terça-feira, 7 de julho de 2026
VILA FRANCA: UM REGRESSO QUE CRIOU EXPECTATIVAS!
É sempre um Domingo diferente. Este foi o Colete Encarnado mais quente dos últimos tempos. Temperaturas a rondar os 40 graus, um sol que fazia brilhar ainda mais cada colete encarnado vestido, um calor que os heróis da lezíria já estão habituados a suportar. A Festa é deles. Dos campinos!
E foi um Domingo diferente também por outros motivos. Voltou João Salgueiro às arenas. Um regresso envolto em mistério e expectativas, que mexeu com os aficionados. De um toureiro com quase 60 anos de idade, com cabelos brancos, que aceitou retornar à actividade, e logo, na Palha Blanco, com o peso que isso acarreta: assumindo a exigência do seu público, com dois toiros quase cinqueños, e sem cavalos “toureados em praça”… Tenho que lhe reconhecer mérito!
O público estava predisposto a receber João Salgueiro. Não sabia o que esperava. Mas sabia que tudo podia acontecer. O primeiro toiro de Condessa de Sobral acabou em tábuas, depois de Salgueiro sentir dificuldades em deixar a ferragem da ordem. Um aviso e dois curtos apenas no toiro. O publico respeitou o cavaleiro e adiou a sua expectativa para o seguinte. Mas Salgueiro não desmoralizou e no segundo do seu lote, que serviu para o cavaleiro colocar em prática o seu conceito – sendo exagerada, do meu ponto de vista, a chamada do maioral – saciou os seus seguidores. Citou de largo, meteu-se com o toiro, no primeiro e terceiro “tocou” no pitón contrário, no segundo curto foi mais verdadeiro, mas com três ferros apenas deixou a Palha Blanco em delírio.
João Moura Jr. assinou duas actuações muito idênticas em conteúdo e resultados. Com um conceito modernista do toureio a cavalo, mas, sem dúvida, com atitude na sua postura e seguro dos seus intentos. As mesmas distâncias, a mesma forma de abordar o toiro, sempre com inflexões ao pitón contrário. Um conceito que de tão controlado e mecanizado, se torna, muitas vezes, repetitivo. O seu segundo toiro teve raça, investiu com alegria e foi o melhor dos lidados a cavalo. Merecida a chamada à arena do ganadero e maioral.
Tarde triunfal para os Amadores de Vila Franca de Xira. Pegaram Guilherme Dotti, Miguel Faria, Rodrigo Andrade, superiormente ajudado por Diogo Duarte, e Rodrigo Camilo. Todos à primeira tentativa, numa prova de firmeza e coesão do grupo.
O matador de toiros Borja Jiménez veio a Vila Franca reafirmar o seu bom momento, e as suas grandes capacidades. De capote apenas teve oportunidade de se luzir no segundo. Ao seu primeiro de Condessa de Sobral faltou fundo e ao segundo raça; mas o diestro de Espartinas esteve seguro, insistente, construindo duas faenas em que aproveitou tudo o que os toiros levavam para dar. Houve muletazos largos, poderosos, de mão baixa… e a fazer soar os olés na Palha Blanco.
Bandarilharam superiormente o espanhol Juan Carlos Rey e o português João Ferreira, ambos saudando de montera na mão.
Mais um Domingo de Colete Encarnado… mas este com um sabor diferente!
FOTO: PEDRO BATALHA
domingo, 14 de junho de 2026
REGUENGOS DE MONSARAZ: HÁ UM NOVO ROUXINOL NAS ARENAS!
