quarta-feira, 7 de outubro de 2026

VILA FRANCA: NOITE DE SERIEDADE E EXIGÊNCIA. E ANTÓNIO PRATES A MARCAR A DIFERENÇA!

Por: Catarina Bexiga

Não há como a Palha Blanco. Em seriedade e exigência. Ontem, fez-se silêncio até para se ver tourear a cavalo (coisa rara entre nós!); um silêncio que pode parecer duro, mas que, no fundo, é o silêncio do respeito. Um ambiente pouco querido dos nossos cavaleiros, mas que só dá grandeza ao espectáculo e a quem se sabe superar na Palha Blanco. Porque nos grandes palcos as palmas não se pedem, conquistam-se. E assim é em Vila Franca. Ontem, não houve toiros de “passerelle”; houve um curro de Veiga Teixeira sério e exigente que colocou a todos à prova. Sem excepção.

À arena saíram seis exemplares rematados, todos com cinco anos ou à beira de os cumprir, sendo merecida uma palavra de enaltecimento ao empresário Bernardo Alexandre, pela importância que quis aportar à Feira de Outubro nos seus dois espectáculos.

João Salgueiro teve duas actuações diferentes em mérito. Na primeira um mérito enorme, porque o Veiga Teixeira media, esperava, arreava… um “tio” para mandar qualquer um para casa. E Salgueiro “puxou dos galões”. Não foi uma actuação brilhante, mas foi uma actuação de superação. De valor. Com o segundo, as dificuldades foram menores, mas a actuação muito mais discreta.

João Moura Jr. também assinou duas actuações distintas. Com o seu primeiro de Veiga Teixeira (distraído e indiferente) limitou-se a cravar os ferros; mas com o seu segundo, com mais vontade de investir (um bom toiro merecedor da chamada à arena do maioral) e mais apto ao seu conceito, colocou em prática o habitual toureio de praça a praça, viagens vibrantes (mas enganosas) e reuniões na paralela.

Os ferros da noite foram da autoria de António Prates. E esta foi a vez que vi o cavaleiro de Vendas Novas mais maduro e mais toureiro. Só tenho pena que não tenha o seu conceito totalmente definido. Porque foi um “Prates” no primeiro toiro e outro “Prates” no segundo. E o que vi no primeiro merece ser valorizado e elogiado. Montado no Fantástico, marcou a diferença na disposição e em muitos detalhes, para depois voltar a marcar também a diferença na forma como provocou o toiro e como cravou com impacto. Com o segundo do seu lote, manteve a atitude, mas mudou de conceito.

Grande noite tiveram os Amadores de Vila Franca. Pois é com toiros como os de Veiga Teixeira desta noite que se vê quem são os FORCADOS com maiúsculas. Noite de mudança de cabo e passagem de testemunho de Vasco Pereira para Rodrigo Dotti. Foram Caras Rodrigo Andrade à primeira tentativa, Lucas Gonçalves à segunda, Vasco Pereira à primeira, Vasco Carvalho à segunda, Guilherme Dotti apenas à quarta e Rodrigo Camilo à primeira. Como primeiro-ajuda, o novo cabo, Rodrigo Dotti, esteve enorme. Mais uma noite bonita para a história dos Amadores de Vila Franca.

Termino como comecei: Não há como a Palha Blanco. Em seriedade e exigência!

FOTO: PEDRO BATALHA

VILA FRANCA: TARDE DE SERIEDADE E COMPROMISSO

Por: Catarina Bexiga

Tarde de seriedade. Tarde de compromisso. Para mim, as duas palavras que melhor definem o que se sentiu, ontem, na centenária Palha Blanco. E quando assim acontece, todos ficamos a ganhar!

Para o Toureio a Cavalo saíram três grandes toiros (dois sorteados e um sobrero) de Murteira Grave. Três toiros diferentes, mas cada um deles com muitas virtudes. O primeiro teve mobilidade e cadência; o segundo empurrou e transmitiu (merecida a chamada à arena da ganadera); e o terceiro (sobrero), um outro exemplar oriundo da Galeana com muita qualidade . Dos dois Sommer d’Andrade resenhados, ambos com mais de 700 Kg, apenas se lidou um, que embora acompanhasse os cavalos, no momento do ferro esperava e atravessava-se ligeiramente.

Cientes de que estavam na Palha Blanco, Miguel Moura e Tristão Ribeiro Telles “não deixaram os seus créditos por mãos alheias”. Em ambos do lote, Miguel Moura colocou em prática o mesmo conceito, mas foi com o primeiro toiro de Murteira Grave que conseguiu a sua melhor actuação. Montado no “Juventus”, os ferros resultaram correctos, mas careceram de impacto; e foi nos remates que mais empolgou, ladeando com cingimento, sempre com o toiro cozido ao cavalo junto ao estribo. Com o de Sommer d’Andrade, Tristão não se sentiu confortável (e teve motivos para isso); mas o destinou compensou-o com um grande toiro de Murteira Grave. Montado no “Formigo”, cresceu como toureiro, veio a mais, colocando disposição em tudo o que fez e terminando com dois ferros de muito mérito.

Tarde de superação para os dois grupos em praça. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Joel Santos à segunda tentativa; e José Maria Cortes à primeira, com uma grande ajuda do cabo António Pena Monteiro. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Rodrigo Camilo com uma grande ajuda do futuro cabo Rodrigo Dotti; e Miguel Faria apenas à terceira.

O matador de toiros Daniel Luque mostrou, também na Palha Blanco, o grande momento que atravessa. Com dois toiros exigentes de Falé Filipe, sobraram capacidades e argumentos para contornar as dificuldades de ambos do seu lote. Sobretudo, no último da tarde, quando poucos acreditavam na faena, Luque assumiu o seu estatuto, insistiu, ampliou as investidas do toiro, impôs-se, e mudou o rumo da história, colocando a Palha Blanco rendida a si.

Tardes assim, sem triunfalismo estéreis, mas de seriedade e compromisso são tardes que fazem falta!

FOTO: PEDRO BATALHA

domingo, 9 de agosto de 2026

O ESTADO DA NAÇÃO...

 

Por: Catarina Bexiga

Não sei escrever de glamour. Por isso, não sei escrever sobre o Campo Pequeno… que se tornou o local onde o que mais interessa é “vender” glamour (por parte da empresa) e “passear” glamour (por parte da maioria dos seus frequentadores). Prefiro escrever sobre toureio ou sobre as ideias que, muitas vezes, me inquietam após um espectáculo taurino. Deve ser limitação minha, sentir dificuldade em conviver com tanto glamour junto. Mas, prefiro mesmo o toureio. É ele que me leva às praças!

Por falar em toureio… Nos últimos tempos, o Toureio a Cavalo tem sofrido mudanças significativas. Uma delas – quiçá a mais alarmante – a forma como a grande parte dos nossos cavaleiros toureiam em função do toiro que têm na cabeça e não em função do toiro que têm pela frente. Hoje quer-se impor a mesma lide a todos os toiros - os mesmos terrenos, as mesmas distâncias, a  sorte da moda (ao pitón contrário), etc. – quando muitas vezes o próprio animal pede o contrário. O que castra, de imediato, o interesse da modalidade. Porque cada toiro tem o seu comportamento e a cada um tem que se lhe dar a lide adequada. Chama-se, a isso, toureio!

