sexta-feira, 18 de maio de 2018

A QUADRA DE VITOR RIBEIRO PARA O SEU REGRESSO ÀS ARENAS...

Após dois anos afastado do toureio, o cavaleiro Vítor Ribeiro regressa às arenas, este Sábado, 19 Maio, no tradicional Concurso de Ganadarias de Évora. Com a moral renovada e varias novas apostas, Ribeiro apresenta-nos hoje a sua quadra para a temporada 2018.







CAMPO PEQUENO: UMA TEMPORADA TORISTA OU PARA TURISTA?

Por: Catarina Bexiga

Pretender “vender” a temporada do Campo Pequeno como temporada Torista parece-me excessivo, e a prova está na nocturna de ontem na capital.  Um curro de David Ribeiro Telles (da linha Murube!?), díspar de apresentação e sem o trapio que exige uma praça de toiros de primeira categoria. Uma coisa é uma temporada Torista e outra é uma temporada para Turista, que não sabem distinguir um coelho de uma lebre, por isso “comem” tudo…

O Campo Pequeno é uma praça de toiros com um público sui generis. Entre outras actitudes, por exemplo ontem, após a última actuação de Pablo Hermoso de Mendoza, várias pessoas abandonaram os seus lugares, manifesta falta de respeito para com os demais intervenientes. Apenas foram ver o Pablo porque lhes disseram que é o “melhor”, como poderão ir ver Marilyn Manson a 27 de Junho, Forever King of Pop a 22 de Setembro ou Status Quo a 29 do mesmo mês…

Os toiros de David Ribeiro Telles careceram de transmissão. Na minha opinião, o melhor tocou, em primeiro lugar, a António Ribeiro Telles, um toiro que se arrancou de vários terrenos. O segundo e quarto foram reservadotes, o quinto não se mexeu, e os restantes deixaram-se… Faltou o essencial, a raça, o “picante”, a emoção!

António Ribeiro Telles esteve longe do nível a que se viu, recentemente, em Vila Franca de Xira e em Salvaterra de Magos. Intermitente no primeiro do seu lote e vulgar no segundo.

Pablo Hermoso de Mendoza viu-se a gosto no segundo da noite, fiel ao seu conceito, com classe, elegância e ligação; e andou esforçado com o quinto, o pior do curro.

A primeira actuação de João Moura Caetano não levantou voo (embora muito festejada pelo cavaleiro); e na última colocou um pouco mais de "chama" ao seu toureio.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram Martim Lopes à primeira tentativa, Duarte Mira também à primeira e João Varanda à segunda. Pelo grupo de Coruche concretizaram Miguel Ribeiro Lopes à primeira, João Prates também à primeira e António Tomás, que dobrou Miguel Raposo, após várias tentativas frustradas.

Outras notas:
- Ficou por fazer um minuto de silêncio em memória do Dr. Ramón Villa, médico cirurgião que faleceu, esta Quinta-feira, e que salvou a vida a vários toureiros;
- Após o terceiro toiro, saltou à arena um anti-taurino;
- O Delegado Técnico Tauromáquico Tiago Tavares dirigiu de acordo com a exigência que deve ter a praça de toiros de Lisboa. Não mostrou o lenço branco à primeira actuação de António Ribeiro Telles, nem à primeira de João Moura Caetano; e impediu que Pablo Hermoso de Mendoza desse duas voltas no seu primeiro toiro. O novo Regulamento não pode cair em “vícios”… O meu aplauso!

Foto: Facebook Campo Pequeno

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SALVATERRA DE MAGOS: ANTÓNIO, MAIS TOUREIRO DO QUE NUNCA!

Por: Catarina Bexiga

Grande tarde de António Ribeiro Telles. Plena de madurez, de capacidades, de Maestria! Uma tarde que vale pelo seu conjunto. Pela sabedoria. Pela Torería. Pelo sabor. Com o toiro de Conde de la Maza, distraído e sem entrega, a actuação do cavaleiro da Torrinha esteve repleta de intencionalidade. Montado no “Favorito”, apontou um grande segundo ferro comprido, seguindo-se três curtos com a mesma nota. Tudo o que fez chama-se Toureio! O de Veiga Teixeira, extraordinariamente apresentado, foi um toiro sério, que teve mobilidade e que investiu com raça. António andou poderoso, aguentando as arrancadas, com o toiro a querer emparelhar-lhe com o cavalo, mas sempre senhor da situação. Montado no “Alcochete” o quarto curto foi o melhor de todos. A actuação teve vibração, houve risco (no último ferro entrou demasiado ao toiro e sofreu um toque), houve verdade, houve emoção! Grande tarde de António Ribeiro Telles. Grande tarde (com casa cheia) de Toureio a Cavalo à Portuguesa.

