segunda-feira, 2 de setembro de 2024

MONTEMOR-O-NOVO: COM A ASSINATURA DO GRUPO DA TERRA!!!

Por: Catarina Bexiga
Marcaram o grupo de Montemor e o grupo de Montemor marcou as suas vidas. Francisco Borges e Francisco Godinho são dois forcados que ficam na história do grupo alentejano; mas o grupo também se pode orgulhar das suas trajectórias e da forma como sempre defenderam a jaqueta que envergaram. Acredito que também por eles – porque o mereciam – Montemor voltou a ser praça cheia (esgotada!).
Francisco Borges fez a sua última pega ao terceiro da tarde, após um brinde comovente, aos seus pais, mulher e filhos. As suas últimas palavras dizem muito de si: “É por vocês esta decisão, são a primeira coisa que tenho na vida que se sobrepõe ao grupo de Montemor. Sempre quis ser forcado e sempre sonhei ser forcado, e sempre só soube viver para o grupo de Montemor a 100 %, mas a partir de agora vou viver a minha família a 100%.”
O conhecido rabejador Francisco Godinho pegou o quinto da tarde, também com um brinde semelhante, de agradecimento aos pais (e a um amigo do pai, companheiro de viagens), com palavras simples, mas cheias de grandeza: “Obrigado, pelos milhares de quilómetros que me acompanhaste e fizeste por mim, para ser aquilo que sou no grupo de Montemor e a fazer aquilo que mais gosto.”
Tarde de palavras bonitas, emoções fortes e forcados valentes, ontem, em Montemor. As pegas estiveram a cargo de António Pena Monteiro, após a tentativa frustrada de cernelha; seguindo-se José Maria Pena Monteiro; Francisco Borges; Pedro Santos superiormente ajudado pelo seu filho; Francisco Godinho e Vasco Ponce, todos ao primeiro intento. Tarde de grandes pegas!
O curro de São Torcato impôs respeito pela sua seriedade. E a prova de que trapio não é sinónimo de peso, são os exemplares que saíram à arena de Montemor. Excepto o quinto, mais justo de apresentação, nenhum ultrapassou os quinhentos quilos de peso e todos impunham respeito. O primeiro da tarde (prestes a cumprir 6 anos) revelou-se complicado; o segundo foi pronto nos cites; o terceiro, manso, com querença em tábuas; o quarto foi encastado atrás do cavalo, mas faltou no momento na reunião; o quinto, um toiro fácil e o sexto igual.
De toureio a cavalo sobressaiu a forma como António Telles filho lidou o terceiro da tarde, um toiro manso, com querença em tábuas, que obrigava qualquer um a fazer um esforço suplementar. Para quem gosta de ver lidar um toiro na sua máxima expressão, deu gosto ver! Montado no “Sherpa”, António não poderia ter estado mais intencional, mais poderoso, mais meritório. A lide foi claramente superior aos ferros. Com o sexto, novamente, com o “Sherpa”, a actuação não teve força para romper, insistindo nas entradas ao pitón contrário e comprometendo as reuniões.
Francisco Palha não teve uma tarde fácil. Logo de saída, o seu primeiro revelou-se perigoso, adiantando-se ao cavalo, e Palha cravou os ferros como pôde, com o “Rebelde”. Com o segundo, montado no “Jaquetón”, a actuação levou tempo a definir-se, sendo a fase final a mais convincente.
O cavaleiro Miguel Moura apontou uma gaiola empolgante com o “Faraó” no seu primeiro toiro, mas depois a série de curtos resultou mais discreta com o “Juventus”. Com o segundo, a actuação teve dinâmica e ligação, com o mesmo cavalo, mas não passou disso.
Não restam dúvidas, a tarde teve a assinatura dos Amadores de Montemor-o-Novo!
Foto: Facebook Amadores de Montemot-o-Novo

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