No entanto, a tendência não está apenas no que atrás menciono; depois – sobretudo através das redes sociais – querem-nos fazer acreditar numa coisa que não aconteceu. E que até os próprios vídeos que publicam revelam às claras!  Quiçá, na tentativa que persuadir os menos conhecedores e menos exigentes; ou mesmo, de colocar em causa (e fazer duvidar) o conhecimento do próprio aficionado que sabe o que é o toureio. Mas lá diz o provérbio, “mais cego que o cego é aquele que não quer ver!”.

Só por descargo de consciência… ontem, houve toiros no Campo Pequeno. Duarte Fernandes tomou a Alternativa das mãos do seu tio Rui Fernandes. E coube ao novato cavaleiro – que se vê sobrado de capacidades – a lide mais interessante da noite; a primeira, com um toiro de Maria Guiomar Cortes de Moura que se mexeu, embora carecesse de transmissão. Diego Ventura esbarrou com o pior lote (de um curro gordo e sem raça) e não se sentiu a gosto; e Rui Fernandes andou animoso. Pegaram os Amadores do Aposento da Moita (com destaque para o valor de António Lopes Cardoso) e os Amadores de Turlock.

Volto a afirmar, escrever de glamour não é para mim…


sábado, 18 de julho de 2026

CAMPO PEQUENO: MORANTE, UM NOME COM SELO!

Por: Catarina Bexiga

Dizem que é o melhor toureiro da história. E eu acredito. O seu conceito rompe protótipos. Em si vemos vários toureiros e várias épocas do toureio. Vemos o melhor de Joselito, Belmonte, Chicuelo, entre outros. José António, Morante de la Puebla, resume a história do toureio. Há quem lhe veja tudo e quem não lhe veja nada. É normal, porque o toureio tem destas coisas. Mas José António tem algo diferente…sobra-lhe (em sentido figurativo) torería. Em todas as expressões, em todos os gestos. Em todo o corpo, há um toureiro. O seu conceito tem feitos sonhar os aficionados. Como aquele 14 de Junho de 2005 em Salamanca – que tive a sorte de ver «in loco» – sobre a qual José António definiu: ¿La faena de su vida? “Puede que sí, ahora mismo no recuerdo una igual. A esta le he puesto el corazón y el alma, y he sentido cosas muy bonitas”; ou como aquele 5 de Abril de 2006 em Sevilla, em que o de La Puebla definiu: "Si no fue la faena soñada, estuvo muy cerquita.". José António é um privilegiado; e nós, aficionados, igual. Porque nascemos e vivemos no seu tempo.

Ontem vimo-lo no Campo Pequeno. Como ele próprio é. No entanto, trazer uma Figura do Toureio a Portugal tem que se lhe diga. As imposições são sempre muitas…e há sempre quem tenha que ceder. Os dois toiros de Álvaro Nuñez, terciados, resenhados para Morante de la Puebla não me surpreenderam. O episódio repete-se quase sempre que uma Figura do Toureio se deixa anunciar no nosso país. Salvo raras excepções. E houve mesmo quem mostrasse o seu descontentamento, mas o ambiente (festivo) fez parecer outra coisa. Não reclamo para o Campo Pequeno, o toiro de Madrid ou Bilbao, mas, o Campo Pequeno merece um toiro com apresentação condizente com a sua categoria. E isso não aconteceu. O certo é que quanto mais importância se dá ao toiro… mais importância terá a obra com ele conseguida. Não tenham dúvidas.

José António, Morante de la Puebla, manteve a chama acesa toda a noite. Toureou à verónica, ao ralenti, rematando com meia, seguido de um quite por chicuelinas, o seu primeiro. Depois começou a faena junto a tábuas com o braço esquerdo apoiado na madeira, com tremendo gosto e imensa torería. Como foi aquele trincherazo imortal.  O toiro revelou-se manso, com tendência para descair para os terrenos de dentro, mas Morante colocou harmonia em tudo o que fez, sobressaindo vários derechazos… que muitas vezes pareceram intermináveis. Com o seu segundo, agitaram-se as bancadas quando pediu para bandarilhar. Todavia, contou mais a intenção, do que os resultados. O toiro de Álvaro Nuñez tinha mais exigências que o anterior, e obrigou a um Morante mais sabedor. Começou a faena de joelhos em terra, com ajudados por alto, para depois ir construindo a faena pouco a pouco, tendo como epilogo uma serie de naturais, com vários muletazos que ficam na retina.

A poucos dias de tomar a alternativa, Tomás Bastos teve uma noite que terminou melhor do que começou. Recebeu o seu primeiro à verónica, seguindo-se um quite por saltilleras. O novilho de La Cercada não lhe colocou as coisas fáceis. Bastos tentou a sorte pelos dois pitóns, mas a falta de raça do inimigo condicionou muito o luzimento do seu labor. Para receber o último colocou-se de joelhos para um farol seguido de verónicas. E o ambiente aqueceu. Pediu também ele para bandarilhar, mostrando que é um tercio que domina com facilidade. O início da faena foi titubeante, até que entendeu o novilho e a faena foi crescendo de interesse. Sobressaíram as últimas series de naturais, largos e com empaque. Terminou a faena por ajustadas bernardinas.

A noite começou com o toureio a cavalo. António Ribeiro Telles rubricou uma actuação dentro do que nos habituou ultimamente. Dos três compridos, destacou-se o terceiro, poderosíssimo. Depois, montado no Alegre, preparou as sortes com classe, com o cavalo a passo, sabendo o que estava a fazer. A serie de curtos teve como ponto alto o terceiro.

Fermín Bohórquez vestiu-se de toureiro, por um dia, para fazer as cortesias no Campo Pequeno. Andou a gosto, sem lhe pesar o regresso, logrando uma actuação vistosa, rematada com dois pares de bandarilhas.

Lidaram-se dois toiros de Murteira Grave fáceis, tendo o segundo proporcionado a chamada do do ganadero à arena. Prémio que me pareceu excessivo.

Pelos Amadores de Santarém pegaram Francisco Graciosa à primeira tentativa e Salvador Ribeiro de Almeida à segunda.

No inicio, o compositor António  Catalão Labreca entregou a Morante de la Puebla a partitura com o pasodoble que lhe dedicou e que foi escutado durante uma das suas faenas.

A predisposição para ver o diestro de La Puebla foi a mesma toda a noite. Porque se a lotação do Campo Pequeno esgotou quatro dias antes foi graças a ele. E no fim, o esperado: Morante em ombros pela porta grande do Campo Pequeno!

FOTO: PEDRO BATALHA

terça-feira, 7 de julho de 2026

VILA FRANCA: UM REGRESSO QUE CRIOU EXPECTATIVAS!

Por: Catarina Bexiga

É sempre um Domingo diferente. Este foi o Colete Encarnado mais quente dos últimos tempos. Temperaturas a rondar os 40 graus, um sol que fazia brilhar ainda mais cada colete encarnado vestido, um calor que os heróis da lezíria já estão habituados a suportar. A Festa é deles. Dos campinos!

