segunda-feira, 12 de junho de 2017

REGUENGOS DE MONSARAZ: O CALOR COMO PROTAGONISTA…

Reguengos de Monsaraz, 11 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

O cartel comemorativo dos 30 anos de Alternativa de Luís Rouxinol, em parte, assemelhou-se ao que se viveu na “Celestino Graça” na tarde do seu doutoramento: João Moura e Rui Salvador (apenas faltou Joaquim Bastinhas) voltaram a partilhar as cortesias com o cavaleiro de Pegões. Mas os anos passaram. Embora somadas muitas conquistas pelo meio (dos três); hoje os nossos olhos vêem uma realidade diferente…

Em tarde de muito calor, João Moura e Rui Salvador viram-se melhor nos seus primeiros. Faltou raça ao de Passanha, mas montado no “Marino”, Moura praticou um toureio correcto. Serviu o de Murteira Grave, que investiu humilhado nos capotes, e montado no “Vice-Rei”, os primeiros curtos de Rui Salvador foram mais convincentes que os restantes. As segundas actuações não acrescentaram história à tarde…

Luís Rouxinol sentiu-se acarinhado pela afición alentejana. É um grande toureiro, mas prefiro ficar com o registo de outras tardes de triunfo. Frente ao da Galeana (um toiro que investiu com alegria, mas que teve querença evidente nas tábuas), com o “Douro” praticou um toureio de fácil conexão com o público. Destaco apenas o terceiro curto, cingido do embroque e no remate. Com o da Herdade da Pina, montado no “Amoroso” andou vulgar.

Rematados de carnes, saíram os seis exemplares lidados. Foram reservados os de Passanha e mais colaboradores os de Murteira Grave. O terceiro, teve virtudes, mas querença em tábuas, chamado pelo cavaleiro e autorizado pelo “inteligente”, o ganadero deu volta à arena!?

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Bissaia Barreto, Francisco Borges e Manuel Dentinho, todos à primeira tentativa, a confirmar o grande momento que o grupo atravessa. Pelos Amadores de Monsaraz concretizaram David Feijão à segunda, Carlos Polme à primeira e Nelson Campaniço também à primeira. 

SANTARÉM: VENTURA E JULI, ENTREGA SEM LIMITES!

Santarém, 10 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

Cartel histórico em Santarém: Ventura, Morante e Juli. Três figuras para esgotar a “Celestino Graça”. Um esforço da empresa, que merecia maior recompensa (cerca de ½ casa). Quem esteve presente, não ficou indiferente à entrega – sem limites – de Ventura e Juli.

Diego Ventura mostrou estar num momento cumbre da sua carreira. Pela quadra que tem. Pelos recursos. Pela maturidade. E pela ambição. Acho despropositadas as comparações, que a espaços surgem, entre os intérpretes portugueses e os espanhóis, são coisas distintas, cada uma tem o seu sitio… E Ventura, o dele! Com o primeiro de Guiomar Cortes Moura (atrás dos cavalos com galope cadenciado, típico do encaste, mas reservado no momento do ferro), Ventura esteve intuitivo, improvisou, sublime com o “Nazari” a ladear, com o toiro cingido ao cavalo… criou obra e entusiasmou as bancadas. Tudo feito com harmonia. Sentido de lide. Sentido de espectáculo. O seu segundo foi menos colaborador, mas Ventura superou todas as contrariedades. Entendeu o toiro, citou a favor da querença, e com o “Sueño” aproveitou todas as investidas que o Guiomar Cortes Moura levava dentro. Terminou com um par de bandarilhas, nos médios, sem cabeçada, com o “Dolar”. Actuação meritória.

Pelos Amadores de Santarém pegaram Francisco Graciosa à terceira tentativa e Luís Seabra à primeira, com nota superior.
El Juli é um toureiro cuajado pelo tempo e pela experiência. Toureiro de Toureiros. A faena ao primeiro (Nuñez del Cuvillo) foi construída com inteligência,  acreditando, ensinando o toiro a seguir o engano. Pelo melhor pitón - o direito – afloraram muletazos poderosos, de mão baixa… com o toureiro entregue e o público rendido. O segundo (Garcigrande) foi manso, passou o tempo a fugir, mas El Juli não desistiu de lhe fazer faena . Sacou os muletazos que o toiro tinha e os que não tinham também… Um toureiro “fora de serie”.

Morante de la Puebla passou pela “Celestino Graça” com mais pena que glória. Com dois toiros a contra-estilo, o de Puebla del Rio nunca se sentiu a gosto… e abreviou!

sábado, 10 de junho de 2017

LISBOA: ONDE ESTÁ A SERIEDADE DO TOIRO NA CAPITAL?

