quarta-feira, 29 de março de 2017

À CONVERSA COM... RICARDO CASTELO

    A propósito do 85.º Aniversário dos Amadores de Vila Franca de Xira - bem como da organização do Festival Taurino, anunciado para o próximo dia 9 de Abril, na Palha Balnco - Falar de Toiros esteve à conversa com Ricardo Castelo. Um diálogo aberto, sobre o reconhecimento e a regeneraçãodo grupo. Somente, um dos mais importantes do país! 
    Por: Catarina Bexiga

    FALAR DE TOIROS - O que significa para si ser cabo dos Amadores de Vila Franca de Xira na temporada em que o Grupo comemora o 85º Aniversário da sua fundação?
RICARDO CASTELO - Ser cabo do Grupo de Vila Franca de Xira significa, para mim, honra e sentido de responsabilidade. Uma honra pela longevidade pois uma instituição que começou há 85 anos merece todo o respeito porque dignifica, todos os dias, a cidade que representamos e todas as pessoas que se disponibilizaram ao longo destes anos a dignificarem o nome deste Grupo. E sentido de responsabilidade porque tem sido um Grupo com muita história e que, graças a Deus, tem estado nos primeiros lugares no que diz respeito à qualidade nesta categoria da festa de Toiros.
    FT - Organizar um Festival Taurino na Palha Blanco é uma forma de dar importância à efeméride que assinalam?
RC - Costumamos organizar um festival de 5 em 5 anos para assinalar datas redondas para partilhar com todos os aficionados o que é o Grupo de Vila Franca, através de eventos como este, como também para fortalecer os laços entre todas as gerações que pertenceram ao Grupo de Forcados de Vila Franca de Xira dando oportunidade a todos de voltarem a desfrutarem de grandes recordações voltando a contribuir de uma forma activa na festa. Para os aficionados também é uma forma de recordar e ver Forcados que marcaram gerações a voltarem a dar “cor” à nossa tão exigente importante praça de toiros Palha Blanco.
    FT - O Grupo tem vindo a treinar, e ainda recentemente na casa do Ganadero José Palha participaram forcados de várias gerações. Sente que tem sido fácil renovar-se de forma natural?
RC - O grupo tem feito uma renovação natural e o ano passado foi, na minha opinião, o ano crucial nessa renovação com a entrada de mais jovens no Grupo principal. Temos ao longo dos anos renovado lentamente, mas com a saída de 3 elementos dos que mais pegaram nos últimos 15 anos, pensei que a qualidade se ia sentir, mas mesmo nos desafios mais importantes o Grupo não baixou a fasquia da qualidade o que é comprovado com a atribuição de muitos reconhecimentos de melhor Grupo por parte da comunicação taurina e instituições. Conseguir renovar mantendo a qualidade é a melhor forma de dar continuidade a uma instituição com 85 anos de existência e é esse o nosso objetivo todos os anos.
O treino com antigos e actuais é mais uma forma de dar a conhecer aos novos Forcados a História do nosso grupo e perceberem a responsabilidade e o que significa ser Forcado no Grupo de Vila Franca. Foi um dia muito interessante e especial com mais de 70 pessoas a treinar.
    FT - Que leitura faz do actual momento do Grupo?
RC - Neste momento temos um Grupo com muita juventude que significa continuidade e com elementos mais velhos a ajudar e a manter a estrutura com sentido de responsabilidade, por isso, acho que está num bom momento e com muita qualidade, apesar de jovem. Este Grupo devia ter mais de 25 corridas por ano (pelo menos 80 toiros). Um Grupo de Forcados atinge os plenos de confiança e sitio pegando.
    FT - Suponho que o Festival Taurino, anunciado para 9 de Abril, conte com a presença de de antigos e actuais elementos do grupo… Todos se vão querer fardar?
RC - Claro que sim. Esta pergunta respondeu também às minhas dúvidas com a presença de muitos elementos no treino para antigos e actuais… Por isso a expectativa é grande.
    FT - O Festival inclui toureio a cavalo e toureio a pé, sinonimo que os Amadores de Vila Franca também são aficionados ao toureio a pe?
RC – Os Forcados de Vila Franca são aficionados ao toureio a pé, mas mais importante que tudo isso é que sabemos que Vila Franca é uma cidade taurina e com grandes tradições ao toureio a pé e que formou grandes nomes a nível Mundial. Esta é nossa melhor forma de homenagear essas figuras e até com a presença de uma delas. É um dia de Família para todos os gostos. Somos de Vila Franca e orgulhosos com os grandes valores da nossa cidade. Esta é, na nossa opinião, a melhor forma de defender os valores da festa.
    FT - Pegam 5 toiros. Com tantos forcados fardados, a tarefa do Ricardo Castelo não vai ser simples…
RC – É verdade. Com tantas opções vão ficar mais forcados “chateados” do que numa corrida normal, mas a prioridade vai sempre cair para antigos elementos e nomes que mais contribuíram para colocar o Grupo de Vila Franca onde está hoje.
    FT - Acima de tudo, o que esperam da tarde de 9 de Abril? Que seja uma tarde de confraternização e amizade em prol dos Amadores de Vila Franca de Xira?
RC – Esperamos principalmente que seja uma tarde que dignifique a festa de toiros e que seja um dia para a Família do Grupo de Vila Franca de Xira desfrutar fazendo o que sabe fazer melhor, ou seja, pegar toiros e viver intensamente a corrida e o convívio. Esperamos, e foi com esse objectivo que escolhemos as figuras do cartaz, que seja um dia com muitos aficionados na bancada e por isso os bilhetes a preços ao alcance de todos. Queremos que este Festival seja mais uma forma de promover, positivamente, a festa taurina em Portugal.