E foi um Domingo diferente também por outros motivos. Voltou João Salgueiro às arenas. Um regresso envolto em mistério e expectativas, que mexeu com os aficionados. De um toureiro com quase 60 anos de idade, com cabelos brancos, que aceitou retornar à actividade, e logo, na Palha Blanco, com o peso que isso acarreta: assumindo a exigência do seu público, com dois toiros quase cinqueños, e sem cavalos “toureados em praça”… Tenho que lhe reconhecer mérito!

O público estava predisposto a receber João Salgueiro. Não sabia o que esperava. Mas sabia que tudo podia acontecer. O primeiro toiro de Condessa de Sobral acabou em tábuas, depois de Salgueiro sentir dificuldades em deixar a ferragem da ordem. Um aviso e dois curtos apenas no toiro. O publico respeitou o cavaleiro e adiou a sua expectativa para o seguinte. Mas Salgueiro não desmoralizou e no segundo do seu lote, que serviu para o cavaleiro colocar em prática o seu conceito – sendo exagerada, do meu ponto de vista, a chamada do maioral – saciou os seus seguidores. Citou de largo, meteu-se com o toiro, no primeiro e terceiro “tocou” no pitón contrário, no segundo curto foi mais verdadeiro, mas com três ferros apenas deixou a Palha Blanco em delírio.

João Moura Jr. assinou duas actuações muito idênticas em conteúdo e resultados. Com um conceito modernista do toureio a cavalo, mas, sem dúvida, com atitude na sua postura e seguro dos seus intentos. As mesmas distâncias, a mesma forma de abordar o toiro, sempre com inflexões ao pitón contrário. Um conceito que de tão controlado e mecanizado, se torna, muitas vezes, repetitivo. O seu segundo toiro teve raça, investiu com alegria e foi o melhor dos lidados a cavalo. Merecida a chamada à arena do ganadero e maioral.

Tarde triunfal para os Amadores de Vila Franca de Xira. Pegaram Guilherme Dotti, Miguel Faria, Rodrigo Andrade, superiormente ajudado por Diogo Duarte, e Rodrigo Camilo. Todos à primeira tentativa, numa prova de firmeza e coesão do grupo.

O matador de toiros Borja Jiménez veio a Vila Franca reafirmar o seu bom momento, e as suas grandes capacidades. De capote apenas teve oportunidade de se luzir no segundo. Ao seu primeiro de Condessa de Sobral faltou fundo e ao segundo raça; mas o diestro de Espartinas esteve seguro, insistente, construindo duas faenas em que aproveitou tudo o que os toiros levavam para dar. Houve muletazos largos, poderosos, de mão baixa… e a fazer soar os olés na Palha Blanco.

Bandarilharam superiormente o espanhol Juan Carlos Rey e o português João Ferreira, ambos saudando de montera na mão.

Mais um Domingo de Colete Encarnado… mas este com um sabor diferente!

FOTO: PEDRO BATALHA

domingo, 14 de junho de 2026

REGUENGOS DE MONSARAZ: HÁ UM NOVO ROUXINOL NAS ARENAS!

Por: Catarina Bexiga

Acredito que para Luís Rouxinol tenha sido um dia carregado de emoções fortes; pois, na temporada que antecede a da sua despedida das arenas, após 40 anos de Alternativa, ainda tem o privilégio de assistir ao debute de mais um filho toureiro. Só ele saberá o que levava na cabeça e transportava no coração. Sensações únicas e, com toda a certeza, um dia que jamais esquecerá. Ontem, o Simão Vicente partilhou as cortesias com o seu pai e com o seu irmão, junto com António Telles pai e filho; figura franzina e rosto sério, um misto de acanhamento e responsabilidade, que com o passar do tempo se foi transformando em confiança e optimismo. Após as quatro primeiras actuações, o Simão saiu à arena para concretizar um sonho, brindado a lide ao público e, a título póstumo, ao seu avô, Alfredo Rouxinol, o patriarca da família Rouxinol. Os compridos ajudaram a “medir” o Passanha (reservadote) e a “sentir” o público (que muito o acarinhou), mas também a descontrair; para depois ir buscar a “Nazaré” e revelar-se como toureiro. Teve à vontade dentro da praça quis fazer as coisas bem feitas e cravou quatro curtos de excelente nota. Promissora estreia… e é caso para afirmar: Há um novo Rouxinol nas arenas!

O curro de Vale Sorraia, bem-apresentado e com a sua particular pelagem cardena, saiu díspar de comportamento. O primeiro, foi um toiro fácil; o segundo, mais reservado; o terceiro, voluntarioso; o quarto, manso com querença nas tábuas; o quinto (para a lide a duo, Telles pai e filho) outro toiro manso, mas este complicado; e o sexto (para a lide a duo de Rouxinol pai e filho) colaborador.

De regresso a Reguengos de Monsaraz, António Ribeiro Telles assinou uma actuação que subiu de tom na serie de curtos. Montado no “Alegre”, sentiu-se toureiro, deu gosto vê-lo lidar e os cinco curtos que cravou tiveram a sua chancela. No quarto mostrou-se muito no cite, em tom provocatório, cobrando um grande ferro.

Em tarde de muito significado, as melhores recordações de Luís Rouxinol recaíram nas actuações dos seus dois filhos, pois teve motivos para ficar orgulhoso de ambos. Com o seu toiro andou esforçado, mas sem possibilidade de luzimento.

Luís Rouxinol Jr. voltou a dar nas vistas, de saída, com o “Picasso”, sobretudo pela forma como se superou no segundo comprido, poderosíssimo. Depois, para os curtos, apostou no “Jamaica” e a lide foi em crescendo, procurando dar primazia de investida ao toiro e cravando três grandes ferros curtos.

António Telles filho teve que andar laborioso para conseguir deixar a ferragem da ordem. Não teve fortuna no sorteio, e apesar da disposição, os resultados também demoraram a aparecer.

A duo, António Telles e António Telles filho tiveram uma actuação movimentada; e Luís Rouxinol pai e filho, encerraram a tarde/noite com uma actuação com sabor a êxito popular.

Pelos Amadores de S. Manços, João Amador dobrou Martim Moreno, sendo superiormente ajudado, seguindo-se Rodrigo Grilo à primeira. Pelos Amadores do México concretizaram Alejandro Batista à terceira e o cabo René Tirado à primeira. Pelos Amadores de Monsaraz foram caras André Claudino à segunda e Miguel Valadas à primeira. O novilho de Passanha foi pegado pelos três grupos, sendo cara Manuel Valadas, dos Amadores de S. Manços, que dobrou Afonso Amador.

De Parabéns está a Reguengos Afición por todos os trabalhos de melhoramento que têm feito na praça de toiros “José Mestre Batista”; agora também com novos curros. Um exemplo a seguir.

FOTO: PEDRO BATALHA

domingo, 24 de maio de 2026

SALVATERRA DE MAGOS: ROUXINOL JR. IMPÔS-SE. TELLES FILHO DEU A CARA.

Por: Catarina Bexiga

Luís Rouxinol Jr. e António Telles filho aproveitaram a oportunidade e “marcaram pontos” na tarde de ontem, no tradicional Concurso de Ganadarias de Salvaterra de Magos. As suas actuações foram diferentes, até porque o cavaleiro de Pegões saiu favorecido com o lote que lhe tocou em sorte; mas, acima de tudo, foram os argumentos que ambos apresentaram com cada um dos seus toiros que fizeram da tarde interessante e diversificada.

