sábado, 15 de julho de 2017

LISBOA: A CLASSE DE MANZANARES…

Lisboa, 13 de Julho 2017
Por: Catarina Bexiga

CLASSE. A palavra que define a última noite de toiros no Campo Pequeno. A palavra que define o toureio de José Maria Mazanares.
A faena ao quarto da noite (Garcia Jimenez), que de início investiu no capote do toureiro de Alicante, pelos dois pitóns, com nobreza e humilhado, fez-nos acreditar que algo de importante se pudesse vir a passar na arena de Lisboa. O saludo capotero foi precioso. A expressão de cada verónica e aquelas ajustadas chicuelinas, de mãos baixas, foram obra de génio. Depois José Maria levou a cabo uma faena perfumada de classe, temple, harmonia e torería. Gostou-se Manzanares. Completamente metido na faena, esteve extraordinário com a mão direita e com la zurda igual. Toureio do caro. Com empaque nos tendidos. Apoteótica faena de José Maria Manzanares.

Com o seu primeiro esteve sóbrio; o toiro de Núñez de Tarifa não acabou de romper, igual que a faena. Com o último, de Juan Pedro Domecq, com o capote voltou a entusiasmar –  como sobresaliente “Cuqui” saiu ao quite por gaoneras – e quando a faena começara a ganhar forma convidou de novo Joaquim Ribeiro para partilhar consigo a faena. Inédito e Inoportuno. “Cuqui” agradecido respondeu com entrega. Quem pagou para ver Manzanares com três toiros sentiu-se defraudado.

No quarto toiro Manzanares foi premiado com duas voltas à arena, e no sexto (faena que não fez!) com mais duas. Resultado: saída em ombros pela porta grande!? Como!? É pena que a grandeza do toureio se misture com outros interesses…

A presença de Pablo Hermoso de Mendoza resumiu-se à sua última actuação. Os dois primeiros toiros de Charrua não serviram para Pablo brilhar, sem raça (Jacobo Botero como sobresaliente cravou dois curtos no segundo); o ultimo teve mais virtudes, mas no meu entender não tantas como o “Presidente” entendeu, com a chamada do ganadero à arena.  Montado no “Brindis” e com o “Disparate”, tirou partido das hermosinas e cravou os seus melhores ferros da noite.

Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Francisco Barreto á segunda tentativa, João da Câmara à quinta e a encerrar Francisco Borges à primeira.