terça-feira, 14 de março de 2017

FALAR DE TOIROS COM… Rafael Vilhais

Por: Catarina Bexiga

Em 2016, Rafael Vilhais aventurou-se no papel de empresário das praças de toiros de Beja, Salvaterra de Magos e Caldas da Rainha. Em apenas uma temporada, deu que falar. Inovou. Arriscou. Criou expectativas. Para 2017, juntou ao grupo a praça de toiros “Daniel do Nascimento”. 
A motivação do empresário contínua em alta…

Falar de Toiros – Conhecendo o meio taurino português, e os seus vícios, o que é que o motivou a aumentar a participação empresarial na temporada passada?

Rafael Vilhais – O primeiro motivo foi a minha afición. Penso que pode ser uma mais-valia para refrescar o ambiente. Pelo menos, para mudar qualquer coisa para bem da Festa de Toiros em Portugal. Para além disso, também o incentivo por parte de alguns amigos e profissionais da Festa foi fundamental para avançar.

FT – O Rafael foi nomeado por muitos o empresário da temporada. Para si, a conquista deste título deve-se ao facto de ter contratado, sobretudo, Diego Ventura para Beja e Roca Rey para Salvaterra de Magos, duas praças de toiros identificadas como de difícil gestão?~

RV – Talvez por isso, e pela situação actual que vivemos ou vivíamos de monotonia de cartéis. O publico agradece que se faça algo de diferente e na maioria dos casos responde à confecção de cartéis que mais lhe agrada.

FT – Considera que a gerência da praça de toiros das Caldas da Rainha foi menos ousada?

RV – Considero que sim. Foi onde as coisas não resultaram tanto. Também temos que ter em conta que houve dois adiamentos da Corrida Mista de Maio. Apesar disso, o 15 de Agosto teve uma excelente casa, superando o número dos últimos três anos.

FT – Este ano, aumentou o grupo com a “Daniel do Nascimento” (Moita), uma das praças de toiros com mais prestígio. Em Maio (27) junta no mesmo cartel, Diego Ventura e Roca Rey é uma aposta forte… digna de lotação esgotada?

RV – A “Daniel do Nascimento” é, sem dúvida, uma praça de prestígio, e exige de nós o máximo respeito e a máxima dedicação na hora da organização e confecção dos cartéis. Espero que no dia 27 de Maio, com o rejoneador Diego Ventura e o matador de toiros Roca Rey esgote! Se tal não acontecer algo vai mal na afición moitense e no país taurino em geral.

FT – Para além do Concurso de Ganadarias, anunciado para Salvaterra de Magos, para 2017 existem mais planos arrojados? Algum que nos possa desvendar?

RV – Existem mais planos, com certeza, para todas as praças, mas gostava que surgissem também alguns toureiros nacionais com capacidade para criar paixões, e se tornassem verdadeiros ídolos da Festa, que arrastassem multidões e enchessem as praças. Procura-se urgentemente! A seu tempo darei mais notícias de possíveis cartéis. 

FT – Estamos no início da temporada, e há muito por definir. Desde que é empresário, as noites são passadas a idealizar cartéis?  

