sábado, 21 de maio de 2016

COMEMORAÇÃO VERSUS PREOCUPAÇÃO

Lisboa
19 de Maio 2016

Por: Catarina Bexiga

Passados 10 anos sobre a data da reinauguração da praça de toiros do Campo Pequeno, a lotação das duas primeiras corridas da temporada 2016 (cerca de meia entrada) reflecte uma realidade que a todos deve preocupar. O desaparecimento do factor novidade e a ausência de cavaleiros “taquilleros” estão a comprometer a gestão da arena da capital. Todavia, em noite de comemoração valeu a maturidade de João Moura e António Telles…

Do curro de Vinhas sobressaíram dois toiros, o primeiro e o sexto da função; para mim, melhor o último, com mais transmissão nas investidas. Os restantes foram mais reservados, embora o Delegado Técnico mostrasse o lenço azul (que premeia o ganadero) no quinto e depois no sexto da função.

João Moura teve uma primeira actuação para recordar. Montado no Zinco, deu importância ao toureio fundamental, manteve o interesse ferro a ferro, sempre em crescendo, e terminou com um grande curto. O público da capital, pouco entendedor do que é o toureio em toda a sua dimensão, pouco valorizou o labor do cavaleiro de Monforte. Foi preciso recorrer ao galope a duas pistas para que o colectivo despertasse… Frente ao quarto, com um conceito mais cambiado, os resultados também foram mais intervalados.

António Telles rubricou duas actuações plenas de conhecimento. Com o segundo da noite, apostou no Dali, sentiu-se vibração no seu toureio, e sobretudo dois curtos que fazem acreditar na nova montada. Com o quinto, mais tarde que o anterior, coube ao Telles dar tudo de si. Preparou as sortes primorosamente (chinês para o público da capital), e com o Alcochete houve dois curtos de lei.

Rui Fernandes teve uma passagem demasiado intermitente pela arena do Campo Pequeno, e inclusive com atitudes impróprias para com o Delegado Técnico, Tiago Tavares, pelo facto de não lhe conceder música durante a lide do último.


Para os dois grupos de forcados a noite veio de menos a mais. Por Santarém pegaram Diogo Sepúlveda à quarta, Lourenço Ribeiro e João Brito ambos à primeira, com duas grandes pegas. Pelo grupo de Lisboa concretizaram Pedro Maria Gomes à quarta, Manuel Guerreiro à primeira e Pedro Gil, outra grande pega, à segunda.