sábado, 15 de julho de 2017

LISBOA: A CLASSE DE MANZANARES…

Lisboa, 13 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

CLASSE. A palavra que define a última noite de toiros no Campo Pequeno. A palavra que define o toureio de José Maria Mazanares.
A faena ao quarto da noite (Garcia Jimenez), que de início investiu no capote do toureiro de Alicante, pelos dois pitóns, com nobreza e humilhado, fez-nos acreditar que algo de importante se pudesse vir a passar na arena de Lisboa. O saludo capotero foi precioso. A expressão de cada verónica e aquelas ajustadas chicuelinas, de mãos baixas, foram obra de génio. Depois José Maria levou a cabo uma faena perfumada de classe, temple, harmonia e torería. Gostou-se Manzanares. Completamente metido na faena, esteve extraordinário com a mão direita e com la zurda igual. Toureio do caro. Com empaque nos tendidos. Apoteótica faena de José Maria Manzanares.

Com o seu primeiro esteve sóbrio; o toiro de Núñez de Tarifa não acabou de romper, igual que a faena. Com o último, de Juan Pedro Domecq, com o capote voltou a entusiasmar –  como sobresaliente “Cuqui” saiu ao quite por gaoneras – e quando a faena começara a ganhar forma convidou de novo Joaquim Ribeiro para partilhar consigo a faena. Inédito e Inoportuno. “Cuqui” agradecido respondeu com entrega. Quem pagou para ver Manzanares com três toiros sentiu-se defraudado.

No quarto toiro Manzanares foi premiado com duas voltas à arena, e no sexto (faena que não fez!) com mais duas. Resultado: saída em ombros pela porta grande!? Como!? É pena que a grandeza do toureio se misture com outros interesses…

A presença de Pablo Hermoso de Mendoza resumiu-se à sua última actuação. Os dois primeiros toiros de Charrua não serviram para Pablo brilhar, sem raça (Jacobo Botero como sobresaliente cravou dois curtos no segundo); o ultimo teve mais virtudes, mas no meu entender não tantas como o “Presidente” entendeu, com a chamada do ganadero à arena.  Montado no “Brindis” e com o “Disparate”, tirou partido das hermosinas e cravou os seus melhores ferros da noite.

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Barreto á segunda tentativa, João da Câmara à quinta e a encerrar Francisco Borges à primeira.

domingo, 9 de julho de 2017

PORTALEGRE: GRANDE NOITE DE TOUREIO A CAVALO À PORTUGUESA. GRANDE NOITE DE DUARTE PINTO

Portalegre, 9 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

Hoje (finalmente!) posso escrevê-lo: grande noite de Toureio a Cavalo à Portuguesa. A praça de toiros de Portalegre voltou a ter vida, ontem, após dois anos de portas fechadas. Nos tempos que correm, ter verdadeiros motivos para rejubilar e para enaltecer é quase uma raridade. Mas acertei no dia!
Duarte Pinto assinou (porventura) a noite mais redonda da sua carreira. Os toiros do Eng. Jorge de Carvalho saíram dispares de apresentação, mais colaborador o lote de Miguel Moura, e complicados e exigentes os de António Telles e Duarte Pinto. A pedir cavaleiros que os saibam tourear! Porque cada toiro tem a sua lide. E triunfar assim, ainda tem mais mérito!

Duarte construir duas actuações baseadas no conhecimento. Entendeu os problemas dos adversários e teve argumentos para os explorar. Tranquilo. Confiante. Ambicioso. Com perfeita noção do que é o toureio a cavalo, andou em plano de exímio lidador toda a noite. Pela forma como preparou as sortes, pelos terrenos que pisou e as distâncias que escolheu… Tudo com critério e sentido. De saída, montou o “Barão” (1.º) e o “Espectáculo” (2.º) e com eles marcou pontos; depois com o “Cesário” no seu primeiro, cravou cinco curtos extraordinários, e com o “Visconde” no seu segundo voltou a empolgar. Uma grande noite de Duarte Pinto!

Quem também acompanhou o meu entusiasmo foi António Ribeiro Telles. Sobrado e Toureiro, apoderou-se do seu primeiro na fase mais complicada. Depois com o “Veneno”, alegrou os cites, e cravou cinco curtos muito idênticos no resultado. Para dar resposta ao seu segundo António também preciso de “puxar pelos galões”. Com decisão, foi à cara do toiro, e montado no “Favorito” voltou a alegrar quem teve a capacidade para perceber que em Portalegre vimos Tourear a Cavalo à Portuguesa!

Beneficiado no sorteio, Miguel Moura conserva a disposição que o caracteriza, todavia o seu toureio tem dinamismo, mas falta de consistência. Um curto no seu primeiro é o que guardamos da sua presença.

Houve competição entre dois grupos alentejanos. Pelos Amadores de Montemor -o-Novo pegaram Vasco Ponce, Vasco Carolino e António Calça Pina, todos à primeira tentativa. Pelo grupo de Portalegre concretizaram Nelson Batista à terceira, Ricardo Almeida à primeira e João Fragoso também à primeira. No fim, o troféu “Pedro Bela Corça” para o melhor grupo recaiu nos Amadores de Montemor-o-Novo e o troféu “Francisco Matias” no forcado João Fragoso do grupo de Portalegre.  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

LISBOA: FOI PRECISO ESPERAR PELO ÚLTIMO…

Lisboa, 6 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

Foi preciso esperar pelo último. Com paciência. Com resistência. Com afición…

A corrida começou com as actuações a cavalo. Os dois toiros de Falé Filipe escolhidos para o efeito deixaram-se, mas Jacobo Botero desperdiçou a oportunidade dada pela empresa do Campo Pequeno; enquanto Parreirita Cigano andou intermitente. Pelo Aposento da Moita pegaram Ruben Serafim e Leonardo Mathias, ambos à terceira tentativa.

O interesse da noite estava na presença dos matadores de toiros El Fandi e Juan del Álamo, mas a falta de fundo dos toiros de Falé Filipe desluziram as intenções dos toureiros e o optimismo dos aficionados. A corrida saiu díspar de apresentação, basto o quarto (como se pode escolher um toiro com aquelas hechuras para o toureio a pé?), terceiro e sexto mais finos. Dos quatro, apenas se aproveitou o último. Com mais raça e com mais transmissão que os seus irmãos de camada, o suficiente para que algo se passasse na arena. El Fandi andou poderoso nas bandarilhas e sem opções com a muleta; e Juan del Álamo esforçado com o quarto e autor dos melhores momentos da noite no sexto. O toiro começou por investir largo, Álamo apoderou-se dele, sentiu-se toureiro, e recompensou, com toureio caro, os aficionados que aguentaram até ao fim.  

Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE IV)

VILA FRANCA DE XIRA: A (POLÉMICA) SAÍDA EM OMBROS DE PADILLA…

Padilla merece todo o meu respeito. Pela dor que passou. Pela luta que travou. A sua história sensibiliza a todos…  e Padilla tornou-se um herói de “carne e osso”. Mas ponto final. Em Portugal, Juan José está como “peixe dentro de água”, o público paga para o ver, e Padilla tira partido da sua imagem. Ao contrário do que acontece no seu país, sabe que não precisa cortar orelhas para sair em ombros.  Em Vila Franca voltou a exceder-se. Houve quem protestasse, quem assobiasse, mas Padilla atravessou a arena da Palha Blanco sem que algo de importante o justificasse… A tarde em que se homenageou o Maestro Vitor Mendes teve outras recordações: a segunda actuação de João Telles Jr., a pega de Vasco Pereira e duas faena de António João Ferreira que o acreditam para voos mais altos.

Texto: Catarina Bexiga. Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE III)

MONTIJO: TRINTA ANOS DE ALTERNATIVA E UMA ENCERRONA…

Na temporada em que comemora 30 anos de Alternativa, Luís Rouxinol decidiu encerrar-se com 6 toiros. Fê-lo no passado Sábado, na sua terra, na sua praça. Quem conhece a trajectória de Luís Rouxinol, sabe que não precisa de justificar nada a ninguém. Desafiou-se a si próprio; e superou com dignidade o acontecimento. Teve ao seu lado a família e os amigos. Sentiu o carinho dos seus admiradores e dos aficionados. Trinta anos de Alternativa e uma encerrona. Este foi um sonho cumprido, o próximo está agendado para o dia 20 de Julho, com a Alternativa do seu filho, Luís Rouxinol Jr. Tratando-se de um Concurso de Ganadarias, venceram os prémios as ganadarias de Murteira Grave (bravura) e Jorge de Carvalho (apresentação). O troféu para a melhor pega recaiu em Élio Lopes (Amadores do Montijo).

Texto: Catarina Bexiga

APONTAMENTOS DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE II)

ÉVORA: AS LÁGRIMAS DE ANTÓNIO ALFACINHA

Lotação esgotada em Évora para ver a despedida de um grande forcado. António Alfacinha disse “Adeus”, na passada Sexta-feira, da chefia do seu grupo e na sua cidade. Deixou herança. Um exemplo de agregação e superação em todos os momentos. Alfacinha deu duas clamorosas e merecidas voltas à arena; e passou o futuro dos Amadores de Évora para as mãos de João Pedro Oliveira. Os homens também choram? Claro que sim! Porque têm sentimentos e emoções. António Alfacinha sempre “quis” o seu grupo e o seu grupo faz parte da sua história, da sua vida… Do cartel sobressaiu a veterania de João Moura, com o seu segundo toiro de Passanha. Foi com o cavaleiro de Monforte que o Toureio a Cavalo mais brilhou.

Texto: Catarina Bexiga. Foto: João Silva / Sol e Sombra

APONTAMENTO DA ÚLTIMA JORNADA TAURINA (PARTE I)

CAMPO PEQUENO: UMA ALTERNATIVA COM AMIZADE E GRATIDÃO


Amizade. Gratidão. Triunfo. Parreirira Cigano tomou a Alternativa, na passada quinta-feira, na Monumental do Campo Pequeno, e com um simples gesto - de amizade e gratidão - brindou o toiro do doutoramento a quem lhe proporcionou concretizar o seu sonho: empresa, apoderado, Manuel Jorge de Oliveira (o seu Mestre) e a Joaquim e João Oliveira. Parreirita sentiu-se a gosto e com o seu toureio defendeu o protagonismo. O triunfo valeu-lhe a repetição na próxima Quinta-feira. A ele, e a Jacobo Botero. É importante que ambos aproveitem agora as oportunidades que surjam…. A vitalidade da Festa de Toiros passe pelos jovens!

Texto: Catarina Bexiga Foto: João Silva 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

MONTIJO: VENTURA ARREBATADOR…

Montijo, 28 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

Ventura encontra-se no melhor momento da sua carreira. “Com toiro” ou “Sem toiro” a ajudar, a sua disposição fazem do rejoneador de Puebla del Rio um toureiro arrebatador. Tudo com… ritmo, intuição, sentido de espectáculo, etc. Apostou forte no primeiro de Canas Vigouroux – vibrante de saída com o “Bronce” e espectacular com o “Sueño” e o “Nazari” – e se duvidas houvesse, com o segundo, manso com querença em tábuas, de novo com o “Nazari” andou sobrado, com argumentos, com recursos… por outras palavras, não investia o toiro, “investia” Ventura.  Cumbre!!!

António Ribeiro Telles fez valer a sua condição de máximo intérprete do Toureio a Cavalo à Portuguesa. O seu primeiro “Canas” foi exigente no momento do ferro, teve raça, transmitiu, e o cavaleiro da Torrinha esteve à sua altura. Montado no “Favorito” cravou cinco curtos com muita sinceridade e mérito. O segundo colaborou menos, obrigou António a provocá-lo, a incentivá-lo a investir. Com o “Alcochete” pisou os terrenos exigidos, e do 2.º ao 6.º curto, a actuação veio sempre a crescer… Em plano de Maestro.

João Moura Jr. teve pela frente o pior lote da noite. Mansos, sem vontade de investir, reservados… Do meu ponto de vista, a Moura Jr. faltou capacidade de surpreender, porque quando os toiros não permitem o toureio desejado,  há que apresentar outras soluções…

Os “Canas” (destaque para os dois primeiros, mansos os restantes) facilitaram a vida dos homens da jaqueta de ramagens. Todas as pegas foram concretizadas à primeira tentativa. Pelos Amadores do Montijo pegaram Hélio Lopes, João Paulo Damásio e Ruben Pratas. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Manuel Pinto, João Belmonte e João Mac

segunda-feira, 12 de junho de 2017

REGUENGOS DE MONSARAZ: O CALOR COMO PROTAGONISTA…

Reguengos de Monsaraz, 11 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

O cartel comemorativo dos 30 anos de Alternativa de Luís Rouxinol, em parte, assemelhou-se ao que se viveu na “Celestino Graça” na tarde do seu doutoramento: João Moura e Rui Salvador (apenas faltou Joaquim Bastinhas) voltaram a partilhar as cortesias com o cavaleiro de Pegões. Mas os anos passaram. Embora somadas muitas conquistas pelo meio (dos três); hoje os nossos olhos vêem uma realidade diferente…

