sexta-feira, 22 de junho de 2018

CAMPO PEQUENO: PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER…

Por: Catarina Bexiga

Gostar de Toureio a Cavalo tem muito que se lhe diga…O que me move a sair de casa (e acredito que à maioria dos Aficionados) é, exactamente, a paixão que tenho pelo Toureio, e por tudo o que o envolve. Mas como não faço parte de nenhum “Clube de Fãs”… tenho dificuldade em entender muita coisa… Tanta felicidade!? Tanta alegria!? Tanta festa!? O público que se junta em Lisboa é o público menos exigente e mais facilitista que conheço…  adora música, palmas, cerveja… basta o ferro ficar no toiro, e há logo motivo para “fogo de artifício”. Bendito público, dirão os toureiros!

A corrida de Veiga Teixeira teve as exigências naturais de uma ganadaria encastada. Excepto o segundo, que tocou em sorte a Marco José, um manso com querença em tábuas, o primeiro foi um grande toiro, e os restantes tiveram várias virtudes para explorar. Foi uma corrida séria, que merecia outra resposta por parte dos cavaleiros… Não era cartel de figuras, mas era cartel de oportunidade!

Não me vou alargar nas considerações. Gonçalo Fernandes andou correcto até meio da actuação; Marco José sentiu dificuldades de saída e andou discreto de bandarilhas; Gilberto Filipe cravou os ferros de forma vulgar; Marcelo Mendes (com a quadra dos Rouxinois) imprimiu mais transmissão ao seu toureio e deixou os dois melhores curtos da noite; Parreirita Cigano teve uma actuação para esquecer; e Verónica Cabaço cravou os ferros de forma asseada.  

Pelos Amadores de Coimbra pegaram Ricardo Matos à segunda e Pedro Silva à terceira. Pelos Amadores de Monsaraz concretizou Carlos Polme e André Mendes, ambos, à terceira. Sobressaiu o grupo do Cartaxo, com duas pegas ao primeiro intento, por intermédio de Bernardo Campino e Fábio Beijinho com uma excelente primeira ajuda.

À noite de ontem faltou ritmo (mais de três horas de espectáculo), faltou interesse, e muitos triunfos de “trazer por casa” (acredito que cada um tenha tido as suas conquistas pessoais, mas só isso!). Numa altura em que a Festa de Toiros é alvo de ataques constantes, o que se passa na arena, tem que ter outra dimensão. Pior cego é aquele que não quer ver…

Foto: João Silva

quarta-feira, 30 de maio de 2018

PENSAMENTO DO DIA: TER OPINIÃO INCOMODA…


Por: Catarina Bexiga

Intitulei, recentemente, o meu apontamento de Coruche de “RIVALIDADE…O “MOTOR” DA FESTA DE TOIROS”. Porque no estado em que se encontra o ambiente (preocupante) em Portugal, precisamos de algo que nos motive, que nos estimule, que nos entusiasme. Volto a repetir, como outrora: “Paixões, que dividiram os Aficionados, encheram as bancadas e agitaram os debates fora das arenas...”

Tomo como exemplo recente, a tarde do passado dia 25 de Maio em Madrid, em que Alejandro Talavante (duas orelhas e ovação) e López Simón (orelha e orelha) saíram em ombros da Monumental de Las Ventas. Li várias opiniões, quem gostasse mais de um e quem gostasse mais de outro; o que achei perfeitamente normal, porque a rivalidade saudável no toureio “empurra” a Festa de Toiros para a frente…

Entrando na nossa pobre realidade, mais concretamente, no tema “agitar os debates fora das arenas”… Todos temos direito a ter a nossa opinião, desde que a expressemos de forma CIVILIZADA / RESPEITOSA (o que, infelizmente, falta a muita gente que anda na Festa de Toiros). Não retiro uma vírgula ao que escrevi sobre Coruche, é a minha opinião (não ofendi ninguém), mas constatei, através dos comentários, que o “clã” de Francisco Palha – acredito que alheio à questão, porque presumo que seja pessoa bem formada e com educação – ficou ofendidíssima que eu afirmasse que, pessoalmente, sublinho, pessoalmente, gostei mais dos argumentos apresentados nas actuações de Luís Rouxinol Jr.

