quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Vila Franca de Xira: Desilusão Ganadera!

Vila Franca de Xira, 4 de Outubro 2016
Por: Catarina Bexiga

Desilusão ganadera! É a expressão que melhor classifica a noite de ontem na Palha Blanco. O mano-a-mano entre as ganadarias Palha e Canas Vigouroux esteve longe de entusiasmar. De apresentação, o sexto esteve à altura do desafio. De comportamento, os cinqueños de Palha saíram complicados; e os de Canas Vigouroux com falta de raça. Desilusão, repito!

As más intenções do primeiro Palha da noite, colocou em apuros António Ribeiro Telles por várias ocasiões. Uma actuação para esquecer. Com o quarto, António reencontrou-se por momentos. O de Canas Vigouroux não se empregou, mas o quinto curto com o “Alcochete”, em que provocou, de verdade, foi um grande ferro.

Duarte Pinto também sentiu na pele o fiasco ganadero. Com de Palha, troton, andou eficaz com o “Cesário”. E com o de Canas Vigouroux, reservado no momento do ferro, deu importância aos compridos com o “Espectáculo” (aliás, de saída foi o único que teve essa preocupação) e andou intencional com o “Visconde”. Porém, o esforço não teve recompensa.

Francisco Palha foi bafejado pela sorte em termos ganaderos. Tocou-lhe os dois toiros com menos problema, de ambas as ganadarias. Viu-se com altos e baixos com o de Palha montado no “Roncalito”; e mais consistente com o de Canas Vigouroux  montado na “Duquesa”.


Noite exigente para os Amadores de Vila Franca de Xira. Foram caras, o cabo Ricardo Castelo numa grande pega à primeira tentativa, seguindo-se Emanuel Matos à segunda em noite de despedida (no toiro anterior dera uma grande primeira ajuda), Francisco Faria também à segunda, Vasco Pereira à quarta, Rui Godinho numa outra grande pega à primeira, e a encerrar Marco Ventura dobrou David Moreira. Noite dura, mas superada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Vila Franca de Xira: António João Ferreira, um grito de valor!

Vila Franca de Xira, 2 de Outubro 2016
Por: Catarina Bexiga

Poderio. Firmeza. Personalidade. Esta foi a mensagem deixada pelo matador de toiros António João Ferreira hoje na Palha Blanco. Quando se toureia assim, quando se cuajam dois toiros de Falé Filipe diferentes, mas que exigiram muito; no seu interior, um toureiro deve-se sentir orgulhoso. A forma como se colocou, como se cruzou, como adiantou a muleta, e como consentiu as investidas, sem nunca duvidar… é de um TOUREIRO GRANDE. A foto (de Pedro Batalha) é um hino ao que se viu hoje. Contemplem-na!

A tarde para António João Ferreira teve outro sabor. Foi de homenagem ao Maestro José Júlio. Quem lhe ensinou os primeiros ensinamentos, quem lhe transmitiu os valores do toureio, quem sempre acreditou em si! A sua primeira faena foi brindada ao Maestro. E ao intervalo, aquela volta à arena que quis partilhar com o aluno foi muito mais que uma simples volta à arena. Um gesto de cumplicidade!

A mensagem que António João Ferreira deixou hoje na Palha Blanco merece outra recompensa. Estar sem tourear, e aparecer em público, como se toureasse todos os dia…  Acreditando em si próprio. Acreditando nas suas capacidades. Acreditando que o futuro pode ser outro… É de um TOUREIRO GRANDE.

De prata e a bandarilhar também se brilhou. Importantes estiveram Joaquim Oliveira (que também lidou superiormente), Pedro Paulino e João Ferreira.

Para o toureio a cavalo, os toiros de Passaram foram tardos na generalidade. Luís Rouxinol teve uma passagem pela Palha Blanco vulgar; e Filipe Gonçalves teve uma tarde irregular.

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira, pegaram Francisco Faria e David Moreira, ambos à primeira tentativa. Pelos Amadores de Coruche foram caras Paulo Oliveira à primeira e João Mesquita à segunda.


Lisboa: Padilla, o novo ídolo de Portugal. Dias Gomes agigantou-se!

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Lisboa, 29 de Setembro 2016
Por: Catarina Bexiga

Foi uma noite de emoções diferentes. E a Festa de Toiros em Portugal precisa delas. O matador de toiros Juan José "Padilla" tornou-se um fenómeno de grande aceitação junto do público português, e a verdade é que quase conseguiu encher a praça de toiros do Campo Pequeno – junto com Finito de Córdoba e Manuel Dias Gomes – numa época em que o toureio a pé no nosso país está moribundo. Há muito que não vi-a tanta entrega, tanto entusiasmo em redor de um toureiro. A prova foi a apoteótica saída em ombros do diestro jerezano, com o público a gritar Toureiro! Toureiro! Toureiro!

Finito de Córdoba derramou torería pela arena. Na forma de estar, na forma de andar... enfim, em tudo! A espaços encontrou-se consigo próprio e deixou marcas da sua particular maneira de sentir o toureio.

Juan José Padilla foi no Campo Pequeno o que o faz um toureiro popular. Variado na concepção. Vibrante na interpretação. Sabe o que o público português gosta. Deu duas voltas no seu primeiro e três no último. 

Manuel Dias Gomes assinou em Lisboa – porventura – uma das melhores faenas da sua vida. O sexto da noite teve várias virtudes, investiu com classe, e Dias Gomes soube estar à sua altura. Sentiu-se toureiro. Sentiu-se a gosto. Disfrutou e fez-nos disfrutar. 

Merece uma palavra de louvor a quadrilha de portugueses, composta por Joaquim Oliveira, Cláudio Miguel e João Ferreira. Cumpriram, ambos os tércios de bandarilhas, superiormente e foram convidados a agradecer a ovação que o público lhes tributou. 
O curro de Manuel Veiga foi parte fundamental para o êxito da noite. Excepto o terceiro, os restantes tiveram qualidade, com destaque para o quinto e, essencialmente, o sexto. O ganadero foi chamado duas vezes à arena. 


sábado, 10 de setembro de 2016

Lisboa: Por onde vou começar?