Em tarde de muito calor, João Moura e Rui Salvador viram-se melhor nos seus primeiros. Faltou raça ao de Passanha, mas montado no “Marino”, Moura praticou um toureio correcto. Serviu o de Murteira Grave, que investiu humilhado nos capotes, e montado no “Vice-Rei”, os primeiros curtos de Rui Salvador foram mais convincentes que os restantes. As segundas actuações não acrescentaram história à tarde…

Luís Rouxinol sentiu-se acarinhado pela afición alentejana. É um grande toureiro, mas prefiro ficar com o registo de outras tardes de triunfo. Frente ao da Galeana (um toiro que investiu com alegria, mas que teve querença evidente nas tábuas), com o “Douro” praticou um toureio de fácil conexão com o público. Destaco apenas o terceiro curto, cingido do embroque e no remate. Com o da Herdade da Pina, montado no “Amoroso” andou vulgar.

Rematados de carnes, saíram os seis exemplares lidados. Foram reservados os de Passanha e mais colaboradores os de Murteira Grave. O terceiro, teve virtudes, mas querença em tábuas, chamado pelo cavaleiro e autorizado pelo “inteligente”, o ganadero deu volta à arena!?

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Bissaia Barreto, Francisco Borges e Manuel Dentinho, todos à primeira tentativa, a confirmar o grande momento que o grupo atravessa. Pelos Amadores de Monsaraz concretizaram David Feijão à segunda, Carlos Polme à primeira e Nelson Campaniço também à primeira. 

SANTARÉM: VENTURA E JULI, ENTREGA SEM LIMITES!

Santarém, 10 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

Cartel histórico em Santarém: Ventura, Morante e Juli. Três figuras para esgotar a “Celestino Graça”. Um esforço da empresa, que merecia maior recompensa (cerca de ½ casa). Quem esteve presente, não ficou indiferente à entrega – sem limites – de Ventura e Juli.

Diego Ventura mostrou estar num momento cumbre da sua carreira. Pela quadra que tem. Pelos recursos. Pela maturidade. E pela ambição. Acho despropositadas as comparações, que a espaços surgem, entre os intérpretes portugueses e os espanhóis, são coisas distintas, cada uma tem o seu sitio… E Ventura, o dele! Com o primeiro de Guiomar Cortes Moura (atrás dos cavalos com galope cadenciado, típico do encaste, mas reservado no momento do ferro), Ventura esteve intuitivo, improvisou, sublime com o “Nazari” a ladear, com o toiro cingido ao cavalo… criou obra e entusiasmou as bancadas. Tudo feito com harmonia. Sentido de lide. Sentido de espectáculo. O seu segundo foi menos colaborador, mas Ventura superou todas as contrariedades. Entendeu o toiro, citou a favor da querença, e com o “Sueño” aproveitou todas as investidas que o Guiomar Cortes Moura levava dentro. Terminou com um par de bandarilhas, nos médios, sem cabeçada, com o “Dolar”. Actuação meritória.

Pelos Amadores de Santarém pegaram Francisco Graciosa à terceira tentativa e Luís Seabra à primeira, com nota superior.
El Juli é um toureiro cuajado pelo tempo e pela experiência. Toureiro de Toureiros. A faena ao primeiro (Nuñez del Cuvillo) foi construída com inteligência,  acreditando, ensinando o toiro a seguir o engano. Pelo melhor pitón - o direito – afloraram muletazos poderosos, de mão baixa… com o toureiro entregue e o público rendido. O segundo (Garcigrande) foi manso, passou o tempo a fugir, mas El Juli não desistiu de lhe fazer faena . Sacou os muletazos que o toiro tinha e os que não tinham também… Um toureiro “fora de serie”.

Morante de la Puebla passou pela “Celestino Graça” com mais pena que glória. Com dois toiros a contra-estilo, o de Puebla del Rio nunca se sentiu a gosto… e abreviou!

sábado, 10 de junho de 2017

LISBOA: ONDE ESTÁ A SERIEDADE DO TOIRO NA CAPITAL?

Lisboa, 8 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

Impõe-se questionar: Onde está a seriedade do toiro na Monumental do Campo Pequeno? Não concebo (eu e outros aficionados) que saiam à arena da primeira praça de toiros do país seis exemplares como os que vimos ontem. Não basta terem quatro anos cumpridos. Não basta terem mais de 500 Kg de peso. O que vimos foram seis toiros de Irmãos Moura Caetano sem a “ponta” de seriedade (subentenda-se trapio), mais adequados a uma desmontável do que à primeira praça de toiros do país. E não é a primeira vez! Durante a tarde (na imprensa da especialidade), a empresa apresentou ao público os oito exemplares que estavam nos curros da capital. Talvez não tenha tido a noção, que a divulgação dos mesmos teve um retorno contrário ao pretendido, em vez de levar público, tirou público! E não ficamos por aqui. Sem trapio… E mansos, desinteressado, sem raça, com querença em tábuas, sem  vontade de investir… Mansos de livro. Os seis!

A história da última nocturna no Campo Pequeno conta-se em poucas linhas. Rui Fernandes teve a actuação mais convincente com o primeiro da noite. Montado no “El Dorado”, mostrou disposição para contrariar a mansidão do exemplar de Irmãos Moura Caetano, sobressaindo um segundo curto de boa nota. Com o quinto, nada acrescentou. De João Moura Caetano, recordo apenas dois ferros: no primeiro toiro, com o “Temperamento”, um quiebro cingido; e no segundo, com o “Xispa”, um outro curto de boa nota. A passagem de Leonardo Hernández pela capital careceu de conteúdo e interesse. Longe de entusiasmar quem sabe o que é o toureio a cavalo.

O grupo de Turlock voltou a enriquecer o seu historial com a noite de ontem. Pegaram Jorge Martins à primeira tentativa, Seteven Cambaio também à primeira e David Sanchez à segunda. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Pedro Viegas à quarta, Diogo Timóteo à segunda e o cabo Nuno Santana à primeira.

Estranhamente (ou talvez não!) ninguém protestou com a apresentação dos toiros. Sinais dos tempos moderno…  tempos perigosos!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

MOITA: APENAS VENTURA!

Moita, 27 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

A presença de duas Figuras, atraiu muitos aficionados à Moita. O mano-a-mano entre o rejoneador Diego Ventura e o matador de toiros Roca Rey constitui uma aposta arrojada do empresário Rafael Vilhais para a abertura da temporada na “Daniel do Nascimento”. Mas o desfecho … soube a pouco!