Dizia-me um amigo, aqui há dias, agora quando se pergunta: como andaram os cavaleiros em determinada tarde? A resposta mais comum de se ouvir: “andaram benzinho”; mas, a verdade, é um “andaram benzinho” que no dia seguinte já ninguém se lembra. Mas, ontem, em Salvaterra não foi isso que aconteceu, porque o que vimos ontem, ainda nos lembramos hoje… e por mais alguns dias!

Luís Rouxinol Jr. teve uma tarde consistente, com muita disposição e determinação. Com o toiro de Lima Cabral – para mim o melhor da tarde – com mobilidade e transmissão, mas que não foi premiado como tal, montado no “Picasso”, começou por apontar um segundo comprido poderosíssimo, para depois construir uma actuação sólida e sempre a mais, com destaque para os dois últimos curtos. Com o toiro de Fernando Palha, Rouxinol Jr. começou com uma gaiola, e a mesma atitude que teve com o primeiro manteve-a no segundo do seu lote. O toiro cumpriu, mas partia para o cavaleiro a passo e sem fijeza, todavia, montado no “Jamaica”, Rouxinol jr. esteve inteligente, esperando pelo toiro e criando burburinho.

Com dois toiros completamente distintos, com muitos problemas para contornar, não podemos ficar indiferentes à postura de António Telles filho. O toiro de José Dias começou por descair para tábuas, mas com o tempo melhorou, facto a que não foi alheio a lide do cavaleiro. Sempre muito decidido e intencional, acabou por fazer com que o toiro se esquecesse da querença manifestada. Para mim a actuação valeu, sobretudo, pela forma como deu a volta ao toiro. Com o exemplar de Torre de Onofre, gazapón, sem entrega, teve uma vez mais que procurar encontrar soluções. A vontade foi a base de tudo o resto. Deu a cara em ambos do seu lote. Tarde muito meritória.

Francisco Palha rubricou uma tarde menos conseguida do que os seus colegas de cartel. O toiro de Foro do Almeida mostrou-se reservado e o de Manuel Veiga igual (no entanto, sobressaiu a forma humilhada como investiu nos capotes). De saída, em ambos os toiros, procurou diferenciar-se; mas depois faltou verdade e consistência ao seu toureio.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram José Duarte à segunda tentativa, Tomé Batalha à primeira e Tiago Silva também à primeira. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Guilherme Dotti à primeira, André Câncio à terceira com uma boa primeira ajuda e Rodrigo Camilo à primeira.

No fim, o júri decidiu premiar o toiro de Fernando Palha com o prémio Bravura e o exemplar de Torre de Onofre (bonito de pelagem e hechuras) com o prémio Apresentação.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

VILA FRANCA: TARDE EXIGENTE. MÉRITO REPARTIDO!

Por: Catarina Bexiga

Tarde exigente, das que pedem capacidades e argumentos, e daquelas que já não estamos muito habituados a ver nos tempos que correm. Mas, por isso, uma tarde diferente, séria, de grande compromisso para todos, das que não enfadam. Os seis toiros a concurso saíram irrepreensíveis de apresentação, cada um dentro do tipo da ganadaria que representava, aplaudido à entrada o 1.º, 4.º e 5.º, mas todos eles com problemas para resolver. O toiro de Cunhal Patrício teve mobilidade, mas foi distraídote e esperava no momento do ferro; o de Sommer d’Andrade revelou-se trotón inicialmente, mas depois modificou-se, e investiu com certa transmissão; o de Canas Vigouroux raspou muito, teve poder, mas saiu com vontade de complicar; o de Oliveira Irmãos esperou sempre muito; o de Fernando Palha teve tendência para descair para tábuas; e o de Vale Sorraia mostrou-se imprevisível, embora no momento do ferro fosse pelo seu caminho.

Perante tal cenário, os três cavaleiros tiveram que “se fazer à vida”… e o mérito foi repartido. Manuel Telles Bastos sentiu-se mais à vontade com o Cunhal Patrício do que com o Oliveira Irmãos; por outro lado António Prates e Tristão Ribeiro Telles dividiram o protagonismo, especialmente, nos seus últimos toiros, com mérito acrescido pela forma como ultrapassaram os problemas. De António Prates sobressaiu a formar desafogada como lidou, prescindindo dos bandarilheiros e tomando ele próprio conta da situação, como já tinha demonstrado no toiro anterior. Depois optou por concretizar a quiebro os ferros sem igualar o nível. Tristão Ribeiro Telles também contornou com irreverência as dificuldades que teve pela frente, que não foram poucas. Deu a cara e marcou pontos.

Pelos Amadores de Santarém pegaram João Faro, Joaquim Grave (que esteve gigante na cara do Canas Vigouroux, esperando estoicamente pela investida) e Duarte Palha. Todos concretizaram à primeira tentativa e conquistaram o prémio em disputa para o melhor grupo. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Rodrigo Andrade à primeira, Rodrigo Camilo à segunda, na melhor pega da tarde, com uma grande primeira ajuda e Vasco Carvalho também à primeira.

No fim, o prémio apresentação foi para o exemplar de Fernando Palha e o prémio bravura para o toiro de Sommer d’Andrade.

Mérito é a palavra que melhor define a tarde de Domingo na Palha Blanco.

FOTO: PEDRO BATALHA

sábado, 2 de maio de 2026

CARTAXO: A SINCERIDADE DO TOUREIO DE PARREIRITA CIGANO!

Por: Catarina Bexiga

O Toureio a Cavalo actual precisa de sinceridade. Daí, a surpresa causada por parte do cavaleiro Parreirita Cigano, ontem, na praça de toiros do Cartaxo. Logo de saída, marcou a diferença, porque fez uma coisa cada vez mais rara de se ver. Em ambos os toiros, parou-se e mostrou-se no cite, montado no “Salpique”, desenhando depois a sorte. Os ferros não foram todos perfeitos, mas as boas intenções estiveram presentes. No seu primeiro toiro começou com dois quiebros, mas como os resultados ficaram aquém do esperado, teve discernimento para mudar de estratégia. E ainda bem que o fez. A restante actuação ganhou novos voos com o “Jogral”, simplesmente, porque abordou o toiro com sinceridade, pisou os terrenos da verdade, ficando com o adversário debaixo do braço no momento da reunião. No segundo toiro manteve o mesmo registo e as mesmas boas intenções. Sem “lições” estudadas, manteve a autenticidade, e quer com o “Lisboa” quer com o “Maravilha”, voltou a cravar um “punhado” de bons de ferros. Ficou provado que, com sinceridade, o caminho pode ser outro…

De Toureio a Cavalo tudo o resto que se viu soube a pouco. Luís Rouxinol teve uma tarde discreta. Por outro lado, Joaquim Brito Paes sentiu dificuldades em se afirmar.

A ganadaria do Eng. Jorge de Carvalho foi repetida depois do êxito, nesta mesma data, há um ano atrás. Não tão completo como o anterior, mas o curro da divisa arrudense voltou a ter mobilidade, cumprindo na generalidade, quiçá o terceiro e quarto mais reservadotes.

