sábado, 19 de agosto de 2017

LISBOA: UM GRANDE TOIRO, PALHA E UM GRANDE TOUREIRO, ANTÓNIO RIBEIRO TELLES

Lisboa, 18 de Agosto 2017
Por: Catarina Bexiga

António Ribeiro Telles escreveu mais uma página no livro dos 125 anos da Monumental do Campo Pequeno. Uma noite especial, com lotação esgotada, com um público receptivo a tudo, disposto a aplaudir (o bom e o menos bom), mas que no “baú” guardou a grande noite do cavaleiro da Torrinha.

António confirmou, ontem, o momento que atravessa, pleno de maturidade, com uma intuição impar, com um vasto conhecimento dos terrenos e das distâncias que os toiros requerem, e uma enorme torería na forma como se exprime. Na primeira parte, a actuação veio em crescendo, montado no “Veneno”, alegrando o cite em terra-a-terra, e partido com decisão para cobrar o ferro. O quinto da noite – da ganadaria Palha – foi um grande toiro e com ele esteve um grande toureiro. A forma como aguentou as encastadas investida do toiro e como preparou as sortes, sobrando argumentos, foi um deleite para quem sabe o que é tourear a cavalo. Montado no “Alcochete”, cravou cinco curtos dos grandes! O público obrigou António a dar duas voltas à arena e o Director de Corrida esqueceu-se de mostrar o lenço azul. O de Palha merecia!

O resto da noite (transmitida pela TVI), resume-se a um João Moura discreto e um Luís Rouxinol animoso. Os toiros pertenciam a seis ganadarias: Vinhas, Ribeiro Telles, Oliveira Irmãos, Murteira Grave, Palha e Passanha.

Ambos os grupos estiveram à altura do compromisso. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Bissaia Barreto à segunda (grande pega), Duarte Mira à terceira e Francisco Borges à primeira. Pelos Amadores de Lisboa concretizaram Martim Lopes à primeira, Duarte Mira à terceira e João Varanda à primeira.

Foto: Facebook Campo Pequeno

ARRUDA DOS VINHOS: GANADARIA DA TERRA ARREBATA OS DOIS PRÉMIOS EM DISPUTA

Arruda dos Vinhos, 17 de Agosto 2017
Por: Catarina Bexiga

Passados oito anos, Arruda dos Vinhos voltou a receber uma Corrida de Gala à Antiga Portuguesa, motivo que atraio muito público à quase centenária “José Marques Simões”. A par do interesse da noite, o XX Concurso de Ganadarias, com mais mansidão do que bravura. Quis o destino (e o júri) que os dois prémios em disputa recaíssem no exemplar do Eng.º Jorge de Carvalho.
Do cartel, sobressaiu o mais novo de Alternativa, com o toiro vencedor, o único que teve a virtude de colaborar com o “seu” cavaleiros. Luís Rouxinol Jr. foi autor da actuação mais completa da noite; dando importância aos compridos , e depois, montado no “Amoroso”, mostrando-se comunicativo no estilo e variado no conceito.

Com o novilho de Nuno Casquinha, que não entrou em concurso por substituir o de Varela Vrujo, e que esperava muito, Ana Batista assinou uma actuação que veio a mais nos curtos, com um grande terceiro curto, montada no “Conquistador”; Manuel Telles Bastos – com o toiro do Eng. Luís Rocha, com mobilidade e transmissão, mas que na recta final encostou-se a tábuas – teve passagens meritórias; Duarte Pinto andou eficaz, com o manso de Lampreia; Francisco Palha  - com o toiro de Santiago, reticente à garupa, mas pronto  com o cavalo pela frente –  cravou dois grandes curtos com o “Roncalito”; e Miguel Moura andou desembaraçado com um manso de Manuel Veiga.

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira pegaram Guilherme Dotti à primeira, Gonaçalo Filipe à segunda e Pedro Silva também à segunda. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram João Costa à primeira, Tiago Silva à segunda e Pedro Sabino à primeira, na pega da noite.

No fim os prémios em disputa recaíram em Luís Rouxinol Jr. (melhor actuação); Amadores de Vila Franca de Xira (melhor grupo), Pedro Sabino, dos Amadores de Arruda dos Vinhos (melhor pega), enquanto os troféus do Concurso de Ganadarias, Apresentação e Melhor Toiro premiaram o exemplar do Eng. Jorge de Carvalho. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CALDAS DA RAINHA: O QUE É TOUREAR A CAVALO?

Caldas da Rainha, 15 de Agosto 2017
Por: Catarina Bexiga

A resposta é simples! Tourear a Cavalo (com todas as letras) foi o que vi, António Ribeiro Telles, fazer na tradicional data de 15 de Agosto nas Caldas da Rainha. Da primeira parte do Concurso de Ganadarias recordo pouco, apenas um grande sesgo de António com o “Favorito”; um curto de Filipe Gonçalves com o “Chanel”; e as capacidades de Francisco Palha frente a um toiro com graves problemas de visão.