Lisboa, 8 de Setembro 2016
Por: Catarina Bexiga

Não sei se hei-de começar pelo que me alegrou, ou, pelo que me entristeceu. Essa foi a mistura de sentimentos que trouxe de Lisboa. Para mim, João Moura foi o autor da melhor actuação da noite, com o seu primeiro. No entanto, senti que passou despercebida… Não estranho! O público está “confuso” sobre o que são os valores a preservar... O “romãotenório” foi uma autêntica tourinha, mas Moura esteve em Maestro, soube gerir as suas investidas e soube aproveitá-lo… De saída, com o “Xarope”, apontou um segundo comprido superior, e depois cravou cinco curtos idênticos no conceito. Citou de praça a praça, encurtou distâncias, reduziu na cara do toiro… e cravou de alto-a-baixo. Deu gosto vê-lo! Com segundo, andou totalmente diferente. Carente de interesse. Assumi-lo com discrição, ter-lhe-ia favorecido, como profissional e referência. Mas quis prolongar a actuação, pediu um ferro, outro e mais outro… e criou uma situação desconfortável para o Delegado Técnico Tauromáquico, Manuel Gama, que pressionado pelos protestos e olhares que vinham da arena não foi coerente até ao fim. Tudo se poderia ter evitado!

Pablo Hermoso de Mendoza não teve um lote propícia aos seus desejos. Mas quem escolhe, terá que também assumir o resultado do que escolhe. O seu lote saiu sem raça, sem investida suficiente. O de Navarra apenas deu um ar da sua graça, com o quinto da função, montado no “Disparate” e pouco mais…

João Moura filho teve uma actuação indefinida com o seu primeiro, apenas destaco o segundo comprido com o “Goya”; e andou mais vistoso com o último da noite. Pelo menos, pôs mais vibração no quinto e sexto curto montado no “Xeque-Mate”. Tirou partido do remate das sortes e no fim deu volta com o ganadero.

Pelo grupo de Tomar pegaram João Serra e João Oliveira, respectivamente à segunda e quinta tentativa. Pelo Aposento da Chamusca concretizaram Francisco Montoya à primeira e Francisco Andrade à segunda. E pelo grupo de Portalegre foram caras Ricardo Almeida à primeira e António Cary à segunda. 

domingo, 28 de agosto de 2016

CALDAS DA RAINHA: FADOS E TOIROS SINÓNIMO DE PORTUGAL

Caldas da Rainha, 26 de Agosto 2016
Por: Catarina Bexiga

D. Vivente da Câmara, figura marcante da história do fado, foi homenageado nas Caldas da Rainha, terra que projectou através de um dos seus mais conhecidos fados. Uma homenagem que merecia mais público e que contou com a presença do “Fado Marialva”.

O curro de Veiga Teixeira saiu sério de apresentação e comportamento. O quarto revelou-se manso encastado e o quinto complicado. Os restantes conservaram interesse nas suas investidas.

António Ribeiro Telles teve uma noite importante. Uma noite em Maestro. Ao primeiro apontou correctamente os compridos com o Embuçado; e sobrou-lhe torería montado no Veneno. Adornando os cites e entrando muito ao toiro, sobretudo, no último curto. Um grande ferro. O quarto não teve a mesma generosidade que o anterior. Foi manso encastado, com investidas súbitas e bruscas. Exigiu um toureiro experiente e com poder. E foi o que vimos. António, montado no Alcochete, assinou uma actuação de TOUREIRO com maiúsculas.

Filipe Gonçalves também defendeu o seu nome com argumentos válidos. Com o seu primeiro dividiu a actuação em duas partes. Com o Gucci cravou três curtos de boa nota, e com o Chanel cambiou de conceito, e terminou com dois ferros a quiebro, que chegaram com força às bancadas. O quinto da tarde, saiu parado e indiferente. Filipe mostrou atitude, imprimiu garra, encontrou soluções e teve mérito o que fez.

Embora com intermitências, Francisco Palha mantém acesa a chama que nele ainda faz acreditar. Recebeu os dois toiros com o Roncalito, mas foi no último que cravou os melhores ferros. Depois com a Duquesa procura fazer um toureiro impactante, mas com resultados díspares.



Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram João da Câmara (neto do homenageado) à 1.ª, seguindo-se Luís Valério com uma grande pega também à 1.ª e a encerrar, depois de gorada a tentativa de cernelha, Francisco Borges. Pelos Amadores das Caldas da Rainha foram caras Francisco Mascarenhas numa outra grande pega à 1.ª, Mário Carneiro à 2.ª, a dobrar António Lacerda, e a terminar Francisco Rebelo de Andrade à 1.ª, a dobrar José Maria Abreu. Uma noite exigente para todos!

Foto: Pedro Batalha

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

NAZARÉ: UM ROUXINOL DO TAMANHO DO MAR

Nazaré, 20 de Agosto 2016
Por: Catarina Bexiga

Uma terra cheia de encantos, de varinas e pescadores, onde a Festa de Toiros também marca presença todos os verões. Mas de encantar não foram os toiros enviados pelo ganadero Nuno Casquinha para a castiça arena, os dois primeiros adiantaram-se aos cavalos, o quarto revelou-se o melhor do curro, mas foi preciso muita decisão por parte dos cavaleiros para superar as adversidades.

O primeiro da noite deixou no ar, inclusive, um clima de preocupação. Mas Luís Rouxinol não se apavorou. Reagiu. Com determinação e valentia. Com experiência e argumentos. Montado na “Viajante” acreditou. Grande actuação. Grande mérito. É caso para dizer que Rouxinol esteve do tamanho do mar… Gigante!

Melhor sorte não teve Ana Batista, com mais um toiro perigoso e complicado. Com ofício, resolveu os problemas. Miguel Moura pôs querer na sua actuação; João Salgueiro da Costa e o praticante Parreirita Cigano andaram irregulares; e o também praticante Luís Rouxinol Jr. assinou uma actuação em crescendo.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram João Luís à primeira, Pedro Gil à segunda e João Varanda à primeira. Pelos Amadores do Ribatejo concretizaram Rafael Costa à primeira, João Oliveira à terceira e Dário Silva à primeira. E também eles encararam a noite com determinação e valentia...

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

ARRUDA DOS VINHOS: DUARTE PINTO CONVENCEU... E VENCEU!