Pelos Amadores de Coimbra pegaram Bruno Monteiro à primeira tentativa e Henrique Flório à quinta. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram Tiago Pombo à primeira e Rodrigo Gonçalves à terceira. Pelos Amadores do Cartaxo foram caras Bernardo Sá à primeira e Tiago Fonseca à segunda.

No intervalo foi homenageado o campino José “Mimoso”.

FOTO: SÓNIA CAJADA

segunda-feira, 30 de março de 2026

ALMEIRIM: ANTÓNIO TELLES E LUÍS ROUXINOL, A MENSAGEM DE DOIS VETERANOS…

Por: Catarina Bexiga

Ambos marcaram a diferença. Simplesmente, porque foram fiéis ao conceito que os tornou grandes. Porque praticaram o toureio verdadeiro e intencional. Tourearam a cavalo, com todas as letras, de acordo com o comportamento dos toiros que tiveram por diante. Dar a um toiro a lide adequada é fundamental para o êxito. Refiro-me ao que fizeram António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol este Domingo de Ramos em Almeirim. Com 40 anos de alternativa (António já os cumpriu e Luís está prestes a cumprir), ambos deixaram uma mensagem importante à nova geração de toureiros que ainda tem o privilégio de os ver. A eles, e aos aficionados!

António Ribeiro Telles reacendeu a chama dos que sabem o que é tourear a cavalo. De saída, deu importância aos compridos - o que é raro ver-se nos tempos actuais - e com o “Alegre”, novidade que tem na quadra, com um toiro reservado de Conde de Murça, lidou primorosamente, com ligação, saber e sabor, deixando vontade de o acompanhar esta temporada.

Luis Rouxinol assinou em Almeirim uma das melhores actuações que lhe vi nos últimos anos. O seu toiro foi manso com querença em tábuas, mas montado na “Nazaré”, o cavaleiro de Pegões esteve superior, com atitude, conhecimentos e capacidades. A sesgo retirou o toiro da querença várias vezes, para o deixar nos médios e aí consumar as sortes. Actuação de muito mérito e superação.

Apesar de bem apresentados, os toiros de Conde de Murça não esconderam a sua conduta de mansos. Os dois primeiros foram os que apresentaram mais dificuldades, sobretudo o de Luís Rouxinol, e aos restantes faltou raça e empurre.

Depois de António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol, entrou “em cena” um outro tipo de toureio… com outras prioridades, com outros contornos… Francisco Palha ainda procurou dar emoção aos curtos; Miguel Moura só aqueceu as bancadas com a sorte de gaiola inicial e nos ladeios; Tristão Ribeiro Telles não rompeu, abusando das distâncias aquando dos cites, e Vasco Veiga viu-se indefinido.

Os dois grupos de forcados estiveram por cima do desafio. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Vasco Ponce, Joel Santos e José Maria Cortes, todos à primeira tentativa. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Miguel Faria à primeira, Vasco Carvalho à segunda e Rodrigo Andrade à primeira.

Repito: a tourear, António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol marcaram a diferença. E muita!

FOTO: PEDRO BATALHA

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

2.º da FEIRA: VILA FRANCA INCOMODA, MAS FAZ FALTA!

Por: Catarina Bexiga

É, sempre, uma noite diferente. De responsabilidade para todos. Uma daquelas que rouba o sono, na véspera, a quem vai tourear na Palha Blanco. Com uma afición diferente. Com uma exigência, à qual os toureiros não estão habituados. Por mais que incomode, faz falta!

Os Amadores de Vila Franca foram os grandes protagonistas da noite. A abrir, uma extraordinária pega a cargo de Miguel Faria - muito provavelmente a pega da temporada - seguindo-se uma outra importante pega da autoria de Vasco Carvalho. Depois, concretizaram Rodrigo Caminho, um outro Rodrigo mas de apelido Andrade fez também uma grande pega, o cabo Vasco Pereira dobrou o lesionado Guilherme Dotti (a única executada à terceira tentativa) e a encerrar André Câncio. Duas grandes ajudas deram Rodrigo Dotti e Diogo Duarte, merecendo também uma referência o rabejador Rafael Leonardo. Mais uma noite de afirmação dos Amadores de Vila Franca!

Falar do Toureio a Cavalo praticado, actualmente, nas nossas arenas é um exercício difícil de fazer. Sobretudo, para quem sabe e gosta do verdadeiro Toureio a Cavalo; pois custa a “aceitar” um toureio que desvirtua a essência do próprio toureio. Por isso, escrevi no início, que Vila Franca incomoda, mas faz falta!

O curro de Canas Vigouroux - com a particular pelagem jabonera – teve toiros com vários matizes. O primeiro foi manso, a fugir insistentemente para tábuas; o segundo voluntarioso, com investidas cadenciadas, o melhor da noite, premiado com a chamada da ganadera; o terceiro não se empregou; o quarto também fez amago para tábuas; o quinto teve pouca raça e o sexto foi um toiro sem entrega, que raspou e doeu-se. Ou seja, toiros diferentes… mas toureados da mesma maneira.

Voltando ao tema, o Toureio a Cavalo é rico em sortes, e em “detalhes” ou “adornos”, que podem ser explorados em cada actuação, em função sempre do comportamento do toiro; mas, actualmente, grande parte dos nossos toureiros cingem-se a uma única sorte, a de praça a praça, mesmo quando essa não se justifica, sem que tenham atenção aos terrenos ou distâncias que cada toiro pede.

João Telles foi autor de duas actuações muito idênticas, sem força para “explodir”, pois manteve-se muito “preso” ao conceito que tem na cabeça.

No seu primeiro, Miguel Moura deu mais importância ao toureio suplementar (leia-se ladeios) do que ao toureio fundamental; e no segundo quis impor o seu toureio sem sucesso.

João Salgueiro da Costa teve uma actuação modesta no primeiro; e sofreu uma aparatosa colhida no segundo (quando o cavalo se voltou para trás na cara do toiro), que depois superou com tenacidade e determinação.

Ontem, valeu-nos a grande noite dos Amadores de Vila Franca!

FOTO: PEDRO BATALHA

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

1.ª da FEIRA: VILA FRANCA VOLTA A TER UM TOUREIRO!

 

Por: Catarina Bexiga

A renovação da Festa de Toiros passa, sobretudo, pelo aparecimento de novos toureiros, capazes de levantar expectativas; e, nos últimos tempos, o novilheiro vila-franquense Tomás Bastos tem devolvido à nossa afición um entusiasmo que há muito não se sentia.

Com a colhida, na véspera, do matador de toiros David de Miranda - oportunamente contratado pela empresa, após os seus mais recentes triunfos - a mesma optou pelo caminho “mais fácil”, e obrigou-nos a ver mais duas lides a cavalo, o que não é a mesma coisa. Longe disso!

Da Galeana vieram dois toiros atacados de carnes, bastotes, para o toureio a cavalo; e outros dois, mais harmoniosos, que estavam destinados ao toureio a pé, mas que tiveram um destino bem diferente. Dos maiores, o lidado em primeiro lugar por Tristão Ribeiro Telles veio a menos; e o segundo lidado por Francisco Palha acabou em tábuas. Dos outros dois, chamou a atenção a forma humilhada como investiu nos capotes o primeiro da tarde, mas lidado a cavalo, esperou muito no momento do ferro; e o quinto sendo o melhor, com mais “picante”.