Para a segunda parte estava reservado o melhor da tarde. Com o toiro de David Ribeiro Telles, que ganhou o concurso, António esculpiu uma obra das que enaltecem e imortalizam o Toureio a Cavalo à Portuguesa .  De saída andou discreto, mas montado no “Alcochete” a preparação das sortes foram perfeitas, com uma torería, com um conhecimento, com um sabor… de arrepiar! Depois entrou ao toiro com decisão e cravou com impacto. Foram quatro: Extraordinários! Daqueles que jamais esquecerei…

Filipe Gonçalves teve várias passagens meritórias com o segundo do seu lote. Do conjunto sobressaíram dois curto com o “Universo”, o terceiro aguentando a investida do toiro, e o quarto atacando o adversário. Depois os quiebros foram vibrantes e as reuniões vistosas, com o toiro a derrotar na casaca. Quanto a Francisco Palha, cravou os ferros com o “Roncalito”, mas sem explodir…

Dos toiros a concurso, o de Prudêncio (venceu o prémio apresentação) teve pouca vontade de colaborar; o de Veiga Teixeira esperou e raspou; o de Diego Ventura saiu com problemas de visão; o de Ribeiro Telles (venceu o prémio bravura) cumpriu; o 5.º da mesma ganadaria não entrou em concurso, porque substituiu o de José Luis de Souza de Andrade; e o de Fernandes de Castro não terminou de se definir.

Pelos Amadores de Santarém, António Taurino concretizou uma grande pega à primeira tentativa, Fernando Montoya fechou-se à primeira e Lourenço Ribeiro foi autor de outra grande pega também à primeira. Pelos Amadores das Caldas da Rainha pegaram Francisco Mascarenhas, superior, suportando um forte derrote, à primeira, Lourenço Palha à terceira e Mário Cardeira (a dobrar Francisco Rebelo de Andrade) à quarta.

Ambiente próprio da simpática praça de toiros das Caldas da Rainha, com casa cheia, e um grande triunfo de António Ribeiro Telles. 

domingo, 6 de agosto de 2017

SÓNIA MATIAS NA NAZARÉ: QUERER É PODER!

Nazaré, 5 de Agosto 2017
Por: Catarina Bexiga

Se querer é poder, querer é vencer. Esta é a melhor frase que encontro para definir a “encerrona” de Sónia Matias que, no passado Sábado, teve lugar na Nazaré. Com 17 anos de Alternativa, Sónia desafiou-se a si própria, assumindo um compromisso exigente, que superou com distinção.

A disposição da cavaleira foi o segredo de uma noite que ficará na sua memória. Sónia mostrou-se sempre “fresca”, como se tourear seis toiros fosse a mesma coisa de tourear dois. Com uma alegria contagiante, fiel ao seu estilo e ao seu publico, o que sempre a caracterizou; mas também disposta a surpreender (e nem foi preciso ter uma quadra ampla), quando foi à “porta gaiola” receber o quarto da ordem ou quando abdicou da ajuda dos bandarilheiros para receber o quinto… O seu toureio foi sincero, na forma como resolveu com naturalidade (e muita garra) todas as questões, todos os problemas. Os melhores momentos conseguiu-os a abrir e a encerrar a noite, montada no “Sultão”, um castanho que tem estado ao seu lado nas últimas temporadas e que, ontem, voltou a partilhar consigo o triunfo. Sónia convidou Soraia Costa (cavaleira sobresaliente) para cravar dois curtos no quinto, e a duo ambas resolveram com eficiência a tarefa.

Os toiros da Herdade de Camarate ajudaram ao resultado final. Destacaram-se os lidados em primeiro e sexto lugar (este com chamada do maioral), com mobilidade e com transmissão; saiu mais reservado o segundo, complicado o quatro, e os restantes deixaram-se.

Da história da noite fizeram parte três grupos de forcados. Pelos Amadores do Ribatejo pegaram Pedro Espinheira à segunda e Duarte Pinheiro à primeira. Pelos Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo concretizou sozinho Luís Garrido à primeira (só depois de fechado na cara, o grupo saltou para a arena) e Rodrigo Carrilho à primeira. Pelos Amadores de Tomar pegaram Francisco Coelho à segunda e Luís Campino à primeira.

Ontem Sónia Matias deixou uma mensagem importante: QUERER É PODER!

sábado, 5 de agosto de 2017

LISBOA: MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO…

Lisboa, 3 de agosto 2017
Por: Catarina Bexiga

Foi a pensar nos Emigrantes que a empresa organizou a nocturna da passada Quinta-feira em Lisboa. Como diz a canção: Meu querido mês de Agosto, contigo levo o ano inteiro a sonhar… E nada melhor que uma bela “tourada” para matar as saudades…

A corrida de David Ribeiro Telles saiu díspar de apresentação, com três toiros com trapio e outros tantos menos exigentes… De comportamento, o 3.º foi colaborador (achei excessiva a volta do maioral) e o 5.º foi um bom toiro, arrancando-se, várias vezes, para o cavalo. Curiosamente, não mereceu o “lenço azul”. Aos outros quatro faltou entrega.