Arruda dos Vinhos, 16 de Agosto 2016
Por: Catarina Bexiga

Para convencer… e também vencer o prémio para a melhor lide em Arruda dos Vinhos, Duarte Pinto limitou-se a fazer uma coisa simples: Tourear a Cavalo. Não complicou. Não degenerou. Não imitou. Simplesmente deu vida ao Toureio a Cavalo, na sua verdadeira essência. O terceiro do Concurso de Ganadarias pertencia a Veiga Teixeira. Foi um toiro manso que cedo procurou as tábuas. Mas com os mansos também se pode triunfar. Basta entendê-los. Foi o que Duarte Pinto fez. Montado no “Cesário” dispensou os bandarilheiros e tomou ele próprio a iniciativa. A actuação foi em crescendo. O segundo e terceiro a sesgo, bons (pena não rematar por dentro), e o quarto e quinto, com o toiro fora da querença, também muito bons. Grande actuação! Intencional… e meritória! Frente ao sexto, com o ferro do Eng. Jorge de Carvalho, um toiro reservado, Pinto andou mais discreto.
Filipe Gonçalves entrou para a corrida das Festas em Honra de Nossa Senhora da Salvação no lugar de Marcos Tenório. O toiro de Paulino da Cunha e Silva procurou os terrenos de dentro e o de António Silva veio de mais a menos. Viu-se querer da parte do cavaleiro, mas as actuações não tiveram força para romper.

João Telles Jr. apenas lidou o quinto, porque o de Cunhal Patrício se inutilizou após os compridos. O de Santiago não teve raça, mas Telles Jr. andou disposto e variado.

As pegas estiveram a cargo de três grupos. Pelos Amadores de Évora pegaram Afonso Mata e Martim Caeiro, ambos à primeira tentativa. Pelo grupo de Beja, que apenas pegou o quinto, resolveu Luís Eugénio após cinco tentativas de João Fialho. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram Pedro Sabino à segunda e o cabo Rodolfo Costa a emendar Pedro Silva.

No fim, os prémios em disputa tiveram a seguinte distribuição:
Melhor Lide: Duarte Pinto
Melhor Grupo/ Melhor Pega: Amadores de Évora / Martim Caeiro
Melhor Toiro: António Silva.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

LISBOA: UM FERRO DOS QUE FAZEM FALTA...

Lisboa, 28 de Julho 2016
Por: Catarina Bexiga

Precisamente no dia em que comemorou 50 anos de Alternativa, Luís Miguel da Veiga voltou a vestir-se de toureiro e a fazer as cortesias no renovado Campo Pequeno.  A noite tinha o seu nome, como homenagem ao que representou na história do nosso Toureio.

João Salgueiro da Costa confirmou a alternativa e toureou em primeiro lugar. Comparativamente com o seu início de temporada,  o recém doutorado cavaleiro de Valada revelou progressos, viu-se mais concentrado e mais a gosto.

João Moura mostrou no Campo Pequeno o quanto é importante querer para puder. Tocou-lhe um grande toiro de David Ribeiro Telles. Montado no Xarope, o segundo comprido, aguentando pela investida do toiro e cobrando com impacto, foi o ferro da noite. Um ferro dos que fazem falta… para enaltecer o nosso Toureio. Depois para os curtos recorreu ao Biorne e ao Zinco, numa actuação que acabou por vir a menos.

Rui Salvador teve uma passagem menos convincente pela capital, com a quadra a não corresponder aos seus desejos.   

António Maria Brito Paes viu-se com mais ofício. E aproveitou a oportunidade para mostrar a sua vertente de toureiro/equitador, adornando a sua actuação com variadíssimos “ares de escola”
Manuel Telles Bastos teve uma apresentação discreta em Lisboa, a precisar de reestruturar a quadra para que possa competir com os demais da sua geração.

Duarte Pinto andou intencional e criterioso, mas sem força para levantar voo…

A encerrar, a longa noite de Quinta-feira, o praticante António Núncio pareceu verde para compromissos de maior responsabilidade como este.
O curro com o ferro de David Ribeiro Telles saiu díspar de apresentação. Fácil o primeiro, bom o segundo e mais reservados os restantes.

Em competição estiveram os Amadores de Montemor-o-Novo e os Amadores de Évora. Pelo grupo mais antigo pegaram António Vacas de Carvalho à 4.ª, João Romão Tavares à 1.ª e Francisco Borges também à 1.ª. Por Évora concretizaram João Pedro Oliveira à 2.ª, Gonçalo Pires (que dobrou o cabo) à 2.ª e Manuel Rovisco (que dobrou João Madeira) à 6.ª


sexta-feira, 15 de julho de 2016

PADILLA: O PIRATA QUE SAQUEOU LISBOA

Lisboa, 14 de Julho 2016
Por: Catarina Bexiga

A vitória da vida sobre a morte, tornou Juan José Padilla um produto altamente diferenciado. A sua tremenda colhida em Outubro de 2011 em Zaragoza e o seu regresso às arenas, passados apenas cinco meses, em Olivenza em Março de 2012 fazem com que o público olhe para o jerezano não apenas como matador de toiros, mas como um herói. Pelo que passou, pelo que aguentou, pelo que superou. Ontem, o Campo Pequeno quase encheu para o ver. E tudo o que fez teve eco nas bancadas. Com o primeiro, a faena começou de joelhos, mas ao de Varela Crujo faltou ânimo para investir, e a faena foi curta e excessivamente valorizada com duas voltas. Com o segundo, Padilla cravou um grande par de bandarilhas, de dentro para fora, e terminou com um violino. O toiro teve outras condições, e sobretudo pelo pitón esquerdo, Padilla toureou a gosto. O público pediu a terceira volta! Bendito público o nosso. Aos espanhóis começa a dar jeito vir a Portugal…

Juan del Álamo respondeu com o seu toureio. Com um toureio firme, com um toureio sério. Com o seu primeiro, aproveitou todas as investidas, com grandes muletazos, largos, sobretudo pela direita. O sexto da noite, manseou em bandarilhas, e a faena foi construída à base da entrega e do ofício.    

A cavalo, houve cumplicidade na lide a duo entre Rouxinol pai e Rouxinol filho; e posteriormente o mais novo teve que tourear os restantes dois, por lesão de Luís Rouxinol pai. Os de Varela Crujo saíram sem raça. Em ambas as actuações, Luís revelou desembaraço e disposição.

Pelo Aposento de Alcochete pegaram Diogo Amaro à segunda, Marcelo Loía à primeira e Rui Gomes também à primeira.

No fim, Padilla abriu a porta grande do Campo Pequeno. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

VILA FRANCA DE XIRA: MAIS DO QUE UMA FESTA…

Vila Franca de Xira, 3 de Julho 2016
Por: Catarina Bexiga

Domingo de Colete Encarnado. Um Domingo que engrandece Vila Franca. Que nos faz recordar histórias que guardamos no coração… Porque o Colete Encarnado é mais do que uma festa, é um sentimento, é uma identidade… Que não acabará por decreto!