Francisco Palha teve uma tarde discreta na Palha Blanco, com duas actuações irregulares, sendo evidente o “cansaço” da sua actual quadra. De nota superior, recordo o segundo comprido, no seu primeiro toiro, montado no “Estrondo”, um grande ferro!

Tristão Ribeiro Telles tem facilidade em comunicar com as bancadas, as suas actuações são marcadas pela disposição e determinação que imprime, mas o seu conceito ainda não está completamente definido. O público não lhe perdoou o facto do bandarilheiro lhe tocar o toiro duas vezes nas tábuas. Aliás, uma moda que persiste actualmente entre a maioria dos nossos cavaleiros, e que desvirtua as lides; porque o interesse do Toureio a Cavalo está em entender o toiro e agir de acordo com o seu comportamento; e agora, para a grande parte, deixou de haver terrenos e distâncias, deixou de se ter cuidado com as querenças, deixou de se evitar dar o braço esquerdo aos curros de saída… Enfim, muitas vezes falta sentido ao que se vê! Mas voltando às actuações do mais novo dos Ribeiro Telles; com o “Formigo” no seu primeiro, começou melhor do que terminou; e com o “Nureyev” no seu segundo, praticou um toureio mais sincero, sobressaindo o segundo e quarto curtos.  

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira, Rodrigo Camilo concretizou à primeira tentativa, Lucas Gonçalves sentiu a dureza do Grave e apenas se fechou à terceira, Guilherme Dotti fez uma grande pega à primeira e Rodrigo andrade também concretizou à primeira.

O novilheiro Tomás Bastos confirmou na sua terra o bom momento que atravessa a sua carreira; e a prova está também (e sobretudo) nos seus mais recentes triunfos em Espanha. Os seus dois Graves tinham acabado de completar três anos de idade, e para a Palha Blanco, de apresentação, mereciam outra seriedade. De capote, Tomás Bastos andou variado, por um lado com verónicas, por outro com saltilleras ou chicuelinas mais vistosas. O seu primeiro Grave foi uma “máquina de investir”, aguentando a ligação e o poderio conferido pelo toureio vila-franquense. A faena baseou-se no pitón direito, com várias series de derechazos, cingindos e profundos, quase sempre rematados com personalíssimos passes de peito. O último da tarde não tinha força, e não aguentava mais do que dois ou três muletazos seguidos, inviabilizando o ritmo da faena. A resposta de Tomás Bastou foi perentória, “não investiu o novilho, investiu ele”, optando pelo toureio de cercanias e pelos desplantes, fazendo o público da Palha Blanco (casa cheia) explodir de entusiasmo. Nova saída em ombros. E Vila Franca volta a ter um Toureiro!

FOTO: PEDRO BATALHA



quarta-feira, 17 de setembro de 2025

1.ª da FEIRA da MOITA: DOIS TOUREIROS COM HORIZONTE E SAÍDA EM OMBROS DE TOMÁS BASTOS!

Por: Catarina Bexiga

Rivalidade. Capacidades. Ambição. São as três palavras que melhor definem o espírito com que Marco Pérez e Tomás Bastos encararam a noite, de ontem, na praça de toiros “Daniel do Nascimento”, na Moita. Uma noite, em que ambos, disputaram a supremacia; mas mais importante do que isso, em que ambos, mostraram ser dois toureiros com horizonte. E é este o espírito que alimenta paixões e move multidões. Todos ficámos a ganhar!

Dos campos de Olivenza, vieram dois toiros com o ferro de Talavante, com melhores hechuras o segundo, mas sem classe nas investidas. Por outro lado, aos dois novilhos de Calejo Pires (muito fechados de cara), sobrou nobreza, mas faltou-lhes raça… Se com os “primeiros” de cada lote, os dois toureiros tiveram argumentos para se sobreporem às adversidades; com os “segundos”, viu-se uma outra dimensão do toureio de ambos, mais profunda, mais templada… mais a gosto!

Logo de capote, Marco Pérez e Tomás Bastos “picaram-se”. Houve competição e variedade, pois nenhum perdeu a oportunidade de se luzir, respondendo aos quites um do outro.

Da primeira faena de Marco Pérez guardo os doblones com que iniciou o trasteo de muleta. O de Talavante protestou por ambos os pitóns, mas Pérez manteve-se insistente, e mesmo que não acreditasse que o toiro poderia melhorar, nunca se cansou de dar muletazos. O de Calejo Pires manseou para tábuas várias vezes, mas como tinha muita nobreza, o jovem diestro de Salamanca praticou um toureio sempre muito ligado e intuitivo.

Embalado pelos seus mais recentes (e vários) triunfos, Tomás Bastos reencontrou-se com a Moita e continua a manter o idílio. Com o seu toiro de Talavante respondeu em “novilheiro”, pois a meio da faena pôs (ainda) mais entrega e mais chispa, conseguindo chegar ás bancadas. Com o novilho de Calejo Pires, outro que voltou a procurar os terrenos de dentro, Bastos esteve muito encajado, sobressaindo o toureio ao natural. Voltou a marcar uma posição e a reforçar a imagem de que é um toureiro com quem podemos contar.

Da parte do toureio a cavalo há pouco para recordar. Com um toiro do Eng. Jorge de Carvalho, sem entrega e que esperou no momento do ferro (inclusive, frenou), António Ribeiro Telles não se entendeu com o “Murmullo” no primeiro curto e limitou-se a cumprir com o “Alcochete”. O segundo com o mesmo ferro, deixou-se, mas sem ser claro; e com ele António Ribeiro Telles filho andou sobrado a lidar, sempre com ligação e sentido, mas sem romper na serie de curtos.

Pelos Amadores da Moita pegaram João César à primeira tentativa e João Pombinho à segunda.

Noite de expectativa em redor de Marco Pérez e Tomás Bastos, correspondida com uma grande entrada de público… e no fim, saída em ombros de Tomás Bastos, após ter somado quatro voltas à arena e conquistado o direito de abrir a porta grande que leva o nome de “Nossa Senhora da Boa Viagem”, padroeira da Moita.

FOTO: PEDRO BATALHA

sábado, 26 de julho de 2025

SALVATERRA DE MAGOS: ANA BATISTA E DOIS FERROS QUE FICAM NO CORAÇÃO DOS AFICIONADOS!