A aquilatar pela forma como festejaram cada ferro  – Rui Fernandes, Filipe Gonçalves e Francisco Palha – julgaram-se autores de grandes actuações. Não partilho da mesma opinião. Se é verdade que houve toiros que “não ajudaram”, também é verdade que não tiveram quem os ajudasse. O conceito cambiado “reinou”, com o que daí resulta… Afinal, era a Corrida do Emigrantes… e o que é preciso é alegria, já chega os restantes meses do ano fora de Portugal…

Tratava-se de um Concurso de Pegas, também ao gosto do Emigrante, mas isto dos Prémio (seja de cavaleiros, pegas ou toiros) há muito que perdeu crédito. Pelos Amadores do Montijo pegaram Hélio Lopes, à primeira tentativa (grande pega) e José Pedro, à segunda. Pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete concretizaram Marcelo Loia à primeira e Diogo Amaro à segunda, mas valentíssimo, a aguentar vários derrotes. Extraordinária intervenção. O público aclamou merecidamente o seu labor. Pelos Amadores de S. Manços pegaram João Fortunado e Jorge Valadas ambos à primeira. No fim, o Júri – constituído por um elemento do Real Clube Tauromáquico Português, António Alfacinha (ex-cabo dos Amadores de Évora) e Amorim Ribeiro (ex-cabo dos Amadores de Coruche) – escolheram a pega de Hélio Lopes (ouviram-se protestos), mas ao micro foi anunciado que Diogo Amaro iria abrir a porta grande. Inédito!!!

Foto: João Silva / Sol e Sombra


terça-feira, 1 de agosto de 2017

À CONVERSA COM... SÓNIA MATIAS, A PROPÓSITO DA SUA "ENCERRONA" NA NAZARÉ

Sónia Matias vai actuar em solitário, no próximo Sábado, na simpática praça de toiros do Sítio da Nazaré. Após 17 anos de Alternativa, este é um desafio exigente, que tem merecido por parte da cavaleira total dedicação e compromisso para com a afición… A menos de uma semana do acontecimento, Falar de Toiros esteve à conversa com Sónia Matias:

Falar de Toiros – Com uma trajectória nas arenas que conta com 17 anos de Alternativa, a Sónia Matias decidiu este ano encerrar-se com 6 toiros. É um sonho que tinha por concretizar?
Sónia Matias – Sim, mesmo depois de 17 anos de Alternativa, continuo a ter objectivos para alcançar. Estou muito feliz por conseguir este ano concretizar este sonho, encerrar-me com 6 toiros.

FT – Quando anunciou a sua “encerrona”, que retorno sentiu por parte dos aficionados?
SM – As pessoas começaram logo a falar, e acima de tudo, senti o respeito e a admiração dos aficionados, particularmente, daqueles que me seguem e que ao longo dos anos me acompanham corrida após corrida.

FT – Como cenário escolheu a praça de toiros da Nazaré. Por algum motivo especial?
SM –  É uma praça especial para mim. Sempre que actuo na Nazaré, sinto um carinho desmedido de todo o público nazareno, sinto-me verdadeiramente em casa…  Aquela praça tem um ambiente único e de grande apoio aos toureiros. Adoro tourear na Nazaré. É o palco perfeito para sonhar e realizar o meu sonho.

FT  – Actuar em solitário é um desafio exigente. Como é que tem feito a sua preparação?
SM – Sim, é um desafio extremamente exigente. Tenho treinado muito, os dias têm sido intensos, de volta dos cavalos, sempre a corrigir ou a melhorar pormenores. Ou seja, 24 horas sobre 24 horas, com muito afinco e muita ilusão a pensar no próximo Sábado…

FT  – Para a ocasião necessita de uma quadra ampla…
SM – De momento, a minha quadra é um misto de veteranos com novidades. De saída, tenho o “Monforte” (ferro João Moura), “Artista” (Ribeiro da Costa), “Orelhas” (Soagro) e “Ernesto” (Francisco Parreira). De bandarilhas, vou levar o “Alma Viva” (sem ferro), “Sultão” (sem ferro) – um cavalo importantíssimo nas minhas últimas temporadas, que muito me tem dado – tenho também o “Mágico” (Maria Guiomar Cortes Moura), “Amoroso” (sem ferro), “Bolero” (Silva Jerego), “Monforte” (Luís Rouxinol), “Obélix III” (sem ferro) e também o “Atrevido”, um cavalo muito conhecido entre o público. É uma quadra variada em que confio e acredito.

FT - Estão anunciados 6 toiros da Herdade de Camarate. Foi vê-los ao campo? Sabe como está a corrida?
SM – Sim, fui ao campo ver os toiros, e penso que está uma corrida muito equilibrada, que me transmite boas sensações. Espero que invistam e que me ajudem…

FT  – Durante 17 anos foram muitas as pessoas que estiveram ao seu lado.  6 toiros supõe 6 brindes de reconhecimento?
SM – Os seis brindes serão todos especiais, mas seria necessário muitos mais toiros para poder retribuir com brindes a gratidão que tenho por tantas pessoas que me acompanham e apoiam ao longo de tantos anos.

Entrevista conduzida por Catarina Bexiga