Ontem foi Domingo de Colete Encarnado. A maestria de António Ribeiro Telles esteve presente em Vila Franca. António foi autêntico, foi genuíno. As duas actuações basearam-se na sapiência do cavaleiro da Torrinha, na forma como “geriu” os terrenos e as distâncias de cada toiro. Sérios de apresentação, mas reservados na generalidade os de cavalos. Deu gosto vê-lo lidar. No primeiro, com o “Veneno” a actuação veio em crescente; e depois no segundo, de saída apontou dois bons compridos no “Embuçado” e empolgou as bancadas da Palha Blanco, sobretudo, no segundo e quarto curto com o “Alcochete”.

De João Moura Jr. prefiro o que vi no seu primeiro toiro. Montado no “Colombo” a actuação teve passagens vibrantes, especialmente, quando praticou um toureio menos enganoso nas abordagens. Assim aconteceu com o segundo e quarto ferro. Deu continuidade no quinto, rematou os ferros com ajuste e as bancadas reagiram com força. No segundo do seu lote, com o “Perera” e o “Xeque-Mate” teve uma prestação mais vulgar.

Para os Amadores de Vila Franca de Xira, o Domingo de Colete Encarnado é um Domingo especial. Este ano despediu-se um grande forcado: Ricardo Patusco, um forcado de toiros duros, que tantas e tantas alegrias deu aos vilafranquenses.  Pegaram Rui Godinho à segunda, Gonçalo Filipe à primeira, Ricardo Patusco à primeira e David Moreira à segunda.


No toureio a pé anunciava-se Manuel Dias Gomes. À arena saíram toiros, com quatro anos, com um trapio desproporcionado para o efeito. O primeiro pesou 570 Kg e o sobrero 605Kg. Um, exigia firmeza; o outro revelou-se agressivo. Manuel Dias Gomes esteve longo de andar a gosto. Foi claramente “deitado aos leões”. É assim que se pretende ajudar os toureiros portugueses? Acreditam em milagres?

sexta-feira, 1 de julho de 2016

LISBOA: UMA NOITE COM NOVOS ODORES…

Lisboa, 30 de Junho 2016
Por: Catarina Bexiga

Esta foi uma Quinta-feira diferente. Cheirava a Romero. Cheirava a Cohiba . Uma mescla de odores que são sinónimo de arte. A arte do toureio e a arte do cante. De um lado Morante de La Puebla. Do outro Diego El Cigala.

A noite valeu pela faena ao quarto da função. A mais cuajada, a mais redonda. No primeiro toiro, foi evidente a disposição com que o toureiro estava a encarar o desafio, e a espaços vimo-lo a gosto, sobretudo pelo pitón direito. Os dois seguintes de Zalduendo não colaboraram, e havia que acreditar no último… Morante toureou de capote com mimo, com preciosos lances à verónica das tábuas para os médios, rematando com uma média-verónica ao ralenti. Depois a faena teve magia. Morante toureou como só ele sabe. Com carícia. Com alma. Com duende. E com a voz de El Cigala de fundo a embelezar ainda mais a obra.



Esta foi uma Quinta-feira diferente. Uma noite em que a arte do toureio e a arte do cante ofereceu-nos sensações sui generis… 

Foto: João Silva

quinta-feira, 30 de junho de 2016

ÉVORA: A REALIDADE “ABRE-ME” OS OLHOS…

Évora, 29 de Junho
Por: Catarina Bexiga

Custa-me dizê-lo. Custa-me admiti-lo. Mas a realidade “abre-me” os olhos. A Pátria do Toureio a Cavalo está rendida a dois espanhóis: Pablo Hermoso de Mendoza e Diego Ventura. Com eles não há crise. Pablo encheu ontem Évora e Diego encheu, há quinze dias, Alcochete. E não são propriamente novidade entre nós… Um e outro justificaram o dinheiro que o aficionado pagou pelo bilhete.

Pablo mostrou ontem duas “versões” da sua tauromaquia. Com o primeiro “passanha”, de comodas investidas, montado no Berlin, praticou o toureio que o catapultou para o mundo. Com classe, ligação e harmonia. Com o segundo do seu lote, um manso, com acentuada querença em tábuas, montado no Disparate, andou com disposição e enormes recursos. Duas actuações distintas, duas actuações de Figura.

João Moura abriu a noite com uma actuação ortodoxa, com o Zinco; e menos convincente com o quarto, com demasiada intervenção dos bandarilheiros, com o Colombo.

João Telles Jr. pôs em cena um toureio demasiado repetitivo, quer com o Equador quer com o Ojeda. Todavia, os resultados que alcançou com o último da função foram mais válidos.

Para os Amadores de Évora, a primeira parte da corrida deixou melhores recordações. Pegaram António Alfacinha, Gonçalo Pires e Manuel Rovisco, todos à primeira tentativa; seguindo-se Dinis Caeiro à quarta, João Madeira à terceira e João Oliveira à segunda.

A Pátria do Toureio a Cavalo precisa, urgentemente, de ser revista e recuperada. Estaremos a tempo?

Foto: João Silva

terça-feira, 21 de junho de 2016

Faleceu Mestre David Ribeiro Telles. Um nome que deixa saudade.

Por: Catarina Bexiga

A notícia chegou ao início da noite. Faleceu Mestre David Ribeiro Telles, com 88 anos de idade, na sua casa, na Herdade da Torrinha, vítima de doença prolongada. Natural de Almeirim, onde nasceu a 11 de Novembro de 1927, herdou do seu avô materno – David Luizello Godinho – o gosto pelos cavalos e pelos toiros, afición que manteve também por influência do seu pai e que mais tarde transmitiu aos seus filhos: João, António e Manuel, nomes que marcaram a história do Toureio a Cavalo em Portugal. David Ribeiro Telles teve como Mestres Fernando de Andrade e António Luís Lopes. Tomou a alternativa a 18 de Maio de 1958, na praça de toiros do Campo Pequeno. Percorreu todos os recantos do mundo taurino, exibindo a mais pura arte do Toureio a Cavalo. Teve ainda a felicidade de testemunhar a alternativa de dois dos seus netos: Manuel Telles Bastos e João Telles Jr.; e recentemente impulsionou também o início de carreira de António Telles Jr. (filho de António Ribeiro Telles) e Tristão Guedes de Queiroz (filho de Sófia Ribeiro Telles). Nas arenas, vestido de prata, viu também profissionalizar-se António Telles Bastos. O gosto pelos cavalos e toiros fê-lo manter até à actualidade, uma coudelaria e duas ganadarias. Alvo de enorme respeito e veneração de toda a afición, Mestre David Ribeiro Telles deixou-nos um legado importante. Descanse em paz!

domingo, 19 de junho de 2016

LISBOA E ALCOCHETE: A MESMA SENSAÇÃO

Lisboa, 16 de Junho /Alcochete, 17 de Junho 2016
Por: Catarina Bexiga

Hoje junto no mesmo apontamento algumas considerações sobre as corridas de Lisboa e Alcochete, porque de ambas trouxe a mesma sensação: a afirmação da imagem do Forcado e a reputação do Rejoneo na Pátria do Toureio a Cavalo.