Por: Catarina Bexiga
Para Ana Batista, a noite, de ontem, foi um reviver de momentos e lembranças, acumuladas ao longo de 25 anos de Alternativa; mas também de novas sensações e emoções. O seu rosto reflectia o que levava dentro… E foi na terra que a viu nascer para o Toureio, que voltou a escrever mais uma página na sua história.
A actuação de Ana Batista (brindada ao seu marido, Orlando Vicente, e à memória do seu pai, João Batista) foi em crescendo; mas montada no “Hermoso” os dois últimos curtos foram um hino à verdade do Toureio a Cavalo. À verdade que nos entusiasma e deixa emocionados. Não se pode ir mais de frente; não se pode entrar mais nos terrenos de um toiro. Dois ferros que ficam no coração dos aficionados! Merecida a chamada à arena do cavalo.
Para o resultado da noite, contribuíram, de forma positiva, os exemplares do Foro do Almeida. Mobilidade foi o seu denominador comum. Os três primeiros serviram; o quarto foi o que menos transmitiu; o quinto, enraçado, proporcionou a chamada à arena do ganadero; e o sexto foi o que esteve menos metido na actuação.
Luís Rouxinol teve uma prestação animosa, com destaque para um grande par de bandarilhas a finalizar a sua passagem por Salvaterra de Magos. Gilberto Filipe andou solvente e vibrante na parte final da actuação. João Moura Caetano voltou a tirar partido das capacidades da sua quadra. Sobretudo montado no “Marfim”, João Telles Jr. teve uma postura de maior ambição. Revelou sinceridade no seu toureio e logrou um grande segundo curto. E Luís Rouxinol Jr. andou sobrado e entonado naquele que foi o último da noite.
A comemorar 120 anos de existência, e com a presença de antigos e actuais elementos do grupo; pegaram em solitário os Amadores do Ribatejo. Foram caras Ricardo Regueira à primeira tentativa; André Laranjinha em noite de despedida e Leandro Catrapombo, ambos à primeira; Pedro Espinheira à terceira, Dário Silva à primeira e o cabo Rafael Costa, também à primeira.
Ao intervalo, a empresa gestora entregou à cavaleira Ana Batista uma placa que irá ser afixada nas paredes da praça de toiros da sua terra. Uma noite que não vai esquecer, pelas sensações que viveu e pelo enorme carinho que recebeu.
FOTO: PEDRO BATALHA

 

sábado, 12 de julho de 2025

LISBOA: NOITE DE PAULO CAETANO, NUM CAMPO PEQUENO DIFERENTE!

Por: Catarina Bexiga
Para um toureiro que assinala 45 anos de Alternativa, poder comemorar a efeméride a tourear (para mais ao lado do seu filho) é um privilégio. Paulo Caetano lidou um exemplar da sua própria ganadaria, que foi o colaborador ideal para uma noite de festa. O senhorio e a elegância foram a bandeira do seu toureio. Decerto, recordará importantes triunfos nesta praça.
Mas este não é o Campo Pequeno, praça de toiros, que muitos conheceram. Este é o Campo Pequeno, sala de espectáculos, que os de agora conhecem. São coisas diferentes. É assim, desde a sua reinauguração. E a culpa, não sendo de ninguém, é de todos. Não me identifico com o formato em que tornaram a primeira praça do país, mas deve ser "limitação" da minha parte. Agora, uma corrida de toiros é apelidada de acontecimento, antes mesmo de o sê-lo; os triunfos tornaram-se fáceis e banais; e a bravura até tem novo conceito. Vale de tudo!
Excepto o segundo (fechado de cara), o curro de António Charrua saiu uniforme apresentação e comportamento. A todos faltou raça, e sem raça falta emoção. Todavia, o quarto e sexto tiveram um pouco mais de ânimo para investir. Do meu ponto de vista, foi despropositado o “lenço azul” para premiar o sexto da noite.
Quem também conheceu outro Campo Pequeno foi António Ribeiro Telles. Ao seu toiro faltou empurre, mas António marcou a diferença nos pormenores da lide; de saída ainda recreou a "sorte da morte" com o “Hibisco” e cravou uma série de curtos em crescendo com o “Murmullo”. De uma geração mais recente, João Moura Caetano tirou partido das capacidades do cavalo que leva o nome da monumental, sobretudo nos recortes e nas hermosinas com que rematou as sortes; Marcos Tenório começou com dois compridos poderosos com o “Danone”, mas depois optou por uma versão desprovida de interesse (tendo, inclusive, faltado ao respeito ao Director de Corrida durante a volta à arena); Duarte Pinto procurou imprimir frontalidade ao seu toureio com o “Hábito”; e Miguel Moura assinou uma actuação animosa montado no “Herói”.
Pelos Amadores de Montemor-o-Novo, Vasco Ponce foi dobrado por António Cecílio, tendo a pega sido consumada à quarta tentativa, José Maria Pena Monteiro fechou-se à segunda e o cabo António Cortes Pena Monteiro à primeira. Pelos Amadores de Lisboa consumaram Nuno Fitas, Duarte Mira e João Varandas, todos ao segundo intento.
Após as cortesias, Paulo Caetano foi agraciado pela Casa Real Portuguesa, pela Associação Puro Sangue Lusitano, pela Associação de Criadores de Raças Selectas e pela a empresa do Campo Pequeno.
FOTO: PEDRO BATALHA

sexta-feira, 11 de julho de 2025

VILA FRANCA: MIGUEL FARIA E UMA PEGA QUE É UM HINO À ARTE DE PEGAR TOIROS!

Por: Catarina Bexiga

Em cada tarde de Domingo de Colete Encarnado, Vila Franca parece outra, muito mais apaixonada e muito mais orgulhosa de si própria. Ontem, foi dia de voltar à Palha Blanco e de sentir os batimentos do seu coração… Porque, ali, tudo é diferente!
Superiormente apresentados, saíram os toiros de Vale do Sorraia escolhidos para o toureio a cavalo. Quatro toiros exigentes, com muitas teclas para tocar, e cujo comportamento não se adapta ao toureio “standart” dos tempos que correm. São toiros imprevisíveis, que podem surpreender para o bem ou para o mal, e que muitas vezes criam problemas a quem não os toureie na verdadeira dimensão da palavra.
A presença de João Telles Jr. na tarde de Domingo de Colete Encarnado resume-se à sua atitude frente ao segundo do seu lote, pois com o anterior a actuação não teve força para romper. O quarto da tarde foi um toiro sem entrega, trotón, mas com que o cavaleiro soube tirar melhor partido. Montado no “Marfim”, a actuação veio a mais com o passar do tempo, sobressaindo o quarto curto, em que converteu o perigo em emoção.
Os melhores momentos de Francisco Palha surgiram no primeiro do seu lote. Impôs seriedade, fez-nos estar pendentes de si, e sobretudo no terceiro curto marcou uma posição. Montado no "Jaquetón", aguentou o cite, aceitou a investida, e cravou um grande ferro. O curto que se seguiu, desta vez violando o cavaleiro os terrenos do toiro, também foi outro grande ferro. Com o quinto da tarde sentiu dificuldades em acoplar-se às investidas do Vale do Sorraia.
Escolhi para título deste apontamento, quem verdadeiramente merece. Os Amadores de Vila Franca tiveram mais uma tarde memorável na sua Palha Blanco. Quatro pegas de quatro forcados que se têm vindo a afirmar dentro do grupo. Mas, a pega de Miguel Faria foi mais do que uma grande pega… foi um hino à arte de pegar toiros. Com a serenidade dos predestinados, mas com a coragem e a audácia próprias da idade, fez a Palha Blanco explodir de entusiasmo. Pegaram também Lucas Gonçalves, Guilherme Dotti e Rafael Plácido, todos à primeira tentativa, superiormente ajudados pelo grupo.
A contratação das grandes figuras (com as suas exigências) para os nossos cartéis começa a ser um verdadeiro “pau de dois bicos”, que futuramente pode levar o aficionado a pensar na altura de decidir em ir ou ficar em casa. Bem sei que há excepções, mas a história repetiu-se em Vila Franca. O primeiro toiro de Varela Crujo não tinha a mínima apresentação para sair à arena da Palha Blanco, nem a nenhuma outra arena de primeira categoria. O público não deteve o seu descontentamento (e com razão) e a primeira faena de Castella não teve história. O segundo, mais composto à vista, defendia-se no fim dos muletazos, o vento também não parou de incomodar e ao aficionado valeu somente o ofício do toureiro francês.
Desfrutem com a foto do Pedro Batalha…

 

domingo, 1 de junho de 2025

VILA FRANCA: SOBRARAM TOIROS...