RV – As noites e às vezes os dias, até mesmo antes de ser empresário. Idealizo e gasto muitas folhas de rascunho a confeccionar cartéis, que nem sempre são possíveis, mas às vezes os sonhos tornam-se realidade.  

quinta-feira, 9 de março de 2017

OS CAVALOS NOVOS DE... Paulo Jorge Ferreira



Paulo Jorge Ferreira tomou a Alternativa, a 21 de Julho de 2002, na Póvoa de Varzim (Corrida TV/Norte); mas quatro anos mais tarde, decidiu abraçar um novo projecto profissional. Radicado na Califórnia - a trabalhar na Coudelaria Irmãos Martins – durante o ano trabalha a sua quadra e prepara os cavalos que vão servir os cavaleiros lusos que se deslocam à Califórnia.
Hoje, Paulo Jorge Ferreira apresenta-nos os dois cavalos novos que irão integrar a sua quadra em 2017:


Nome - Izol
Idade - 4 anos
Raça - lusitano
Ferro - Ortigao Costa

Opinião de Paulo Jorge Ferreira: “O Izol é um cavalo com uma personalidade muito boa, tem uma facilidade de aprendizagem incrível, irei estrear este ano no tercio de bandarilhas, será um cavalo que irá conectar com as bancadas com muita facilidade.








Nome - Fado
Idade - 7 anos
Raça - Lusitano
Ferro - António Campos

Opinião de Paulo Jorge Ferreira: “O Fado é um cavalo com um nível de ensino acima da média, faz passage, passo espanhol e corvetas, anda nas vacas com muita toureria, será a grande aposta esta temporada da minha quadra, é um cavalo que anda muito perto dos touros com muita classe.


quarta-feira, 8 de março de 2017

OS CARTÉIS DE SAN ISIDRO...

A empresa Plaza 1, gestora da Monumental de Las Ventas, encabeçada por Simón Casas, deu hoje a conhecer os cartéis da Feira de San Isidro. Este ano, o certame não conta com nenhum nome português.
As combinações são as seguintes:
11/05 - Alberto Aguilar, Javier Jimenez e David Galván (La Quinta)
12/05 - Eugenio de Mora, Morenito de Aranda e Román (El Ventorrillo)
13/05 - Diego Urdiales, David Mora e José Garrido (El Pilar)
14/05 - Andy Cartagena, Sergio Galán y Manuel Manzanares (B. Cubero)
15/05 - Curro Díaz, Paco Ureña e Lopez Simón (Montalvo)
16/05 - Juan del Álamo, Fortes e Román (Lagunajanda)
17/05 - El Fandi, Miguel Ángel Perera e José Garrido (Fuente Ymbro)
18/05 - Curro Díaz, Iván Fandiño e David Mora (Parlade)
19/05 - Sebastián Castella, Talavante e Javier Jiménez (El Puerto) Prensa
20/05 - Andy Cartagena, Diego Ventura e Leonardo Hndez. (Espartales)
21/05 - Juan José Padilla, Antonio Ferrera e Manuel Escribano (Ramblas)
22/05 - Nov. Enrique Colombo, Pablo Aguado e Rafa Serna (Montecillo)
23/05 - Daniel Luque, Fortes e Juan Leal (Valdefresno)
24/05 - Juan Bautista, Alejandro Talavante e Roca Rey (Cuvillo)
25/05 - El Juli, Ginés Marín (conf.) e Alvaro Lorenzo (conf.) (Alcurrucen)
26/05 - Rivera Ordóñez, Sebastián Castella e López Simón (Jandilla)
27/05 - Joselito Adame, Francisco J. Espada (conf.) e Ginés Marín (Torero)
28/05 - Diego Ventura – Leonardo Hernández, mano-a-mano (Capea)
29/05 - Morenito de Aranda, Iván Fandiño e Gonzalo Caballero (Pereda)
30/05 - Nov. Leo Valadez, Diego Carretero e Andy Younes (Montealto)
31/05 - Miguel Ángel Perera, López Simón e Roca Rey (Victoriano del Río)
01/06 - José Mª Manzanares, Cayetano e Joaquín Galdós (cf.) (Juan Pedro)
02/06 - Enrique Ponce, David Mora e Varea (conf.) (Garcigrande)
03/06 Nov. Juan Miguel, Alejandro Marcos e Ángel Sánchez (Flor de Jara)
04/06 - Javier Castaño, Fernando Robleño e J. Carlos Venegas (Cuadri)
05/06 - Rafaelillo, Alberto Lamelas e Gómez del Pilar (Dolores Aguirre)
06/06 - Diego Urdiales, Talavante e Paco Ureña (Victorino Martín)
07/06 - Fernando Robleño, Alberto Aguilar e Pérez Mota (Rehuelga)
08/06 - El Cid, Joselito Adame e Juan del Álamo (Alcurrucen)
09/06 - Antonio Ferrera, Juan Bautista e Manuel Escribano (Adolfo Martín)
10/06 - Hermoso de Mendoza, Sergio Galán e Lea Vicens (Bohórquez)
11/06 - Rafaelillo, Dávila Miura e Rubén Pinar (Miura)
FORA DE ABONO
16/06 - El Juli, Alejandro Talavante e José Mª Manzanares (V. Río) Benef.
17/06 - Morante, Cayetano e o triunfador S.Isidro (Cuvillo) Corrida da Cultura.