LISBOA. Grande noite dos Amadores de Vila Franca de Xira na praça de toiros da capital. Uma história defendida com orgulho por todo o grupo. Um curro sério de Canas Vigouroux e seis forcados de cara com a mesma grandeza: Ricardo Castelo, Francisco Faria, Rui Godinho, Vasco Pereira, Ricardo Patusco e David Moreira.

Embalado pelo triunfo de Madrid, o rejoneador Andy Cartagena chegou a Lisboa avisado de que estava na Pátria do Toureio a Cavalo. E ainda que fiel à sua personalidade, foi o autor do toureio mais intencional da noite. Revelou noções dos terrenos e das distâncias e de forma simples fez com que dele nos dessemos conta.

Rui Salvador teve uma passagem paupérrima por Lisboa e João Telles Jr. praticou um toureio que nem sempre foi ao encontro do exigido pelos toiros.

ALCOCHETE. Noite de emoções fortes, com a despedida de um dos forcados mais importantes dos últimos tempos: Vasco Pinto, dos Amadores de Alcochete. Um forcado com maiúsculas. Pegaram ainda Manuel Pinto, António Manuel Cardoso “Néné”, Nuno Santana (o novo cabo) superiormente ajudado por João Pedro Bolota, Carlos Dias e Estevão Oleiro.

O rejoneador Diego Ventura teve em Alcochete uma noite memorável. Sobretudo quando montou Sueño. O seu toureio teve ligação, variedade, impacto. E beleza! Ninguém pode ficar indiferente às capacidades de um cavalo que está a marcar a actualidade. Grande noite!

Luís Rouxinol praticou um toureio “descaracterizado” em si e João Moura Caetano apenas convenceu no último do festejo. Os toiros (Paulo Caetano e Guiomar Moura), saíram nobres e fáceis, para que todos pudessem triunfar, mas… Para defender a Pátria do Toureio a Cavalo começa-me a faltar argumentos… Merece uma reflexão!

Foto: João Silva

segunda-feira, 13 de junho de 2016

CALDAS DA RAINHA: ANA VENCEU E PAULA SURPREENDEU

Caldas da Rainha 
11 de Junho 2016

Por: Catarina Bexiga

Embora a presença do homem prevaleça no mundo do toiro, a mulher conseguiu conquistar nas arenas o seu espaço. O presente e o futuro estiveram representados na arena das Caldas da Rainha. E se no Toureio a Cavalo, Ana Batista superiorizou-se pela entrega e valentia; no Toureio a Pé, a novilheira Paula Santos disse que ali existe madeira para esculpir. 
O primeiro de Veiga Teixeira saiu parado e a tarde começou com uma actuação discreta (no “Sultão” e no “Monforte”) por parte da cavaleira Sónia Matias.

No sorteio tocou a Ana Batista um manso, de investidas brutas. Um toiro de meter em sentido qualquer toureiro. Montada no “Roncal”, atenção à resposta dada pela cavaleira de Salvaterra de Magos: entrega, valentia, recursos e … muito mérito.

Mara Pimenta lidou o sobrero – o Veiga Teixeira mais pesado da tarde, mas o que revelou melhores condições. Para os curtos sacou o “Vigário”, e se o terceiro ferro foi bom, os resultados que se perseguiram foram mais intermitentes.

Inês Silva Carvalho teve pela frente um Santa Maria que a ajudou no seu labor. Confiante no “Gallito”, viu-se tranquila, logrando uma actuação positiva.

Pelos Amadores das Caldas da Rainha pegaram (todos à primeira tentativa) Lourenço Palha, José Abreu, João Oliveira e Francisco Rebelo de Andrade.
De Conchi Rios – que dias antes tomara a alternativa de matador de toiros em Ceheguin – esperava-se melhores formas. Mas os quatro anos que esteve parada pesaram…

Paula Santos, aluna da Escola de Toureio da Moita, contribuiu para que a tarde encerrasse com sabor. Pelo pitón direito, o de Falé Filipe investiu rebrincado, e surpreendeu a firmeza com que toureou. Pela esquerda, com o novilho mais humilhado, um par de naturais fizeram soar os olés nas bancadas. 

Fotos: Pedro Batalha

sábado, 4 de junho de 2016

LISBOA: COM "EL PANA" NO PENSAMENTO…

Lisboa
2 de Junho 2016

Por: Catarina Bexiga

Acabo de chegar de Lisboa e dizem-me que Rodolfo Rodríguez “El Pana” morreu. Há dias em que escrever sobre o que se passa na arena, não é tarefa fácil, e depois de confirmar a notícia, com menos vontade e menos ânimo fiquei…

“El Pana” construiu uma história de vida su generis, rompeu padrões, foi contestado, foi controverso… mas é um TOUREIRO irrepetível. Com uma tauromaquia muito pessoal – afirmava-se um emissário do passado – nunca lhe vimos duas faena iguais, era um TOUREIRO genial!

Combatendo a pouca vontade que tenho em escrever, a noite de Quinta-feira em Lisboa ficou marcada por uma enchente para ver Pablo Hermoso de Mendoza, João Moura Jr. e Lea Vicent.

Os toiros de Santa Maria justos de apresentação para o coso da capital, acusaram falta de raça, mas o segundo da ordem saiu ao gosto do rejoneador de Navarra. Com o Berlín colocou em prática a sua tauromaquia, com ligação e temple. Com o quarto, montado no Disparate, não houve tanta harmonia, mas a espaços Pablo fez a delícia do público.

João Moura Jr. não teve a sua noite em Lisboa. O seu lote foi reservado, mas o seu toureio, demasiado “pré-cozinhado”, levaram a muitas passagens em falso. As suas actuações não romperam…

Para de Lea Vicent a noite terminou melhor do que começou. As exigências dos nossos toiros colocaram a descoberto algumas limitações. Com o primeiro sentiu dificuldade em se acoplar às investidas, todavia com o segundo andou mais acertada.

Em praça estiveram dois grupos, cujos cabos se despediram da capital. Por Coruche foram caras Amorim Ribeiro (1.ª), João Peseiro (3.ª) e António Tomás (3.ª). Por Alcochete pegaram Vasco Pinto (1.ª), Fernando Quintela (2.ª) e João Machacaz (1.ª).