Tal como mencionei no referido apontamento, a Festa de Toiros precisa deles (de Francisco Palha e de Luís Rouxinol Jr., entre outros…), mas jamais precisou de “enredos”, de “raivas”, de “ódios”. Lamento se (tanto) Vos incomodei com a minha opinião; mas para defenderem a Vossa, façam-no com mais dignidade, com mais decoro. Porque o cavaleiro de quem são amigos é católico – como eu – talvez ele Vos possa transmitir uma mensagem elementar: “Respeitar as opiniões dos outros, em qualquer aspecto e situação da vida, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter.”    

Foto: João Silva

segunda-feira, 28 de maio de 2018

CORUCHE: RIVALIDADE...O "MOTOR" DA FESTA DE TOIROS

Por: Catarina Bexiga

Por todo o mundo, as grandes rivalidades foram o “motor” da Festa de Toiros. Paixões, que dividiram os Aficionados, encheram as bancadas e agitaram os debates fora das arenas... Assim, também a Festa de Toiros cresceu de entusiasmo. Em Espanha, os exemplos são vários – uns mais duradouros outros mais fugazes – como aquela famosa rivalidade entre Joselito e Belmonte, que tanto ofereceu ao Toureio. Por cá, os exemplos são escassos, mas podemos mencionar o que se passou com João Branco Núncio e Simão da Veiga; posteriormente entre José Mestre Batista e Luís Miguel da Veiga; ou António Ribeiro Telles e João Salgueiro. No toureio a pé, nunca podemos esquecer Manuel dos Santos e Diamantino Viseu. Parelhas que, pelo entusiasmo que despertaram e pelos partidários que granjearam, contribuíram para que a Festa de Toiros caminhasse pelo seu próprio pé…

Ontem, em Coruche, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr. tourearam o seu primeiro mano-a-mano. E com uma mais-valia (como tem que ser!), com uma corrida séria de Palha, uma corrida que teve as exigências naturais de uma ganadaria dura, mas que não foi nenhum “bicho papão”. Toureáveis a maioria; apenas com mais problemas o quarto da função.

Pessoalmente, gostei mais dos argumentos apresentados por Luís Rouxinol Jr. Sempre com disposição e com determinação; e mostrando-se intencional na construção das suas actuações. Sobressaiu no segundo montado no Douro; e no sexto com o Amoroso. Duas actuações distintas, mas convincentes. Como quarto (o pior do curro), resolveu com desembaraço.

As actuações de Francisco Palha, a quem também não faltou querer, basearam-se em pequenas “explosões”. Com o seu primeiro, montado no Favorito (da quadra de António Ribeiro Telles) teve a prestação mais equilibrada; com o terceiro começou com uma meritória gaiola e terminou com um arriscado curto com o Roncalito; e com o quinto terminou com outro arriscado curto com o mesmo cavalo.

Que assim continuem, porque a Festa de Toiros precisa deles!

Pelos Amadores de Lisboa pegaram João Galamba à quarta tentativa, Bernardo Mira à segunda, e João Varanda à primeira. Pelos Amadores de Coruche concretizaram José Tomás à primeira, seguindo-se duas rijas intervenções por parte de  Fábio Casinhas à primeira e João Ferreira Prates à segunda. O Troféu “Carlos Galamba”, para o melhor ajuda, recaiu no forcado João Laranjinha dos Amadores de Coruche.

Foto: João Silva

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A QUADRA DE VITOR RIBEIRO PARA O SEU REGRESSO ÀS ARENAS...

Após dois anos afastado do toureio, o cavaleiro Vítor Ribeiro regressa às arenas, este Sábado, 19 Maio, no tradicional Concurso de Ganadarias de Évora. Com a moral renovada e varias novas apostas, Ribeiro apresenta-nos hoje a sua quadra para a temporada 2018.







CAMPO PEQUENO: UMA TEMPORADA TORISTA OU PARA TURISTA?

Por: Catarina Bexiga

Pretender “vender” a temporada do Campo Pequeno como temporada Torista parece-me excessivo, e a prova está na nocturna de ontem na capital.  Um curro de David Ribeiro Telles (da linha Murube!?), díspar de apresentação e sem o trapio que exige uma praça de toiros de primeira categoria. Uma coisa é uma temporada Torista e outra é uma temporada para Turista, que não sabem distinguir um coelho de uma lebre, por isso “comem” tudo…

O Campo Pequeno é uma praça de toiros com um público sui generis. Entre outras actitudes, por exemplo ontem, após a última actuação de Pablo Hermoso de Mendoza, várias pessoas abandonaram os seus lugares, manifesta falta de respeito para com os demais intervenientes. Apenas foram ver o Pablo porque lhes disseram que é o “melhor”, como poderão ir ver Marilyn Manson a 27 de Junho, Forever King of Pop a 22 de Setembro ou Status Quo a 29 do mesmo mês…

Os toiros de David Ribeiro Telles careceram de transmissão. Na minha opinião, o melhor tocou, em primeiro lugar, a António Ribeiro Telles, um toiro que se arrancou de vários terrenos. O segundo e quarto foram reservadotes, o quinto não se mexeu, e os restantes deixaram-se… Faltou o essencial, a raça, o “picante”, a emoção!