Diego Ventura conquistou o protagonismo da noite. A sua visível disposição, aliada aos argumentos que reúne no seu conceito, fizeram com que as suas actuações tivessem som e resultassem vibrantes. Revelou as intenções com o primeiro da noite, logo de saída com o “Lambrusco” e de curtos com o “Nazari”, com um toureio ligado e harmonioso. O segundo de Maria Guiomar Cortes Moura foi mais parado e condicionou o luzimento do conhecido “Sueño”. Com o terceiro, Diego voltou a impactar com o “Lambrusco”, e montado no “Fino” a actuação manteve o interesse do público. Arriscou. Causou burburinho. No segundo e terceiro curto, o toiro investiu a choto, mas Ventura esperou, aguentou muito, e cravou com impacto; no quarto e quinto, atacou ele e o entusiasmo do público voltou a sentir-se.  

O Aposento do Moita teve uma noite positiva. Pegou o cabo José Maria Bettencourt à primeira tentativa, seguindo-se Nuno Inácio também à primeira e Leonardo Matias à segunda.

A presença do matador de toiros Roca Rey ficou aquém das expectativas. Os toiros de Juan Pedro Domecq revelaram nobreza, mas faltou-lhe o fundamental. De hechuras… basto e sem pescoço o primeiro; mais proporcionado o segundo e feio o terceiro. Não entendo a escolha! Visivelmente cansado (actuara à tarde em Cáceres e chegara meia hora atrasado às cortesias), Roca Rey viu-se a espaços, sem entusiasmar, sem deslumbrar. Soube a pouco!

domingo, 28 de maio de 2017

CORUCHE: VALE SORRAIA EM NOME DA EMOÇÃO…

Coruche, 27 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

A tarde demorou a “romper”… O Concurso de Ganadarias que a abriu a temporada em Coruche (e o debute da empresa De Caras e Tauromaquia) ficou condicionado pelo comportamento da maioria dos exemplares enviados pelos ganaderos que disputaram o prémio. O de São Torcato teve pouca entrega, o de Canas Vigouroux com querança nas tábuas, doeu-se ao castigo; o de Pinto Barreiros, distraído e desinteressado; o de Cunhar Patrício manso, com querença nas tábuas; o de Vale Sorraia teve mobilidade e temperamento; e o de Branco Núncio, reservado.

Da terna de cavaleiro ficou beneficiado Luís Rouxinol, com o toiro de Vale Sorraia, o único que investiu, com temperamento, sem humilhar, mas que transmitiu a emoção que faltou aos restantes. Depois de uma gaiola improvisada, que facilmente chegou às bancadas, montado no “Douro” o de Pegões deu continuidade a uma actuação vibrante, que manteve o público sempre do seu lado. Com o segundo da tarde (Canas Vigouroux) deixou os ferros sem deslumbrar.

Com o toiro de São Torcato, António Ribeiro Telles assinou os ferros da tarde. Montado no “Favorito”, acoplou-se melhor às investidas na parte final da actuação, cravando três grandes curtos. Com o exemplar de Cunhal Patrício, pareceu-me equivocado nos terrenos. O toiro precisava de ser ajudado (e citado) a favor da querença, o que apenas aconteceu no terceiro curto. O melhor da serie.
A presença de João Salgueiro da Costa tem pouco para contar. Frente ao de Pinto Barreiros cumpriu, montado no “Gallo”; porém com o toiro de Branco Núncio andou disperso na arena.

Disputaram o prémio os Amadores de Coruche e os Amadores de Alcochete. Pelo grupo da terra pegaram Paulo Oliveira à primeira, Rui Godinho (Peitaça) à terceira com uma primeira-ajuda fundamental, e Pedro Viegas à primeira. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Diogo Timóteo, com uma grande pega à primeira, António José Cardoso à segunda, e Gonçalo Catalão à primeira, outra grande pega, com uma importante ajuda do grupo.

No fim os premiados foram: Melhor Toiro – Vale Sorraia . Apresentação – Canas Vigouroux. Melhor Lide – Luís Rouxinol. Melhor Grupo: Amadores de Alcochete.

sábado, 20 de maio de 2017

LISBOA: ESTANDO, SEM ESTAR...

Lisboa, 18 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Estando, sem estar… A definição que encontro para a presença do matador de toiros António Ferrera, que substituiu o anunciado Pablo Hermoso de Mendoza, vítima de acidente, uns dias antes, na sua finca em Navarra, e que o impossibilitou de abrir a Campanha Europeia na praça de toiros do Campo Pequeno. António Ferrera apontou com o “saludo capotero” com que recebeu os seus dois toiros. Mas só! Quem conhece Ferrera, conhece a sua disposição, os recursos que tem com os toiros mais exigentes, e sabe do “gancho” que o estremenho tem junto do grande público. Mas nem isso! Com as bandarilhas, longe do que é… Depois o seu primeiro toiro de Manuel Veiga investiu com raça e som, e sobretudo pelo pitón esquerdo investia largo e repetia com “prontitud”. Ferrera demorou tempo a entendê-lo… O seu segundo investiu com mais temperamento, com o decorrer da faena melhorou pela esquerda, e Ferrera andou mais centrado, mas sem deslumbrar, sem estar ao seu verdadeiro nível. Há noites assim!

Os toiros de António Charrua (com peso, mas sem trapio para a 1.ª praça de toiros da capital) são aquilo que os cavaleiros gostam, mas que eu, como aficionada, não gosto! Porque a Festa vive de emoção… é a sua essência! Moveram-se, colaboraram, mas sem “gota” de raça, autenticas tourinhas atrás dos cavalos. As duas actuações de João Moura Jr. foram muito a “su” estilo. Aproveitando as investidas dos Charruas, com ladeios e recortes por dentro para gáudio de quem gosta do conceito. Depois institucionalizou os cites de largo e cobrou os ferros. Algo repetitivo. Miguel Moura teve uma primeira actuação desprovida de interesse; e uma segunda com mais conteúdo, mas sem surpreender.  
Pelos Amadores de Lisboa, pegaram Pedro Maria Gomes à primeira e João Varanda à segundo, a receber o toiro sozinho no centro da arena. Pelos Amadores de Évora concretizaram António Alfacinha e João Pedro Oliveira, ambos à primeira.  

Uma noite que nada acrescentou à história dos 125 da praça de toiros do Campo Pequeno…

segunda-feira, 15 de maio de 2017

SALVATERRA DE MAGOS: ANTÓNIO FEZ-NOS SENTIR AINDA MAIS PORTUGUESES...

