terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BULLFEST: "ABRIR AS PORTAS" AO MUNDO GLOBAL...

Lisboa, 18 de Fevereiro 2017
Por: Catarina Bexiga

O Bullfest nasceu com a intenção de “abrir as portas” ao mundo global, promovendo a Tauromaquia como manifestação cultural enraizada na sociedade portuguesa.  Reconheço valor e mérito à ideia. Congratulei-me com a presença dos mais novos, pelo entusiasmo com que viveram todas as actividades, como se naquela hora o mundo estivesse a olhar para eles; como se naquela hora se sentissem enfundados num precioso terno “tabaco y oro”; como se naquela hora o público gritasse eufóricos “olés” e, no fim, levasse-os em ombros pela porta grande com a mesma emoção com que vimos, recentemente, acontecer com  Juan José Padilla. Os olhos de todas aquelas crianças brilhavam e acredito que para casa transportaram o coração cheio de sonhos… 

Reconheço valor e mérito ao conceito, mas… Partindo do princípio que é preciso “conservar” os que cá estão – verdadeiro sustento do espectáculo - e criar aliciantes para os que se possam tornar aficionados,  a ideia de recuperar as lides a duo, no Festival Taurino de Sábado à tarde, pareceu-me, completamente, caduca. Excepto dois ferros de Francisco Palha – o único que marcou a diferença – no meio de tantas voltas e voltinhas, as actuações dos nossos cavaleiros careceram de interesse para quem quer que fosse. No livro das recordações, ficou a pega de Hugo Figueira (Redondo) superiormente ajudado por Pedro Coelho dos Reis (Aposento da Chamusca);  a espaços a presença dos matadores de toiros “El Fandi”, António João Ferreira e Manuel Dias Gomes; e ainda a emoção reavida pelos recortadores do grupo ArteLusa.

Considerações à parte, em prol da defesa da Tauromaquia, o Festival Taurino merecia muito mais público… Os que esgotam as bancadas para ver Pablo e Ventura – e que presumem a sua afición – também lá deveriam ter ido. Porque o “amor” à Tauromaquia  não se pode resumir a dois nomes…


Da “oferta” taurina, o grande destaque vai para a apresentação do documentário “Torrinha, de corpo e alma”, da realizadora francesa Jennifer Ajuriaguerra. Um documentário que retracta a obra deixada por Mestre David Ribeiro Telles.