António Ribeiro Telles esteve longe do nível a que se viu, recentemente, em Vila Franca de Xira e em Salvaterra de Magos. Intermitente no primeiro do seu lote e vulgar no segundo.

Pablo Hermoso de Mendoza viu-se a gosto no segundo da noite, fiel ao seu conceito, com classe, elegância e ligação; e andou esforçado com o quinto, o pior do curro.

A primeira actuação de João Moura Caetano não levantou voo (embora muito festejada pelo cavaleiro); e na última colocou um pouco mais de "chama" ao seu toureio.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram Martim Lopes à primeira tentativa, Duarte Mira também à primeira e João Varanda à segunda. Pelo grupo de Coruche concretizaram Miguel Ribeiro Lopes à primeira, João Prates também à primeira e António Tomás, que dobrou Miguel Raposo, após várias tentativas frustradas.

Outras notas:
- Ficou por fazer um minuto de silêncio em memória do Dr. Ramón Villa, médico cirurgião que faleceu, esta Quinta-feira, e que salvou a vida a vários toureiros;
- Após o terceiro toiro, saltou à arena um anti-taurino;
- O Delegado Técnico Tauromáquico Tiago Tavares dirigiu de acordo com a exigência que deve ter a praça de toiros de Lisboa. Não mostrou o lenço branco à primeira actuação de António Ribeiro Telles, nem à primeira de João Moura Caetano; e impediu que Pablo Hermoso de Mendoza desse duas voltas no seu primeiro toiro. O novo Regulamento não pode cair em “vícios”… O meu aplauso!

Foto: Facebook Campo Pequeno

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SALVATERRA DE MAGOS: ANTÓNIO, MAIS TOUREIRO DO QUE NUNCA!

Por: Catarina Bexiga

Grande tarde de António Ribeiro Telles. Plena de madurez, de capacidades, de Maestria! Uma tarde que vale pelo seu conjunto. Pela sabedoria. Pela Torería. Pelo sabor. Com o toiro de Conde de la Maza, distraído e sem entrega, a actuação do cavaleiro da Torrinha esteve repleta de intencionalidade. Montado no “Favorito”, apontou um grande segundo ferro comprido, seguindo-se três curtos com a mesma nota. Tudo o que fez chama-se Toureio! O de Veiga Teixeira, extraordinariamente apresentado, foi um toiro sério, que teve mobilidade e que investiu com raça. António andou poderoso, aguentando as arrancadas, com o toiro a querer emparelhar-lhe com o cavalo, mas sempre senhor da situação. Montado no “Alcochete” o quarto curto foi o melhor de todos. A actuação teve vibração, houve risco (no último ferro entrou demasiado ao toiro e sofreu um toque), houve verdade, houve emoção! Grande tarde de António Ribeiro Telles. Grande tarde (com casa cheia) de Toureio a Cavalo à Portuguesa.

Francisco Palha esteve decidido e valente com um manso de lei com o ferro de Canas Vigoroux. Uma actuação que lhe dá crédito. Depois com o sobrero de Veiga Teixeira andou discreto.

Ao rejoneador Andrés Romero tocou o toiro de Miura (improprio para um Concurso de Ganadarias e sem raça) e um segundo sobrero de António Silva, com os quais assinou duas actuações desprovidas de interesse.

Pelos Amadores de Santarém pegaram António Goes à primeira tentativa, Fernando Montoya à segunda e Ruben Gioveti à primeira, uma das melhores pegas da tarde. Pelos Amadores de Coruche (num grande momento) concretizaram Pedro Coelho à segunda, João Prates à primeira e António Tomás à primeira com uma preciosa ajuda de José Cavaco.

No fim, o toiro de Veiga Teixeira venceu, merecidamente, os dois prémios em disputa: “Apresentação” com o nome de João Ramalho e “Bravura” com o nome de José Costa.

Foto: Pedro Batalha