Salvaterra de Magos, 14 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga 

Sentir Portugal. Sentir a nossa terra. Sentir a nossa identidade. Somos um país pequeno, mas com gente grande. Unicamente, precisamos de motivos – como os do último fim-de-semana – para nos sentirmos orgulhosos! Depois de todas as alegrias vividas, só faltava o triunfo do Toureio a Cavalo à Portuguesa para nos completar. E eis que apareceu António Ribeiro Telles!

A actuação do Maestro da Torrinha, com o toiro de Murteira Grave – justo vencedor dos prémios bravura e apresentação do Concurso de Ganadarias – fez-nos sentir ainda mais portugueses. O toiro teve várias virtudes. Ao segundo comprido arrancou-se com prontidão para o cavalo, o que voltou a fazer, mantendo um bom tranco até ao fim. Faltou-lhe apenas mais fijeza nos cites. Depois de apontar os compridos no “Embuçado”, António apareceu montado no “Alcochete” para exaltar a nossa história. Conhecedor dos terrenos e das distâncias que o toiro exigia, preparou as sortes com critério, ligação, torería… e a actuação foi crescendo de entusiasmo à medida que se acoplava, cada vez melhor, às investidas de “Pajaro Azul”, ferrado com o n.º 16. O terceiro, quarto e quinto curto foram um deleite para os aficionados. Para os portugueses! Duas voltas à arena premiaram a obra.

Com o Miura que abriu o Concurso, António Telles esteve diligente; por outro lado, as actuações de Filipe Gonçalves e Francisco Palha ficaram marcadas pela falta de consistência do toureio de ambos. No entanto, é justo mencionar que Palha recebeu à gaiola, com mérito, o seu primeiro; e que Gonçalves cravou um grande terceiro curto também no seu primeiro.

Resultado do Concurso de Ganadarias: Miura (reservado, sem acusar o castigo); Palha (investiu sem humilhar e raspou); Veiga Teixeira (cumpriu, com reservas); Grave (pronto e alegre, faltou fijeza nos cites); António Silva (cumpriu, mas por vezes andarillo); Fernandes de Castro (manso, a negar-se à peleja).

A tarde revelou-se exigente para os homens da jaqueta de ramagens. Pelos Amadores de Santarém (no dia em que se prestava homenagem a um dos seus, João Ramalho) pegaram João Grave à quinta tentativa, Ruben Geovetti à segunda e Francisco Graciosa à primeira, na pega da tarde, como recompensa pela dura tarefa dos seus anteriores colegas. Também os Amadores de Lisboa responderam com valor. Concretizaram Duarte Mira depois de dobrar Vitor Epifânio; Pedro Gil à segunda e João Varandas também à segunda. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

TARDE DESESPERANTE NA PALHA BLANCO...JORGE DE CARVALHO MERECIA OS DOIS PRÉMIOS, MAS NÃO LEVOU NENHUM PARA CASA…

Vila Franca de Xira, 7 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Chegou a ser desesperante estar na Palha Blanco. Com as bancadas “despidas” de aficionados e de entusiasmo, a contrastar com outras tardes de glória que ali se viveram. Para o Concurso de Ganadarias de hoje, a empresa escolheu as de Passanha Sobral, Jorge de Carvalho, Branco Núncio, António Silva, Souza d’Andrade e São Torcato. Pela negativa, a apresentação do exemplar de Branco Núncio (sem cara); e pela positiva, a superior apresentação do toiro de Jorge Carvalho. Quanto a comportamento, foi reservado o de Sobral, fácil o de Núncio, colaborador o de Silva, complicado o Andrade e veio de menos a mais o de São Torcato. Para mim, o toiro de Jorge de Carvalho (un tio!) teve muitas virtudes e foi o melhor da tarde. Merecia vencer os dois prémios em disputa, mas não levou nenhum para casa!!!

Os três cavaleiros que se anunciaram – Francisco Palha, João Maria Branco e João Salgueiro da Costa – assinaram uma tarde desprovida de conteúdo. Porque tourear é diferente de cravar ferros… Francisco Palha ainda apontou no primeiro do seu lote, mas as actuações de Branco e Salgueiro foram paupérrimas em tudo. Para esquecer!

O grande momento da tarde foi protagonizado pelos Amadores de Vila Franca de Xira ao terceiro toiro da corrida. Uma grande pega de Vasco Pereira, superiormente ajudado pelo seu irmão. Pelo grupo da terra pegaram ainda Rui Godinho e Márcio Francisco, ambos à primeira tentativa. Justamente, venceram o prémio “João Vilaverde”para o melhor grupo. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram João Machacaz à terceira (dobrou Fernando Quintela depois duas tentativas frustradas), Manuel Pinto à segunda e a encerrar Pedro Viegas à primeira.

Foto: Pedro Batalha

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CARTAXO: RENOVADA MENSAGEM DE ANA BATISTA

Cartaxo, 1 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Terra de vinho, mas também de gente aficionada, que deve reconhecer o esforço e o empenho de quem quer “dar vida” ao Cartaxo. Da parte do empresário José Luís Gomes ficou o exemplo. Em fase de recuperação, um cartel que se aplaude!

Os toiros de Prudêncio exigiram aos três toureiros soluções para os seus problemas. A Telles Bastos tocou o pior (3.º) e o melhor (6.º), mas a maioria esperou muito pelos cavalos.

Ana Batista reflectiu maturidade e torería na sua passagem pelo Cartaxo. Entendeu na perfeição o seu primeiro, sacando o toiro dos tércios para os médios, e mantendo-se sempre ligada para concretizar as sortes. Com o “Roncal” a serie de curtos veio a mais. Frente ao quinto, a cavaleira de Salvaterra de Magos conservou a atitude, mas o toiro teve tendência para se desligar e para se reservar no momento do ferro. Apesar de tudo, com o “Conquistador” houve momentos que ficaram na retina.

Determinação foi o “segredo” da primeira lide de Manuel Telles Bastos. O de Prudêncio teve querença em tábuas, e ao sair, investia com violência. Montado no “Diestro”, apresentou recursos para ultrapassar os problemas e os dois últimos curtos, a sesgo, tiveram muito mérito. Com o sexto da tarde, o mais fácil do curro, limitou-se a cravar os ferros com vulgaridade.