Francisco Palha esteve decidido e valente com um manso de lei com o ferro de Canas Vigoroux. Uma actuação que lhe dá crédito. Depois com o sobrero de Veiga Teixeira andou discreto.

Ao rejoneador Andrés Romero tocou o toiro de Miura (improprio para um Concurso de Ganadarias e sem raça) e um segundo sobrero de António Silva, com os quais assinou duas actuações desprovidas de interesse.

Pelos Amadores de Santarém pegaram António Goes à primeira tentativa, Fernando Montoya à segunda e Ruben Gioveti à primeira, uma das melhores pegas da tarde. Pelos Amadores de Coruche (num grande momento) concretizaram Pedro Coelho à segunda, João Prates à primeira e António Tomás à primeira com uma preciosa ajuda de José Cavaco.

No fim, o toiro de Veiga Teixeira venceu, merecidamente, os dois prémios em disputa: “Apresentação” com o nome de João Ramalho e “Bravura” com o nome de José Costa.

Foto: Pedro Batalha

sexta-feira, 11 de maio de 2018

CHAMUSCA: PINTO E DIAS GOMES ROÇARAM O TRIUNFO…


Por: Catarina Bexiga

Quinta-feira de Ascensão na Chamusca. Ambiente único nas ruas. E a merecer mais público nas bancadas da quase centenária praça de toiros. Da tarde de ontem, guardo as actuações dos dois toureiros mais jovens do cartel… a roçar o triunfo!

Duarte Pinto voltou a deixar “selo” das suas capacidades, sobretudo no último do seu lote. Com o segundo da tarde, montado no “Cesário” de curtos, apenas cumpriu. Pode fazer melhor. Se tem pisado um pouco mais os terrenos do Prudêncio, as sortes teriam outro impacto. Porém, com o quinto, montado no “Espectáculo” apontou e com o “Visconde” entendeu o toiro, viu-se intencionalidade no seu toureio, cravando três curtos bons, os melhores da tarde! Na minha opinião, merecia o prémio!

Luís Rouxinol defendeu a seu estatuto com as armas habituais. A sua primeira actuação (com o Girassol) resultou intermitente; e com o quarto (montado no Douro) andou vistoso, tirando partido do toureio de cercanias. Levou para casa o prémio "Dr. João Duque".

Os toiros de Prudêncio serviam para triunfos maiores. Foram todos colaboradores. O 1.º, 2.º e 4.º, mais fáceis; o 3.º, mesmo com ligeira querença nos tércios, não complicou…

Tarde de competição entre os dois grupos da terra, com atitudes que merecem ficar registadas. Pelos Amadores da Chamusca pegaram Luís Isidro à segunda tentativa, despedindo-se das arenas, e Bernardo Borges à primeira, na pega mais homogénea da tarde e merecedora do prémio "Eng. Jorge Duque". Pelo Aposento da Chamusca concretizaram João Saraiva à primeira tentativa e Francisco Andrade à terceira. Na sua última volta à arena, o forcado Luís Isidro também foi reconhecido pelo grupo “rival”, especialmente por parte de ex-cabo Tiago Prestes e do actual Pedro Coelho dos Reis. Gravei o gesto.

Manuel Dias Gomes recebeu superiormente de capote os seus dois toiros. Com elegância. Com suavidade. O seu lote revelou-se díspar de comportamento. O seu primeiro prometeu, mas chegou à muleta a “puntear los vuelos”. O toureiro andou esforçado. O seu segundo teve melhor condição, e Manuel Dias Gomes procurou a estética, mais que a emoção. À faena faltou um pouco de ritmo, mas houve muletazos autênticos, de cartel!

Fotos: Pedro Batalha

segunda-feira, 7 de maio de 2018

VILA FRANCA: O PADRINHO (ART) DEU O EXEMPLO!