OS PRIMEIROS CARTÉIS DA TEMPORADA EM LISBOA

A temporada comemorativa dos 125 anos da Monumental do Campo Pequeno foi apresentada, no final da tarde de hoje, tendo como cenário a arena da capital.
Haverá corridas nos dias 6 de Abril, 18 de Maio, 8 e 29 de Junho, 6, 13, 20 e 27 de Julho, 3, 10 (novilhada de oportunidade a novos valores do toureio) e 18 de Agosto, 7 de Setembro e 12 de Outubro (Corrida de Gala à Antiga Portuguesa).

Estas são as combinações da primeira metade do Abono:

• 6 de Abril; Corrida Mista. Cavaleiro João Moura. Matadores Juan José Padilla e Roca Rey. Forcados Amadores de Vila Franca. 2 Toiros de Mário e Herdeiros de Manuel Vinhas (lide a cavalo) e 4 de Varela Crujo (lide a pé);

• 18 de Maio: Corrida à portuguesa, de homenagem ao Real Clube Tauromáquico Português. Cavaleiros Pablo Hermoso de Mendoza, João Moura Jr. e Miguel Moura. Forcados Amadores de Lisboa e de Évora. Toiros de António Charrua;

• O cartel da corrida de 8 de Junho está em aberto, mas contará com a presença do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete.

• 29 de Junho: Alternativa do cavaleiro Parreirita Cigano e comemoração dos 40 anos de Alternativa de Manuel Jorge de Oliveira. Corrida à portuguesa. Cavaleiros, Manuel Jorge de Oliveira, Rui Salvador, Ana Batista, João Maria Branco, Jacobo Botero e Parreirita Cigano. Forcados Amadores do Ribatejo, Amadores da Chamusca e Aposento da Chamusca. Toiros de Luís Rocha.

• 6 de Julho: Corrida mista. Cavaleiro João Moura Caetano. Matadores de Toiros: David Fandila “El Fandi” e Juan del Álamo. Toiros da ganadaria Manuel Veiga;

• 13 de Julho: Corrida Mista. Rejoneador Pablo Hermoso de Mendoza. Matador de Toiros José Mari Manzanares. 3 Toiros de ganadaria a designar e 3 Toiros de García Jimenez;

• 20 de Julho: Alternativa de Luís Rouxinol Jr. Cavaleiros António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol, Manuel Ribeiro Telles Bastos e Luís Rouxinol Jr. Forcados Amadores de Santarém e de Coruche e 6 toiros da ganadaria Murteira Grave;

• 27 de Julho: Corrida mista. Cavaleiros: Filipe Gonçalves e Francisco Palha. Matador de Toiros António João Ferreira. Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde e Amadores das Caldas da Rainha. 4 Toiros de Santa Maria e 2 de Falé Filipe.

8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER (2.ª parte)


MULHERES QUE VENCERAM NA PROFISSÃO EM PORTUGAL

Se “olharmos” a História da Tauromaquia encontramos vários nomes femininos que procuraram fazer carreira nas arenas. Porém, ao contrário do que se passou em Espanha (a partir de 1908), em Portugal nunca foi imposta nenhuma medida que proibisse a apresentação de mulheres nas arenas.

Em Portugal, particularmente, a partir da década de 40 do século XX, surgem pontualmente alguns nomes femininos a quererem singrar no toureio a cavalo, entre elas os de Maria da Graça e Nazaré Felício, ambas discípulas de D. João e D. Alexandre Mascarenhas; Maria Mil Homens, Elisa Raposo, Dália Cunha e Gina Maria. Porém, em Portugal o nome que pontificou foi o de Conchita Cintrón (peruana, casada com um português), “La Diosa Rubia”, uma das máximas referências, como mulher e toureira, nas arenas de todo o mundo. Na década de 70, Ana Maria, de Azambuja, vestiu-se de luces e mediu-se dignamente com os novilheiros da época. Posteriormente (década de 90), aparecem as cavaleiras Marta Manuela e Mónica Monteiro, que não chegam a profissionalizar-se.
No inicio do Século XXI, surgem as primeiras alternativas de cavaleiro tauromáquico em Portugal: Sónia Matias (18.06.2000 – Santarém) e Ana Batista (08.07.2000 – Coruche), abriram portas e são referência para tantas outras... Ambas lograram vencer na profissão! Tomaram também a alternativa, Joana Andrade (10.04.2010 – Montijo) e Ana Rita (05.08.2011 – Redondo). No entanto, outros nomes prosseguiram a mesma meta, como por exemplo Isabel Ramos, que não chegou a tomar a alternativa.. Actualmente, procuram romper as praticantes Mara Pimenta, Verónica Cabaço, Soraia Costa, Claúdia Almeida e Maria Mira, bem como as amadoras Mafalda Robalo, Inês Silva Carvalho, entre outras… No entanto, não devemos esquecer, o nome de Paula Santos, que actualmente frequenta a Escola de Toureio da Moita.