A tarde custou trabalho ao cavaleiro Luís Rouxinol. Desta vez, o conhecido “Douro” não andou a gosto com o primeiro do lote; e a “Viajante” apenas logrou um bom curto no segundo. Para Rouxinol, cavaleiro de grande regularidade, esta tarde teve um sabor estranho…

As pegas estiveram a cargo de dois grupos. Pelos Amadores de Lisboa pegaram João Varanda de Carvalho e Martim Cosme Lopes, ambos à primeira; e António Galamba à segunda. Os forcados do Cartaxo passaram no “exame”, concretizando todas as pegas à primeira. Pegaram o cabo, Bernardo Campino, Fábio Beijinho e Duarte Campino.  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

CURIOSIDADES DA SEMANA SANTA

Estamos em plena Semana Santa. Hoje a noite de Sevilha, é algo mais do que uma simples noite, é um sentimento, uma paixão… Hoje, vive-se La Madrugá. O paso de La Macarena (Hermandad a que pertencem vários toureiros) chega a ser comovente. A imagem, levada pelos Costaleros e acompanhada pelos Nazarenos, percorre durante horas as ruas de Sevilha, sendo saudada por Saetas e gritos em seu louvor. A propósito fique a saber que:

1 - No peito, a imagem  de La Macarena leva cinco esmeraldas em forma de rosas, denominadas de Mariquillas, oferta do matador de toiros Joselito El Gallo. Mas a seu respeito existem outras curiosidades. A morte de Joselito El Gallo aconteceu a 16 de Maio de 1920, na praça de toiros de Talavera de la Reina (Toledo), na sequência da cornada de Bailador daganadería da Viúva de Ortega. O acidente comoveu a província de Sevilha e especialmente a Hermandad de La Macarena, da qual fazia parte o toureiro sevilhano. Pela primeira e única vez, La Macarena vestiu de negro, em sinal de luto e reconhecimento.


2 - Contam os livros que durante a Segunda República Espanhola (proclamada a 14 de Abril de 1931) vários membros republicanos saquearam diversos templos sevilhanos, e perante o perigo, o sacristão de La Macarena levou-a para a sua casa e meteu-a na sua cama, simulando uma pessoa. À noite transportou a imagem para o Cemitério de San Fernando, e argumentando ser um marmorista, depositou-a na sepultura de Joselito El Gallo, onde permaneceu oculta durante dois meses. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

VILA FRANCA DE XIRA: EM CADA JAQUETA DE RAMAGENS UM PEDAÇO DE HISTÓRIA…

Vila Franca de Xira, 9 de Abril 2017
Por: Catarina Bexiga

Em cada forcado um coração vilafranquense. Em cada jaqueta de ramagens um pedaço de história. A Palha Blanco registou uma grande moldura humana no Festival Taurino que assinalou os 85 anos dos Amadores de Vila Franca de Xira. A melhor maneira de reconhecer a trajectória do grupo e de o acarinhar em dia especial…

O ponto alto da tarde foi a actuação do matador de toiros Curro Diaz com um novilho de Falé Filipe. Um hino ao toureio clássico. Para começar um par de lances à Verónica; e depois uma faena de fino corte, com muletazos profundos e templados, e o toureiro a gosto. Deu duas merecidas voltas à arena.

A Vitor Mendes tocou um novilho violento, dos três o único que não serviu. Mendes despachou-o com ofício. Referir, que João Ferreira cravou dois excelentes pares de bandarilhas, ganhando o pitón e cravando na cara. Saudou nos tércios.

João d’Alva, aluno da Escola de Toureio “José Falcão”, deixou uma importante mensagem na Palha Blanco. Concentrado, entendeu o novilho de Falé Filipe, e construiu uma faena pausada, procurando levar largo os muletazos, e sentindo-se toureiro.

A cavalo, António Ribeiro Telles lidou um novilho parado com ferro Casa Avó. Montado no “Favorito”, a sua sapiência superou as dificuldades. Com detalhes de maestria.

O novilho, com o mesmo ferro, que tocou a Luís Rouxinol, embora sem fijeza no momento do cite, teve mobilidade. Montado no “Douro”, Rouxinol defendeu o seu estatuto, à base da disposição.  

Ana Batista regressou às arenas com um esmerado sentido de lide. O Casa Avó teve acentuada querença em tábuas, mas a cavaleira soube contrariar-lhe a vontade. Montada no “Roncal”, o segredo esteve na ligação, sem perder a cara ao adversário, para lograr concretizar as sortes.

Depois do toureio a pé, menos conteúdo tiveram as restantes actuações a cavalo. Com um novilho de António Silva, Paulo Jorge Santos limitou-se a andar desembaraçado; e com o exemplar de Charrua, o praticante António Prates acusou a responsabilidade.

Terminamos, com os protagonistas na tarde. Concretizaram Ricardo Castelo e Carlos Telles “Caló”, ambos à segunda tentativa, Bruno Casquinha à primeira, Ricardo Patusco à quarta e Diogo Pereira à primeira, a encerrar com chave de ouro a prestação do grupo. Na retina ficaram também outros tantos, que voltaram a vestir a jaqueta de ramagens e a pisar a Palha Blanco, forcados que enalteceram o grupo em diferentes épocas.  

domingo, 9 de abril de 2017

ADRIÁN, A FESTA DE TOIROS FÊ-LO SENTIR FELIZ

Por: Catarina Bexiga

Adrián Hinojosa, com apenas 8 anos, sofria de Sarcoma de Ewing, um tipo de cancro contra o qual estava a lutar nos últimos tempos. Todavia, como todos os meninos da sua idade, Adrián tinha um sonho. Possivelmente, longe de pensar o que futuro lhe pudesse reservar, Adrián tinha uma particularidade que o distinguia dos demais: queria ser TOUREIRO!

A 8 de Outubro em Valência – Adrián foi o rosto do Festival Taurino a favor da Fundación de Oncohematología Infantil, e viu-se rodeado dos seus heróis.

Fizeram parte do cartel, Vicente Ruiz “El Soro”, Enrique Ponce, Vicente Barrera, Rafaelillo, Román, Ginés Marín e o novilheiro Fernando Beltrán.

A 8 de Outubro, Adrián fez o paseillo junto dos toureiros, foi brindado, deu voltas ao ruedo e saiu em ombros! As imagens correram o mundo, e por parte dos anti-taurinas surgiram comentários desumanos, o suficiente para ficarmos com a ideias do tipo de pessoas que são.

A Festa de Toiros é grande. Porque a grandeza também está nos gestos; nos sentimentos que provoca e na solidariedade que demonstra para com quem necessita.

Adrián, faleceu hoje sem cumprir o seu sonho, mas a Festa de Toiros fê-lo feliz. Descanse em paz.

sábado, 8 de abril de 2017

LISBOA: REVITALIZAÇÃO OU MEDIATISMO?

