (com o Aquiles) e de Ana Batista (com o Chinelito).   

- SUPERAÇÃO DO APOSENTO DA MOITA: Foi um dos destaques da Feira Taurina da Moita 2018. Depois do descalabro da sua encerrona em 2017; os homens da jaqueta de ramagens do Aposento da Moita recuperaram a confiança e o crédito na Corrida de Toiros de Quinta-feira. Seis boas pegas e uma prestação coesa do grupo.

- RITMO DOS ESPECTÁCULOS: Este é um tema que continua actual. Aquando da elaboração do novo Regulamento do Espectáculo Tauromáquico lembro-me que foi uma das situações pensadas, mas tudo contínua igual... A última Corrida de Toiros da Feira durou cerca de quatro horas. Só mesmo para resistentes!

 - HOMENAGEM A FERNANDO QUINTELA: Mais que justificada. Mais que merecida. Fernando Quintela, dos Amadores de Alcochete, perdeu a vida, há um ano atrás, na arena da “Daniel do Nascimento”. O que nos marcou a todos! Na Corrida de Toiros de Sexta-feira foi homenageado a título póstumo.

- ABASTARDAMENTO DA ÉTICA: O Toureio a Cavalo tem perdido muito dos seus valores; mas chegar ao ponto de cada um fazer “o que quer e o que lhe apetece” é deveras inquietante. Para mais, com a conivência das “autoridades” e “organizações” do sector. Na última Corrida de Toiros da Feira, a cavaleira Verónica Cabaço tomou a Alternativa, mas prescindiu que a cerimónia lhe fosse concedida por Ana Batista (a mais antiga de douctoramento), porque simplesmente mantém uma relação de amizade com Filipe Gonçalves.

- O QUE FICOU (DE BOM) A NIVEL ARTISTICO? Gostava de poder referir muitos mais exemplos, mas o estado em que se encontra o Toureio a Cavalo em Portugal está longe de ser o melhor. Na minha opinião, repartiram o protagonismo, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr. (para mim, foram deste os melhores ferros do certame) na Corrida de Quinta-feira; e se algo “acima da média” houve, tenho que escolher da Corrida de Sexta-feira, a brega de Ana Batista ao toiro sobrero. Tudo o resto deixou pouco sabor!

- ENG. JORGE DE CARVALHO MERECEU O PRÉMIO. O toiro da ganadaria arrudense conquistou os dois prémios em disputa no Concurso de Ganadarias que encerrou a Feira. Para além das suas boas hechuras, reuniu muitas virtudes no seu comportamento. Tocou em sorte a Filipe Gonçalves. Um bom toiro que merecia uma actuação com outros contornos.

QUE 2019 NOS DEIXE MELHORES RECORDAÇÕES!

Foto: João Silva 

Arquivo do blog