Lisboa, 8 de Junho 2017
Por: Catarina Bexiga

Impõe-se questionar: Onde está a seriedade do toiro na Monumental do Campo Pequeno? Não concebo (eu e outros aficionados) que saiam à arena da primeira praça de toiros do país seis exemplares como os que vimos ontem. Não basta terem quatro anos cumpridos. Não basta terem mais de 500 Kg de peso. O que vimos foram seis toiros de Irmãos Moura Caetano sem a “ponta” de seriedade (subentenda-se trapio), mais adequados a uma desmontável do que à primeira praça de toiros do país. E não é a primeira vez! Durante a tarde (na imprensa da especialidade), a empresa apresentou ao público os oito exemplares que estavam nos curros da capital. Talvez não tenha tido a noção, que a divulgação dos mesmos teve um retorno contrário ao pretendido, em vez de levar público, tirou público! E não ficamos por aqui. Sem trapio… E mansos, desinteressado, sem raça, com querença em tábuas, sem  vontade de investir… Mansos de livro. Os seis!

A história da última nocturna no Campo Pequeno conta-se em poucas linhas. Rui Fernandes teve a actuação mais convincente com o primeiro da noite. Montado no “El Dorado”, mostrou disposição para contrariar a mansidão do exemplar de Irmãos Moura Caetano, sobressaindo um segundo curto de boa nota. Com o quinto, nada acrescentou. De João Moura Caetano, recordo apenas dois ferros: no primeiro toiro, com o “Temperamento”, um quiebro cingido; e no segundo, com o “Xispa”, um outro curto de boa nota. A passagem de Leonardo Hernández pela capital careceu de conteúdo e interesse. Longe de entusiasmar quem sabe o que é o toureio a cavalo.

O grupo de Turlock voltou a enriquecer o seu historial com a noite de ontem. Pegaram Jorge Martins à primeira tentativa, Seteven Cambaio também à primeira e David Sanchez à segunda. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Pedro Viegas à quarta, Diogo Timóteo à segunda e o cabo Nuno Santana à primeira.

Estranhamente (ou talvez não!) ninguém protestou com a apresentação dos toiros. Sinais dos tempos moderno…  tempos perigosos!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

MOITA: APENAS VENTURA!

Moita, 27 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

A presença de duas Figuras, atraiu muitos aficionados à Moita. O mano-a-mano entre o rejoneador Diego Ventura e o matador de toiros Roca Rey constitui uma aposta arrojada do empresário Rafael Vilhais para a abertura da temporada na “Daniel do Nascimento”. Mas o desfecho … soube a pouco!

Diego Ventura conquistou o protagonismo da noite. A sua visível disposição, aliada aos argumentos que reúne no seu conceito, fizeram com que as suas actuações tivessem som e resultassem vibrantes. Revelou as intenções com o primeiro da noite, logo de saída com o “Lambrusco” e de curtos com o “Nazari”, com um toureio ligado e harmonioso. O segundo de Maria Guiomar Cortes Moura foi mais parado e condicionou o luzimento do conhecido “Sueño”. Com o terceiro, Diego voltou a impactar com o “Lambrusco”, e montado no “Fino” a actuação manteve o interesse do público. Arriscou. Causou burburinho. No segundo e terceiro curto, o toiro investiu a choto, mas Ventura esperou, aguentou muito, e cravou com impacto; no quarto e quinto, atacou ele e o entusiasmo do público voltou a sentir-se.  

O Aposento do Moita teve uma noite positiva. Pegou o cabo José Maria Bettencourt à primeira tentativa, seguindo-se Nuno Inácio também à primeira e Leonardo Matias à segunda.

A presença do matador de toiros Roca Rey ficou aquém das expectativas. Os toiros de Juan Pedro Domecq revelaram nobreza, mas faltou-lhe o fundamental. De hechuras… basto e sem pescoço o primeiro; mais proporcionado o segundo e feio o terceiro. Não entendo a escolha! Visivelmente cansado (actuara à tarde em Cáceres e chegara meia hora atrasado às cortesias), Roca Rey viu-se a espaços, sem entusiasmar, sem deslumbrar. Soube a pouco!

domingo, 28 de maio de 2017

CORUCHE: VALE SORRAIA EM NOME DA EMOÇÃO…

Coruche, 27 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

A tarde demorou a “romper”… O Concurso de Ganadarias que a abriu a temporada em Coruche (e o debute da empresa De Caras e Tauromaquia) ficou condicionado pelo comportamento da maioria dos exemplares enviados pelos ganaderos que disputaram o prémio. O de São Torcato teve pouca entrega, o de Canas Vigouroux com querança nas tábuas, doeu-se ao castigo; o de Pinto Barreiros, distraído e desinteressado; o de Cunhar Patrício manso, com querença nas tábuas; o de Vale Sorraia teve mobilidade e temperamento; e o de Branco Núncio, reservado.