Lisboa, 6 de Abril 2017
Por: Catarina Bexiga

Juan José Padilla somou a terceira saída em ombros pela porta grande da Monumental do Campo Pequeno. A sua presença esgotou o coso lisboeta e suscitou na afición portuguesa um histerismo colectivo. Hoje, quem vai ver o jerezano (e muitos foram os que abandonaram as bancadas após a sua última faena) não vai , simplesmente, ver um matador de toiros que está no seu momento; Padilla é um “produto” diferenciado, um exemplo de superação, a vitória da vida sobre a morte… Particularmente, na praça de toiros da capital, a mensagem de Juan José “cai bem” num público diverso, receptivo a tudo, que procura algo que o divirta… Padilla bandarilhou os seus dois toiros de Varela Crujo, explorou a nobreza do primeiro (excessivamente premiado com a chamada do ganadero à arena), construindo uma faena variada e ligada; e com o segundo, que investiu sem classe, tirou partido da generosidade do público português. Feitas as contas, duas voltas no primeiro, mais três voltas no segundo, igual a saída em ombros.

No final da tarde de Quinta-feira, um painel de oradores, composto por João Queiroz, José António Campuzano, Rui Bento Vaquez, Manuel Dias Gomes e Pedro Brito de Sousa, abordou o tema da “Revitalização do Toureio a Pé em Portugal”.  O optimismo foi a palavra comum no discurso de todos. Todavia, depois da valorização de Juan José Padilla, cabe também aos aficionados apoiarem os matadores de toiros portugueses para a revitalização que urge. A faena de Manuel Dias Gomes em Lisboa (Setembro), com um toiro de Manuel Veiga; e a de António João Ferreira em Vila Franca de Xira (Outubro) com um toiro de Falé Filipe; mereciam que ambos tivessem na agenda vários contratos. A não acontecer, estaremos a falar de revitalização ou mediatismo?

Voltando à arena de Lisboa, na noite do seu debute, a Roca Rey tocou os dois piores toiros do encierro de Varela Crujo , o terceiro sem força, custava-lhe a seguir os voos da muleta; e o sexto revelou-se manso, investindo com brusquidão. Sem opções, o peruado esteve por cima das condições dos adversários. A espaço, ainda desfrutámos da sua classe e do seu temple.

João Moura recebeu à gaiola o seu primeiro Vinhas - que investiu melhor atrás do cavalo do que nas abordagens – e apenas logrou dois curtos convincentes, com o “Colombo”, o terceiro e quarto da serie. Frente ao desenraçado quarto da função, a actuação careceu de interesse.

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira pegaram o cabo Ricardo Castelo e Rui Godinho, ambos à segunda tentativa.

A noite terminou como começou, com um ambientazo em redor do novo ídolo do Campo Pequeno: Juan José Padilla. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

À CONVERSA COM... RICARDO CASTELO

    A propósito do 85.º Aniversário dos Amadores de Vila Franca de Xira - bem como da organização do Festival Taurino, anunciado para o próximo dia 9 de Abril, na Palha Balnco - Falar de Toiros esteve à conversa com Ricardo Castelo. Um diálogo aberto, sobre o reconhecimento e a regeneraçãodo grupo. Somente, um dos mais importantes do país! 
    Por: Catarina Bexiga

    FALAR DE TOIROS - O que significa para si ser cabo dos Amadores de Vila Franca de Xira na temporada em que o Grupo comemora o 85º Aniversário da sua fundação?
RICARDO CASTELO - Ser cabo do Grupo de Vila Franca de Xira significa, para mim, honra e sentido de responsabilidade. Uma honra pela longevidade pois uma instituição que começou há 85 anos merece todo o respeito porque dignifica, todos os dias, a cidade que representamos e todas as pessoas que se disponibilizaram ao longo destes anos a dignificarem o nome deste Grupo. E sentido de responsabilidade porque tem sido um Grupo com muita história e que, graças a Deus, tem estado nos primeiros lugares no que diz respeito à qualidade nesta categoria da festa de Toiros.
    FT - Organizar um Festival Taurino na Palha Blanco é uma forma de dar importância à efeméride que assinalam?
RC - Costumamos organizar um festival de 5 em 5 anos para assinalar datas redondas para partilhar com todos os aficionados o que é o Grupo de Vila Franca, através de eventos como este, como também para fortalecer os laços entre todas as gerações que pertenceram ao Grupo de Forcados de Vila Franca de Xira dando oportunidade a todos de voltarem a desfrutarem de grandes recordações voltando a contribuir de uma forma activa na festa. Para os aficionados também é uma forma de recordar e ver Forcados que marcaram gerações a voltarem a dar “cor” à nossa tão exigente importante praça de toiros Palha Blanco.
    FT - O Grupo tem vindo a treinar, e ainda recentemente na casa do Ganadero José Palha participaram forcados de várias gerações. Sente que tem sido fácil renovar-se de forma natural?
RC - O grupo tem feito uma renovação natural e o ano passado foi, na minha opinião, o ano crucial nessa renovação com a entrada de mais jovens no Grupo principal. Temos ao longo dos anos renovado lentamente, mas com a saída de 3 elementos dos que mais pegaram nos últimos 15 anos, pensei que a qualidade se ia sentir, mas mesmo nos desafios mais importantes o Grupo não baixou a fasquia da qualidade o que é comprovado com a atribuição de muitos reconhecimentos de melhor Grupo por parte da comunicação taurina e instituições. Conseguir renovar mantendo a qualidade é a melhor forma de dar continuidade a uma instituição com 85 anos de existência e é esse o nosso objetivo todos os anos.
O treino com antigos e actuais é mais uma forma de dar a conhecer aos novos Forcados a História do nosso grupo e perceberem a responsabilidade e o que significa ser Forcado no Grupo de Vila Franca. Foi um dia muito interessante e especial com mais de 70 pessoas a treinar.
    FT - Que leitura faz do actual momento do Grupo?
RC - Neste momento temos um Grupo com muita juventude que significa continuidade e com elementos mais velhos a ajudar e a manter a estrutura com sentido de responsabilidade, por isso, acho que está num bom momento e com muita qualidade, apesar de jovem. Este Grupo devia ter mais de 25 corridas por ano (pelo menos 80 toiros). Um Grupo de Forcados atinge os plenos de confiança e sitio pegando.
    FT - Suponho que o Festival Taurino, anunciado para 9 de Abril, conte com a presença de de antigos e actuais elementos do grupo… Todos se vão querer fardar?
RC - Claro que sim. Esta pergunta respondeu também às minhas dúvidas com a presença de muitos elementos no treino para antigos e actuais… Por isso a expectativa é grande.
    FT - O Festival inclui toureio a cavalo e toureio a pé, sinonimo que os Amadores de Vila Franca também são aficionados ao toureio a pe?
RC – Os Forcados de Vila Franca são aficionados ao toureio a pé, mas mais importante que tudo isso é que sabemos que Vila Franca é uma cidade taurina e com grandes tradições ao toureio a pé e que formou grandes nomes a nível Mundial. Esta é nossa melhor forma de homenagear essas figuras e até com a presença de uma delas. É um dia de Família para todos os gostos. Somos de Vila Franca e orgulhosos com os grandes valores da nossa cidade. Esta é, na nossa opinião, a melhor forma de defender os valores da festa.
    FT - Pegam 5 toiros. Com tantos forcados fardados, a tarefa do Ricardo Castelo não vai ser simples…
RC – É verdade. Com tantas opções vão ficar mais forcados “chateados” do que numa corrida normal, mas a prioridade vai sempre cair para antigos elementos e nomes que mais contribuíram para colocar o Grupo de Vila Franca onde está hoje.
    FT - Acima de tudo, o que esperam da tarde de 9 de Abril? Que seja uma tarde de confraternização e amizade em prol dos Amadores de Vila Franca de Xira?
RC – Esperamos principalmente que seja uma tarde que dignifique a festa de toiros e que seja um dia para a Família do Grupo de Vila Franca de Xira desfrutar fazendo o que sabe fazer melhor, ou seja, pegar toiros e viver intensamente a corrida e o convívio. Esperamos, e foi com esse objectivo que escolhemos as figuras do cartaz, que seja um dia com muitos aficionados na bancada e por isso os bilhetes a preços ao alcance de todos. Queremos que este Festival seja mais uma forma de promover, positivamente, a festa taurina em Portugal.