Foto: João Silva

segunda-feira, 30 de maio de 2016

ALMEIRIM: GOSTAVA… MAS NÃO POSSO!

Almeirim
29 de Maio 2016

Por: Catarina Bexiga

Gostava de poder proclamar a palavra triunfal. Gostava de poder escrever que duas das dinastias mais importantes que nasceram em Portugal –Telles e Salgueiro – competiram pelo “trono”. Gostava de poder afirmar que ambas elevaram o Toureio a Cavalo à portuguesa até ao céu. Gostava de poder escrever que em Almeirim fez-se história… mas não posso.

A realidade foi outra…

João Salgueiro da Costa tornou-se cavaleiro de alternativa com o n.º 27 de Murteira Grave, de nome Pataco, um toiro sério, que se arrancou para o cavalo com alegria. Montado no Raposo, a actuação começou com três compridos que fixaram a atenção do aficionado. De praça a praça, aguentou a investida, cingiu-se, e cobrou de alto-a-baixo com impacto. O segundo sensacional.  Grande começo. Depois foi buscar o Xacal, entrou ao toiro com decisão, mas o cavalo sentiu dificuldades em vencer o pitón e a coisa não teve continuidade. Com o toiro que encerrou a tarde, de curtos com o Filé Mignon, nada há a recordar e muito para reflectir…

Na segunda reaparição nas arenas em 2016, João Salgueiro cumpriu o sonho de dar a alternativa ao filho. No entanto, em ambos do seu lote, viu-se com um toureio demasiado limitado para quem escreveu um capítulo no livro da história do Toureio a Cavalo no nosso país.

Melhor imagem deixou a família Ribeiro Telles. 

António lidou com conhecimento e intencionalidade os seus dois toiros (porque lidar é diferente de deambular na arena), todavia com o Veneno no primeiro e com o Alcochete no segundo, só a espaços conseguiu entusiasmar.

João Ribeiro Telles Jr. andou mais consistente com o Ojeda no primeiro do que com o Equador no segundo, porém foi o cavaleiro que mais empolgou as bancadas. É o que faz ser jovem, ter praça, ser vibrante…

Díspar de apresentação, a corrida de Murteira Grave revelou condições para se ver melhor toureio a cavalo. O quinto foi o que menos gostei, mas houve toiros que investiram com transmissão para os cavalos.

Pelos Amadores de Santarém foram caras João Grave à primeira tentativa, Lourenço Ribeiro à segunda, Luís Sepúlveda à terceira e António Gois à primeira. Pelo grupo de Montemor-o-Novo foram solistas João Romão à primeira, Francisco Borges à primeira, Manuel Dentinho à segunda e João da Câmara também à primeira.

Foto: João Silva

quarta-feira, 25 de maio de 2016

JOÃO SALGUEIRO DA COSTA: “O QUE ME DÁ MORAL É NESTE MOMENTO ESTAR FELIZ.”

Falar de Toiros esteve à conversa com o 5.º cavaleiro da dinastia Salgueiro. Uma entrevista, onde João Salgueiro da Costa faz uma análise da sua carreira de praticante e antecede o dia da sua Alternativa (Domingo,29 de Maio 2016).

segunda-feira, 23 de maio de 2016

AS DECLARAÇÕES DE JOSÉ MARIA BETTENCOURT

José Maria Bettencourt é o 7.º cabo do Aposento da Moita. Oiça as primeiras declarações do novo cabo, onde recorda a tarde de Domingo, a prestação do grupo, a sua pega e actualiza o estado de saúde do forcado José Maria Ferreira e do bandarilheiro Gonçalo Veloso.

AS DECLARAÇÕES DE MANUEL DIAS GOMES

Manuel Dias Gomes é outro dos matadores de toiros que actua, no próximo Sábado, em Coruche. Saiba como o toureiro está a encarar este desafio...

AS DECLARAÇÕES DE ANTÓNIO JOÃO FERREIRA

Coruche recebe, no próximo Sábado, uma corrida mista (e confronto de encastes), que dá a oportunidade a dois matadores de toiros portugueses. Falar de Toiros esteve à conversa com António João Ferreira.

UM GESTO DE TOUREIRO E FORCADO

Moita
22 de Maio 2016

Por: Catarina Bexiga

Surpresa. Risco. Emoção. Breves segundos que pareceram longas horas. Vestido de verde e azabache, Gonçalo Veloso saltou à arena para dar uma grande ajuda a José Maria Bettencout, novo cabo do Aposento da Moita. Foi ao segundo da tarde. A Daniel do Nascimento ficou em alvoroço. No fim, uma simples ovação foi a recompensa de um grande gesto.

A tarde começou com uma verdadeira lição de toureio a cavalo. De capacidade e poderio. De conhecimento e recursos. O toiro de José Luis Vasconcellos e Souza d’Andrade pediu contas, e Luís Rouxinol (com o Dollar de saída e a Viajante de curtos) respondeu-lhe com maiúsculas, com T de Toureiro grande.

O resto, fugazes momentos… O toiro de Sónia Matias saiu parado, sem se mexer, sem se empregar, e a cavaleira pouco pôde fazer. Filipe Gonçalves assinou uma actuação de entrega, com dois bons curtos montado no Chanel.  Marcos Tenório andou sem qualquer tipo de interesse. António d’Almeida começou discretamente, mas terminou com dois curtos a quiebro, com o Sinfonia, que devolveram agitação às bancadas. E por fim, de Mara Pimenta guardo o terceiro curto, com o Vigário, em que mostrou disposição, pisou os terrenos, e logrou um bom curto.

A tarde foi dura para o Aposento da Moita. Mas também deixou recordações... José Pires da Costa deu o mote, com uma grande pega ao primeiro da corrida, seguindo-se o novo cabo, José Maria Bettencourt, à quarta tentativa. As restantes pegas foram concretizadas à terceira, segunda, e a encerrar duas grandes intervenções à primeira. Foram caras João Rodrigues, Nuno Inácio, Ruben Serafim e Leonardo Matias.


sábado, 21 de maio de 2016

COMEMORAÇÃO VERSUS PREOCUPAÇÃO

Lisboa
19 de Maio 2016

Por: Catarina Bexiga

Passados 10 anos sobre a data da reinauguração da praça de toiros do Campo Pequeno, a lotação das duas primeiras corridas da temporada 2016 (cerca de meia entrada) reflecte uma realidade que a todos deve preocupar. O desaparecimento do factor novidade e a ausência de cavaleiros “taquilleros” estão a comprometer a gestão da arena da capital. Todavia, em noite de comemoração valeu a maturidade de João Moura e António Telles…

Do curro de Vinhas sobressaíram dois toiros, o primeiro e o sexto da função; para mim, melhor o último, com mais transmissão nas investidas. Os restantes foram mais reservados, embora o Delegado Técnico mostrasse o lenço azul (que premeia o ganadero) no quinto e depois no sexto da função.