Da terna de cavaleiro ficou beneficiado Luís Rouxinol, com o toiro de Vale Sorraia, o único que investiu, com temperamento, sem humilhar, mas que transmitiu a emoção que faltou aos restantes. Depois de uma gaiola improvisada, que facilmente chegou às bancadas, montado no “Douro” o de Pegões deu continuidade a uma actuação vibrante, que manteve o público sempre do seu lado. Com o segundo da tarde (Canas Vigouroux) deixou os ferros sem deslumbrar.

Com o toiro de São Torcato, António Ribeiro Telles assinou os ferros da tarde. Montado no “Favorito”, acoplou-se melhor às investidas na parte final da actuação, cravando três grandes curtos. Com o exemplar de Cunhal Patrício, pareceu-me equivocado nos terrenos. O toiro precisava de ser ajudado (e citado) a favor da querença, o que apenas aconteceu no terceiro curto. O melhor da serie.
A presença de João Salgueiro da Costa tem pouco para contar. Frente ao de Pinto Barreiros cumpriu, montado no “Gallo”; porém com o toiro de Branco Núncio andou disperso na arena.

Disputaram o prémio os Amadores de Coruche e os Amadores de Alcochete. Pelo grupo da terra pegaram Paulo Oliveira à primeira, Rui Godinho (Peitaça) à terceira com uma primeira-ajuda fundamental, e Pedro Viegas à primeira. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Diogo Timóteo, com uma grande pega à primeira, António José Cardoso à segunda, e Gonçalo Catalão à primeira, outra grande pega, com uma importante ajuda do grupo.

No fim os premiados foram: Melhor Toiro – Vale Sorraia . Apresentação – Canas Vigouroux. Melhor Lide – Luís Rouxinol. Melhor Grupo: Amadores de Alcochete.

sábado, 20 de maio de 2017

LISBOA: ESTANDO, SEM ESTAR...

Lisboa, 18 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Estando, sem estar… A definição que encontro para a presença do matador de toiros António Ferrera, que substituiu o anunciado Pablo Hermoso de Mendoza, vítima de acidente, uns dias antes, na sua finca em Navarra, e que o impossibilitou de abrir a Campanha Europeia na praça de toiros do Campo Pequeno. António Ferrera apontou com o “saludo capotero” com que recebeu os seus dois toiros. Mas só! Quem conhece Ferrera, conhece a sua disposição, os recursos que tem com os toiros mais exigentes, e sabe do “gancho” que o estremenho tem junto do grande público. Mas nem isso! Com as bandarilhas, longe do que é… Depois o seu primeiro toiro de Manuel Veiga investiu com raça e som, e sobretudo pelo pitón esquerdo investia largo e repetia com “prontitud”. Ferrera demorou tempo a entendê-lo… O seu segundo investiu com mais temperamento, com o decorrer da faena melhorou pela esquerda, e Ferrera andou mais centrado, mas sem deslumbrar, sem estar ao seu verdadeiro nível. Há noites assim!

Os toiros de António Charrua (com peso, mas sem trapio para a 1.ª praça de toiros da capital) são aquilo que os cavaleiros gostam, mas que eu, como aficionada, não gosto! Porque a Festa vive de emoção… é a sua essência! Moveram-se, colaboraram, mas sem “gota” de raça, autenticas tourinhas atrás dos cavalos. As duas actuações de João Moura Jr. foram muito a “su” estilo. Aproveitando as investidas dos Charruas, com ladeios e recortes por dentro para gáudio de quem gosta do conceito. Depois institucionalizou os cites de largo e cobrou os ferros. Algo repetitivo. Miguel Moura teve uma primeira actuação desprovida de interesse; e uma segunda com mais conteúdo, mas sem surpreender.  
Pelos Amadores de Lisboa, pegaram Pedro Maria Gomes à primeira e João Varanda à segundo, a receber o toiro sozinho no centro da arena. Pelos Amadores de Évora concretizaram António Alfacinha e João Pedro Oliveira, ambos à primeira.  

Uma noite que nada acrescentou à história dos 125 da praça de toiros do Campo Pequeno…