terça-feira, 14 de março de 2017

FALAR DE TOIROS COM… Rafael Vilhais

Por: Catarina Bexiga

Em 2016, Rafael Vilhais aventurou-se no papel de empresário das praças de toiros de Beja, Salvaterra de Magos e Caldas da Rainha. Em apenas uma temporada, deu que falar. Inovou. Arriscou. Criou expectativas. Para 2017, juntou ao grupo a praça de toiros “Daniel do Nascimento”. 
A motivação do empresário contínua em alta…

Falar de Toiros – Conhecendo o meio taurino português, e os seus vícios, o que é que o motivou a aumentar a participação empresarial na temporada passada?

Rafael Vilhais – O primeiro motivo foi a minha afición. Penso que pode ser uma mais-valia para refrescar o ambiente. Pelo menos, para mudar qualquer coisa para bem da Festa de Toiros em Portugal. Para além disso, também o incentivo por parte de alguns amigos e profissionais da Festa foi fundamental para avançar.

FT – O Rafael foi nomeado por muitos o empresário da temporada. Para si, a conquista deste título deve-se ao facto de ter contratado, sobretudo, Diego Ventura para Beja e Roca Rey para Salvaterra de Magos, duas praças de toiros identificadas como de difícil gestão?~

RV – Talvez por isso, e pela situação actual que vivemos ou vivíamos de monotonia de cartéis. O publico agradece que se faça algo de diferente e na maioria dos casos responde à confecção de cartéis que mais lhe agrada.

FT – Considera que a gerência da praça de toiros das Caldas da Rainha foi menos ousada?

RV – Considero que sim. Foi onde as coisas não resultaram tanto. Também temos que ter em conta que houve dois adiamentos da Corrida Mista de Maio. Apesar disso, o 15 de Agosto teve uma excelente casa, superando o número dos últimos três anos.

FT – Este ano, aumentou o grupo com a “Daniel do Nascimento” (Moita), uma das praças de toiros com mais prestígio. Em Maio (27) junta no mesmo cartel, Diego Ventura e Roca Rey é uma aposta forte… digna de lotação esgotada?

RV – A “Daniel do Nascimento” é, sem dúvida, uma praça de prestígio, e exige de nós o máximo respeito e a máxima dedicação na hora da organização e confecção dos cartéis. Espero que no dia 27 de Maio, com o rejoneador Diego Ventura e o matador de toiros Roca Rey esgote! Se tal não acontecer algo vai mal na afición moitense e no país taurino em geral.

FT – Para além do Concurso de Ganadarias, anunciado para Salvaterra de Magos, para 2017 existem mais planos arrojados? Algum que nos possa desvendar?

RV – Existem mais planos, com certeza, para todas as praças, mas gostava que surgissem também alguns toureiros nacionais com capacidade para criar paixões, e se tornassem verdadeiros ídolos da Festa, que arrastassem multidões e enchessem as praças. Procura-se urgentemente! A seu tempo darei mais notícias de possíveis cartéis. 

FT – Estamos no início da temporada, e há muito por definir. Desde que é empresário, as noites são passadas a idealizar cartéis?  

RV – As noites e às vezes os dias, até mesmo antes de ser empresário. Idealizo e gasto muitas folhas de rascunho a confeccionar cartéis, que nem sempre são possíveis, mas às vezes os sonhos tornam-se realidade.  

quinta-feira, 9 de março de 2017

OS CAVALOS NOVOS DE... Paulo Jorge Ferreira



Paulo Jorge Ferreira tomou a Alternativa, a 21 de Julho de 2002, na Póvoa de Varzim (Corrida TV/Norte); mas quatro anos mais tarde, decidiu abraçar um novo projecto profissional. Radicado na Califórnia - a trabalhar na Coudelaria Irmãos Martins – durante o ano trabalha a sua quadra e prepara os cavalos que vão servir os cavaleiros lusos que se deslocam à Califórnia.
Hoje, Paulo Jorge Ferreira apresenta-nos os dois cavalos novos que irão integrar a sua quadra em 2017:


Nome - Izol
Idade - 4 anos
Raça - lusitano
Ferro - Ortigao Costa

Opinião de Paulo Jorge Ferreira: “O Izol é um cavalo com uma personalidade muito boa, tem uma facilidade de aprendizagem incrível, irei estrear este ano no tercio de bandarilhas, será um cavalo que irá conectar com as bancadas com muita facilidade.








Nome - Fado
Idade - 7 anos
Raça - Lusitano
Ferro - António Campos

Opinião de Paulo Jorge Ferreira: “O Fado é um cavalo com um nível de ensino acima da média, faz passage, passo espanhol e corvetas, anda nas vacas com muita toureria, será a grande aposta esta temporada da minha quadra, é um cavalo que anda muito perto dos touros com muita classe.


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