Por: Catarina Bexiga

Grande moldura humana e enorme ambiente o que se viveu na tarde de Domingo na Palha Blanco. E ali António Ribeiro Telles deu (uma vez mais) uma lição de Toureio a Cavalo! Os seus dois toiros de Vale Sorraia foram exigentes, muito exigente mesmo o segundo. Mas o cavaleiro da Torrinha andou sobradíssimo de recursos e sempre em TOUREIRO com maiúsculas. Montado no “Favorito”, deu importância aos compridos e esteve intencional com os curtos. Entrando ao toiro com decisão, cingindo-se nos embroques, e cobrando com impacto. Com o quarto da tarde esteve em Maestro consumado. O segundo comprido a sesgo teve muito mérito, e tudo o que se seguiu idem. Pela forma como entendeu o toiro e como encontrou soluções. Com o “Alcochete” houve três curtos de grande nível!

David Gomes, a quem tocou o lote mais vistoso, dois cardenos, veletos, que não complicaram,  concretizou o seu sonho. E tem motivos para o recordar. Tomou a Alternativa das mãos de António Ribeiro Telles, que lhe cedeu o N.º 76, de nome “Urze”. A Palha Blanco esteve consigo, o cavaleiro teve passagens convincentes no seu primeiro, especialmente montado no “Campo Pequeno”; e andou desembaraçado com o último.

Embora disposto e entrega, Luís Rouxinol sentiu mais dificuldades em afirmar-se. O seu primeiro foi o mais fácil do curro e o segundo muito trotón. Com o “Douro” no primeiro, privilegio o toureio ladeado; e com “Girassol” no segundo, a actuação veio a menos.

Os Amadores de Vila Franca e Coruche completaram o interesse da tarde. Pelo grupo da terra pegaram o futuro cabo, Vasco Pereira à primeira tentativa; Francisco Faria à segunda; e um enorme Márcio Francisco à terceira, com uma grande primeira ajuda. Pelo grupo de Coruche foram caras Miguel Raposo à primeira; João Prates à segunda, depois de uma enorme primeira tentativa (ganhou o prémio em disputa); e António Tomás à primeira.

Assim, ficou marcado o regresso da família Levesinho à “sua” Palha Blanco. E hoje temos motivos para exaltar o Toureio a Cavalo à Portuguesa com uma grande tarde de António Ribeiro Telles!

Foto: João Silva / Sol e Sombra

sexta-feira, 4 de maio de 2018

PENSAMENTO DO DIA: PARABÉNS NOVO BURLADERO!


Por: Catarina Bexiga

Passaram 40 anos sobre aquele 4 de Maio de 1978. Era Quinta-feira de Ascensão. Era dia de toiros na Chamusca. O cartel anunciava os cavaleiros José Mestre Batista, Luís Miguel da Veiga, José João Zoio e o novato Rui Salvador. Ainda a presença dos Amadores de Montemor-o-Novo na companhia dos Amadores da Chamusca. Os toiros pertenciam à ganadaria de Herdeiros de Bodeal da Rainha de António Barbeiro. Outros tempos…

Passaram 40 anos sobre aquele 4 de Maio de 1978, em que apareceu nas bancas a edição N.º 1 da Revista Burladero, que mais tarde, surge com o nome de Revista Novo Burladero. Impulsionado pela sua grande afición e pelo desejo de aportar algo à Festa de Toiros, João Queiroz apareceu com uma publicação taurina, que viria a ser a sua própria vida! Desde logo, definiu o caminho a seguir (preservado por todos os seus colaboradores), estabelecendo normas e defendendo valores, que são importantes dentro e fora das arenas. Como “bandeira”, durante 40 anos (e 350 edições), a exigência, palavra que a muitos incomoda, mas que à revista deu categoria e prestígio!   

Desde a década de 70, existiram 29 publicações taurino em Portugal. Umas com mais, outras com menos duração; facto que revela a dificuldade de manter “viva” no nosso país, uma publicação taurina. Durante 40 anos, por parte da Burladero / Novo Burladero houve uma procura incessante de agradar ao Aficionado, para quem sempre foi pensada a publicação. E graças ao Aficionado mantém-se. É na Burladero / Novo Burladero que está escrita a história da Festa de Toiros em Portugal e não só. Um trabalho louvável e com um mérito enorme!

Hoje comemora 40 anos de existência! Parabéns Novo Burladero!