Por: Catarina Bexiga

Tarde de toiros de verdade. Irrepreensíveis de apresentação. E dos seis, dois deles foram dois grandes toiros: o “Carasucia II” de Fernandes de Castro, com cinco anos e 705 Kg, um toiro com mobilidade, nobre e suave, que durou muito tempo; e o “Chato-4” de Sommer d’Andrade, também com cinco anos e 530 Kg, sério por todos os lados, com som nas investidas. Ambos levavam consigo o triunfo dentro. E ambos foram premiados com o lenço azul. Embora tenham sido diferentes, foram os dois toiros extraordinários. Do meu ponto de vista, mereciam ambos o prémio bravura, mas o júri entendeu apenas distinguir a obra de José Luís Sommer d’Andrade, com o prémio bravura, mas também com o prémio apresentação.
O de Condessa de Sobral, aplaudido pela apresentação, foi complicado; ao de Canas Vigouroux faltou entrega; o de Vale Sorraia também foi aplaudido à entrada, e a sua mobilidade foi intermitente; e o de Assunção Coimbra, nunca chegou a romper.
A Palha Blanco registou apenas cerca de ¼ de casa (e dizem-me que à mesma hora, Coruche – com um cartel também de toureiros jovens – ainda estava pior), mas não me venham com a conversa da elevada temperatura. Porque se assim fosse, durante o Verão a maioria das nossas praças fechavam. Não se centrem nas desculpas, centrem-se nas soluções. A realidade é por demais evidente. O nosso Toureio a Cavalo precisa de um abanão; precisa de quem nos faça “hipotecar a casa” para ir à bilheteira, de quem nos faça meter no carro e fazer quilómetros, de quem nos faça aguentar o calor. Em suma, precisa de personalidade e entusiasmo.
Em Vila Franca, sobraram toiros. Houve dois grandes toiros, mas excepto o primeiro, que apresentou problemas, os restantes também estavam à altura do triunfo. Todavia, houve disposição por parte dos cavaleiros, mas faltou muito mais.
João Salgueiro da Costa revelou bom conceito, mas precisa de cavalos que o acompanhem na sua cruzada. Assinou uma actuação muito meritória com o toiro de Condessa de Sobral montado no “Alegre”; viu-se discreto com o de Canas Vigouroux com a “Princesa”; e foi no último, de Sommer d’Andrade, que andou mais animoso. Marcou pontos de saída, e novamente, com o “Alegre” voltou a querer deixar o seu cunho, com um toureio mais em curto, mas com os quarteios abertos à distância. O terceiro e o quinto foram os melhores do conjunto.
Tristão Ribeiro Telles impactou de saída, pela determinação que mostrou, com três sortes de gaiola, a primeira no “Nureyev” e as seguintes no “Príncipe”. No entanto, o seu conceito ainda não definido também não foi propriamente seu aliado. No segundo (Fernandes de Castro) e sexto da ordem (Assunção Coimbra), apostou no “Formigo”, mas como as abordagens foram enganosas, enviando os toiros para fora da sua trajectória natural, faltou ajuste à maioria das reuniões. A melhor actuação aconteceu com o exemplar de Vale de Sorraia. Montado no “Nureyev”, mudou de conceito, abordou com muito mais sinceridade e os resultados foram muito mais convincentes.
Para as pegas dois grandes grupos, um alentejano, o outro Ribatejano. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram José Maria Cotes Pena Monteiro à primeira tentativa, Joel Santos à terceira e Vasco Ponce à primeira. Pelos Amadores de Vila Franca concretizaram Vasco Pereira à segunda com uma boa ajuda de Diogo Duarte, Miguel Faria à primeira e Lucas Gonçalves também à primeira. No fim, o prémio para o melhor grupo recaiu nos forcados da terra.
No fim, a empresa divulgou que João Salgueiro da Costa e Tristão Ribeiro Telles entram nos cartéis da Feira de Outubro.
FOTOS: PEDRO BATALHA



 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

SALVATERRA DE MAGOS: UM BRINDE QUE LEMBROU A IMPORTÂNCIA DE UM TOUREIRO!

 

Por: Catarina Bexiga
Há gestos que marcam a diferença. E o brinde de João Telles Jr. ao cavaleiro Emidio Pinto, no dia em que comemorava, precisamente, 50 anos de Alternativa, não só marcou a diferença, como lembrou a importância de um toureiro! Porque Emídio Pinto foi um nome grande do nosso Toureio a Cavalo, uma referência para os que lhe seguiram; pela forma como praticou o toureio e como o conseguiu enaltecer e transmitir. Parabéns, pela bonita efeméride!

O Concurso de Ganadarias que marcou o arranque da temporada em Salvaterra de Magos teve pouca história. O toiro de Manuel Veiga foi voluntarioso e venceu, justamente, o prémio para o melhor toiro; o de Vale Sorraia revelou querença junto ao Sector 2, mas depois no momento do ferro foi fácil; o de Conde de Murça teve pouca entrega; ao de Ribeiro Telles (prémio apresentação) faltou transmissão; o de Foro do Almeida descaiu várias vezes para tábuas e no momento do ferro não foi fácil; e o de Prudêncio manifestou mansidão, com investidas estranhas e sem força.

Do trio de cavaleiros, destacou-se Francisco Palha, sobretudo, no primeiro do seu lote. Andou poderoso e intencional com o toiro de Conde de Murça, procurando agir de acordo com o comportamento do adversário. Com o “Estrondo” tentou valorizar os ferros compridos e depois com o “Paquito” terminou com dois curtos de nota. Com o toiro de Prudêncio teve poucas opções, mas foi com o “Roncalito” que deixou melhor sabor de boca.

Marcos Tenório – com os exemplares de Manuel Veiga e Ribeiro Telles – em ambos, praticou um toureio desprovido de critérios; e João Telles Jr. com o toiro de Vale Sorraia, montado no “Marfim” veio a mais, mas com o de Foro do Almeida não se sentiu a gosto.

Pelos Amadores de Coruche pegaram João Prates à primeira tentativa, Afonso Freitas também à primeira e Frederico Pinto, à primeira, numa pega que deixou dúvidas. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram Victor Marques à segunda, Afonso Capricho à primeira e João Dinis à primeira.

Esta tarde de toiros em Salvaterra de Magos foi de homenagem ao Agricultor local José da Costa, que ao intervalo foi distinguido pelo Secretário de Estado da Agricultura, João Moura.

FOTO: ALTERNATIVA DE EMÍDIO PINTO

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