8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER (1.ª parte)


NOMES FEMININOS QUE LUTARAM PELA IGUALDADE ALÉM FRONTEIRAS


Depois de uma dura cruzada, as mulheres lograram entrar num mundo, exclusivamente, de homens. Em Espanha, as histórias multiplicaram-se e hoje destacamos três:

  1. No último quarto do século XVIII, uma mulher atreveu-se a rivalizar com os nomes mais sonantes da época. Nicolasa Escamilla “La Pajuelera” chamou à atenção pelo seu invulgar valor. Goya viu-a tourear em Zaragoza, onde picou e lidou um toiro, e imortalizou-a nas suas pinturas dedicadas à Tauromaquia.
  2. O caso mais célebre e insólito foi protagonizado por Maria Salomé “La Reverte”. Dizem que foi valente, hábil com as bandarilhas e eficaz com o estoque, e que a partir de 1908 assegurou que era um homem – de nome Agustín Rodríguez – para “burlar a proibição” e continuar nas arenas. “La Reverte” apresentou-se na praça de toiros do Campo Pequeno na temporada de 1902, e segundo as prosas de então, agradou pela decisão e elegância como bandarilhou, e pelo bom estilo com o capote e muleta.
  3. Um outro episódio singular foi passado com Juanita Cruz, também muito marginalizada pela lei. A sua primeira actuação aconteceu em Cabra (Córboba) no ano de 1933, fazendo o paseíllo ao lado de Ramón Lacruz e de um então desconhecido Manuel Rodríguez “Manolete” como sobresaliente, numa tarde em que cortou os rabos dos seus dois novilhos, e que lhe valeu somar 33 novilhadas nessa temporada. Juanita Cruz debutou em Madrid, a 2 de Abril de 1936, com novilhos da viúva de Garcia Áleas. Após a Guerra Civil foi viver para a Venezuela e mais tarde converteu-se na primeira mulher a receber a Alternativa, a 17 de Março de 1940 em Fresnedilla (México), tendo como padrinho Heriberto García com toiros de Cerro Viejo. Ao longo da sua carreira dizem que participou em cerca de 700 festejos, dos quais 460 foram na América, e nunca vestiu taleguilla, usando vestidos de tourear com saia bordada. Juanita Cruz apresentou-se ao público português, no Campo Pequeno, a 11 de Junho de 1933. Como dado curioso regista-se o texto inscrito na lápide do seu mausoléu do cemitério de La Almudena, em Madrid (uma escultura de tamanho natural, em que a toureira aparece a brindar) lê-se: “A pesar del daño que mi hicieron en mi pátria los responsables de la mediocridad del toreo de 1940-50… Brindo por España!”

Mas a história de nomes femininos no toureio (por todo o mundo) teve continuidade. Entre as que tomaram a alternativa encontramos: Morenita de Quíndio (colombiana), Ângela Hernández (espanhola), Raquel Martínez (mexicana), Maribel Atienza (espanhola), Lola de España (espanhola), Cristina Sanchez (espanhola), Mari Paz Vega, Raquel Sánchez (espanhola), Marbello Romero (mexicana), Hilda Tenorio (mexicana), Sandra Moscoso (espanhola), Lupita López (mexicana), Milagro Sánchez (peruana) e Conchí Rios (espanhola). Por todo o mundo, outros nomes femininos estiveram anunciados em cartéis, mas nunca se chegaram a profissionalizar…


No que diz respeito ao toureio a cavalo além fronteiras, o nome de Conchita Citrón é uma referência, seguindo-se entre outros, a francesa Maria Sara, a espanhola Raquel Orozco, as francesa Nathali e Patricia Pellén, a mexicana Mónica Serrano, a espanhola Noélia Mota e mais, recentemente, a francesa Léa Vicens, actualmente, presente nas grandes feiras.