João Moura teve uma primeira actuação para recordar. Montado no Zinco, deu importância ao toureio fundamental, manteve o interesse ferro a ferro, sempre em crescendo, e terminou com um grande curto. O público da capital, pouco entendedor do que é o toureio em toda a sua dimensão, pouco valorizou o labor do cavaleiro de Monforte. Foi preciso recorrer ao galope a duas pistas para que o colectivo despertasse… Frente ao quarto, com um conceito mais cambiado, os resultados também foram mais intervalados.

António Telles rubricou duas actuações plenas de conhecimento. Com o segundo da noite, apostou no Dali, sentiu-se vibração no seu toureio, e sobretudo dois curtos que fazem acreditar na nova montada. Com o quinto, mais tarde que o anterior, coube ao Telles dar tudo de si. Preparou as sortes primorosamente (chinês para o público da capital), e com o Alcochete houve dois curtos de lei.

Rui Fernandes teve uma passagem demasiado intermitente pela arena do Campo Pequeno, e inclusive com atitudes impróprias para com o Delegado Técnico, Tiago Tavares, pelo facto de não lhe conceder música durante a lide do último.


Para os dois grupos de forcados a noite veio de menos a mais. Por Santarém pegaram Diogo Sepúlveda à quarta, Lourenço Ribeiro e João Brito ambos à primeira, com duas grandes pegas. Pelo grupo de Lisboa concretizaram Pedro Maria Gomes à quarta, Manuel Guerreiro à primeira e Pedro Gil, outra grande pega, à segunda. 

terça-feira, 3 de maio de 2016

UMA MENSAGEM...

Vila Franca de Xira
1 de Maio 2016

Por: Catarina Bexiga

Há pessoas que obrigam todas as outras pessoas a reverem-se por dentro. É o caso de Fernando Palha. Um exemplo como Homem de carácter, de determinação, de devoção, de paixão, de sonhos… e de histórias, muitas histórias que nos ensinavam e enriqueciam. A “sua” Palha Blanco quis render-lhe homenagem, no passado Domingo, num concurso de ganadarias, onde marcaram presença muitos amigos, familiares e aficionados que por Ele tinham admiração e estima. E não faltaram os que Fernando Palha “protegia” como seus filhos: os Campinos!

António Ribeiro Telles brindou o seu padrinho de baptismo com uma grande lide frente ao quinto da tarde, curiosamente com o ferro do homenageado e que justamente venceu o prémio “Bravura”.

Manuel Telles Bastos apenas cumpriu e Francisco Palha apresentou-se com ambição renovada e deixou vontade de o rever.

Disputaram o prémio “João Vilaverde”, os Amadores de Vila Franca de Xira e os Amadores das Caldas da Rainha, grupo que conquistou a distinção.  

O trofeu “Apresentação” recaiu na ganadaria de Canas Vigouroux. Completaram o concurso exemplares de David Ribeiro Telles, António Silva, Branco Núncio e Passanha Sobral.

Tarde com ambiente a iniciar a temporada na Palha Blanco. Que assim continue!

Foto de João Silva.

domingo, 17 de abril de 2016

“Em que sentido está a evoluir o Toureio a Cavalo em Portugal?”

Por: Catarina Bexiga


Confesso que o único tema que me levou ao Fórum da Cultura Taurina que decorreu em Lisboa – promovido pelo Grupo Tauromáquico Sector 1 – foi o painel intitulado “Em que sentido está a evoluir o Toureio a Cavalo em Portugal?” 

Quem me conhece sabe que o tema me apaixona e preocupa. A manhã resultou interessantíssima… Embora – numa ou noutra abordagem - tenha ficado demostrado que se a cabeça já não serve para usar o tricórnio, pelos vistos, também já não serve para raciocinar… 

Ao pedir a palavra, questionei o argumento que mais me inquieta: a valorização e promoção do Toureio a Cavalo à Portuguesa, porque como defensora da nossa identidade, há dias em que não tenho tarefa fácil… Quanto à diferença entre o que se vê em Espanha e o que se vê em Portugal; a diferença marca o toiro, e não se deve fazer comparações. Então se os espanhóis são bons no que é o seu toureio, com o seu toiro; porque é que nós, portugueses, com a nossa história/estatuto, e com o nosso toiro, não nos preocupamos em ser bons no que é o nosso toureio? A resposta que ouvi de João Salgueiro e Duarte Pinto encantou-me: “300 % de acordo!”

Também se pode triunfar na vida sem cortar as orelhas na arena. Javier Castaño, um exemplo! Força TOUREIRO!


sábado, 16 de abril de 2016

UMA NOITE SEM GENIALIDADE

Lisboa
15 de Abril 2016

Por: Catarina Bexiga

A melhor defesa da Festa de Toiros faz-se na arena, e não é com campanhas de ”génios” a promover “génios” que vamos lá. Ao contrário do exageradamente anunciado, o regresso de João Salgueiro às arenas não teve nada de genialidade, aliás… não teve nada de nada. O seu primeiro toiro de Pinto Barreiros foi um dos vencedores do concurso, e o seu segundo levava o ferro de Murteira Grave e serviu.

Mesmo com as carências que mantém de saída, João Telles Jr. andou decidido e vibrante de curtos, aproveitando o “gancho” que tem no público. Lidou em primeiro lugar o toiro da casa (outro dos vencedores do concurso) e em segundo lugar o de  Veiga Teixeira parado e com problemas para resolver.

O rejoneador Manuel Manzanares  viu-se com intenções, mas intermitente nos resultados frente aos exemplares de Santa Maria. O primeiro reservado e o sobrero impróprio para sair à arena da capital. Todavia, foram seus os melhores ferros da noite (1.º, 3.º e 4,º) no que encerrou a nocturna de Quinta-feira em Lisboa.

Pelo Real Grupo de Moura concretizaram Cláudio Pereira, Rui Ameixa e Valter Rico, todos à primeira tentativa. Pelos Amadores do Aposento da Moita pegaram João Rodrigues à primeira, Nuno Inácio e José Maria Bettencourt, ambos à segunda.

Dos toiros a concurso –  Pinto Barreiros, David Ribeiro Telles, Santa Maria, Murteira Grave e Veiga Teixeira –  o sexto de São Torcato lesionou-se nos currais e saiu um sobrero de Santa Maria -  o júri premiou ex-eaquo os exemplares de Pinto barreiros e David Ribeiro Telles.


Foto: João Silva

domingo, 13 de março de 2016

Valência: 40.000 pessoas pela liberdade e restpeito pela Festa de Toiros

Foto: Mundotoro

Um Cartão-de-Visita

Vila Viçosa
12 de Março 2016

Por: Catarina Bexiga

Cada cavaleiro apresentou hoje o seu cartão-de-visita em Vila Viçosa (Festival da Rádio Campanário). E houve para todos os gostos, digamos que com design gráfico variado… O que mais impacto causou nas bancadas foi o de Leonardo Hernández. Tocou-lhe em sorte um Romão Tenório que investiu “por todos os lados” e o rejoneador estremenho aproveitou-lhe as virtudes, imprimindo diversidade ao seu toureio. Começando agora pelo início, António Ribeiro Telles (novilho de Mata-o-Demo) sacou de curtos o “Dali” que mostrou progressos e deixou vontade de o rever; Ana Batista elevou as suas capacidades toureiras com o “Conquistador” perante a mansidão de um Prudêncio fechado em tábuas; João Moura Jr. (novilho Romão Tenório, tal como o seguinte) andou animoso com o “Xeque-Mate”; Marcos Tenório exuberante com o “Dardo”; e a encerrar a tarde João Telles Jr. (novilho de David Ribeiro Telles) não redondel a actuação com o “Atilho”.

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Bernardo Dentinho, António Calça e Pina e Nuno Campelo. Pelo grupo de São Manços concretizaram Jorge Valadas, José Quintas e Jorge Silva.


E como a temporada está agora a começar, ainda há tempo de melhorar alguns dos cartões-de-visita apresentados…  

sexta-feira, 4 de março de 2016

Conheça a história de vida de "Juanito"...

“Juanito” debuta com picadores, amanhã, na praça de toiros de Olivenza. Trata-se de um jovem alentejano que tem dado “eco” ao seu nome e alimenta a esperança dos aficionados portugueses.

Sabe quem é "El Pana"?

Aos 64 anos de idade, o matador de toiros mexicano Rodolfo Rodríguez “El Pana” encerrar-se-á, pela primeira vez na sua carreira, com seis toiros; Domingo, na praça de toiros de Texcoco.

Festival LVida em poema...

Alusivo ao Festival da Fundação LVida, o aficionado José Costa (de Vila Franca de Xira) fez-nos chegar este poema. Obrigada por partilhar connosco a sua afición.


terça-feira, 1 de março de 2016

Homenagem a Fernando Palha

Há cerca de um ano, o Ribatejo “chorou” a perda de Sérgio Perilhão; e mais recentemente, do ganadero Fernando Palha, quem um dia lhe chamou a “Pena de Oiro da Lezíria”. Hoje apresentamos um depoimento histórico e exclusivo: Sérgio Perilhão fala-nos de Fernando Palha. Dois Ribatejanos que partiram, mas que nos deixaram a sua amizade, a sua obra e as suas histórias.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Finito escreveu um poema...

Praça de Toiros de Lisboa 
27 de Fevereiro de 2016

Por: Catarina Bexiga

Finito nasceu para ser TOUREIRO. A sua classe e a sua elegância apaixonaram Lisboa. A sua faena – com um grande novilho de Paulo Caetano – foi um poema, e aquela muñeca a ligação perfeita entre cada verso, em que as rimas saíram templadas e profundas. Os seus muletazos formam já parte da história da temporada 2016 na Monumental do Campo Pequeno. A sua presença hoje reclama um regresso à Capital.

Mas a tarde teve outros complementos. Com exemplares de Calejo Pires (melhor o último), actuaram ainda Vitor Mendes que andou esforçado; enquanto Juan del Álamo teve passagens meritórias; e o novilheiro Diogo Peseiro revelou melhorias no seu conceito.

A família Ribeiro Telles (António/Manuel/João) defendeu o seu nome, com três actuações distintas (respectivamente, com exemplares de Grave, Canas Virouroux e Ribeiro Telles), mas cada uma com matizes de interesse. Pelos Amadores de Santarém pegou David Inácio; por Montemor-o-Novo, Luís Valério; e por Vila Franca de Xira, Vasco Pereira.


Pero el poema de lo torero de la tierra de los Califas fue… otra cosa!

Foto:Pedro Batalha

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Rui Bento justificou ausência de El Juli e Diego Ventura em 2016...

Antes de apresentar a primeira parte do Abono 2016 em Lisboa, Rui Bento Vasquez - Gestor Taurino da Monumental do Campo Pequeno - explicou o porquê da ausência nos cartéies do matador de toiros El Juli e do rejoneador Diego Ventura. Oiça as declarações:

O regresso de João Salgueiro em 2016...

Na Conferência de Imprensa de apresentação da temporada 2016 para a Monumental do Campo Pequeno, o cavaleiro João Salgueiro justificou o seu regresso ás arenas, após dois anos afastado da actividade. Oiça as declarações do cavaleiro:

Os primeiros cartéis da temporada 2016 em Lisboa...


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

FINITO ESCREVEU UM POEMA

Lisboa, 28 de Fevereiro 2016
Por: Catarina Bexiga

Finito nasceu para ser TOUREIRO. A sua classe e a sua elegância apaixonaram Lisboa. A sua faena – com um grande novilho de Paulo Caetano – foi um poema, e aquela muñeca a ligação perfeita entre cada verso, em que as rimas saíram templadas e profundas. Os seus muletazos formam já parte da história da temporada 2016 na Monumental do Campo Pequeno. A sua presença hoje reclama um regresso à Capital.
Mas a tarde teve outros complementos. Com exemplares de Calejo Pires (melhor o último), actuaram ainda Vitor Mendes que andou esforçado; enquanto Juan del Álamo teve passagens meritórias; e o novilheiro Diogo Peseiro revelou melhorias no seu conceito.
A família Ribeiro Telles (António/Manuel/João) defendeu o seu nome, com três actuações distintas (respectivamente, com exemplares de Grave, Canas Virouroux e Ribeiro Telles), mas cada uma com matizes de interesse. Pelos Amadores de Santarém pegou David Inácio; por Montemor-o-Novo, Luís Valério; e por Vila Franca de Xira, Vasco Pereira.
Pero el poema de lo torero de la tierra de los Califas fue… otra cosa!

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