Por: Catarina Bexiga
Acredito
que para Luís Rouxinol tenha sido um dia carregado de emoções fortes; pois, na
temporada que antecede a da sua despedida das arenas, após 40 anos de
Alternativa, ainda tem o privilégio de assistir ao debute de mais um filho
toureiro. Só ele saberá o que levava na cabeça e transportava no coração. Sensações
únicas e, com toda a certeza, um dia que jamais esquecerá. Ontem, o Simão Vicente
partilhou as cortesias com o seu pai e com o seu irmão, junto com António
Telles pai e filho; figura franzina e rosto sério, um misto de acanhamento e responsabilidade,
que com o passar do tempo se foi transformando em confiança e optimismo. Após
as quatro primeiras actuações, o Simão saiu à arena para concretizar um sonho,
brindado a lide ao público e, a título póstumo, ao seu avô, Alfredo Rouxinol, o
patriarca da família Rouxinol. Os compridos ajudaram a “medir” o Passanha
(reservadote) e a “sentir” o público (que muito o acarinhou), mas também a descontrair;
para depois ir buscar a “Nazaré” e revelar-se como toureiro. Teve à vontade dentro
da praça quis fazer as coisas bem feitas e cravou quatro curtos de excelente
nota. Promissora estreia… e é caso para afirmar: Há um novo Rouxinol nas
arenas!
O curro
de Vale Sorraia, bem-apresentado e com a sua particular pelagem cardena, saiu díspar
de comportamento. O primeiro, foi um toiro fácil; o segundo, mais reservado; o
terceiro, voluntarioso; o quarto, manso com querença nas tábuas; o quinto (para
a lide a duo, Telles pai e filho) outro toiro manso, mas este complicado; e o
sexto (para a lide a duo de Rouxinol pai e filho) colaborador.
De
regresso a Reguengos de Monsaraz, António Ribeiro Telles assinou uma actuação
que subiu de tom na serie de curtos. Montado no “Alegre”, sentiu-se toureiro,
deu gosto vê-lo lidar e os cinco curtos que cravou tiveram a sua chancela. No
quarto mostrou-se muito no cite, em tom provocatório, cobrando um grande ferro.
Em tarde
de muito significado, as melhores recordações de Luís Rouxinol recaíram nas
actuações dos seus dois filhos, pois teve motivos para ficar orgulhoso de
ambos. Com o seu toiro andou esforçado, mas sem possibilidade de luzimento.
Luís
Rouxinol Jr. voltou a dar nas vistas, de saída, com o “Picasso”, sobretudo pela
forma como se superou no segundo comprido, poderosíssimo. Depois, para os
curtos, apostou no “Jamaica” e a lide foi em crescendo, procurando dar primazia
de investida ao toiro e cravando três grandes ferros curtos.
António
Telles filho teve que andar laborioso para conseguir deixar a ferragem da ordem.
Não teve fortuna no sorteio, e apesar da disposição, os resultados também
demoraram a aparecer.
A duo,
António Telles e António Telles filho tiveram uma actuação movimentada; e Luís
Rouxinol pai e filho, encerraram a tarde/noite com uma actuação com sabor a êxito
popular.
Pelos
Amadores de S. Manços, João Amador dobrou Martim Moreno, sendo superiormente
ajudado, seguindo-se Rodrigo Grilo à primeira. Pelos Amadores do México
concretizaram Alejandro Batista à terceira e o cabo René Tirado à primeira.
Pelos Amadores de Monsaraz foram caras André Claudino à segunda e Miguel
Valadas à primeira. O novilho de Passanha foi pegado pelos três grupos, sendo
cara Manuel Valadas, dos Amadores de S. Manços, que dobrou Afonso Amador.
De
Parabéns está a Reguengos Afición por todos os trabalhos de melhoramento que têm
feito na praça de toiros “José Mestre Batista”; agora também com novos curros.
Um exemplo a seguir.
FOTO: PEDRO BATALHA
domingo, 24 de maio de 2026
SALVATERRA DE MAGOS: ROUXINOL JR. IMPÔS-SE. TELLES FILHO DEU A CARA.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
VILA FRANCA: TARDE EXIGENTE. MÉRITO REPARTIDO!
Tarde exigente, das que pedem capacidades e argumentos, e daquelas que já não estamos muito habituados a ver nos tempos que correm. Mas, por isso, uma tarde diferente, séria, de grande compromisso para todos, das que não enfadam. Os seis toiros a concurso saíram irrepreensíveis de apresentação, cada um dentro do tipo da ganadaria que representava, aplaudido à entrada o 1.º, 4.º e 5.º, mas todos eles com problemas para resolver. O toiro de Cunhal Patrício teve mobilidade, mas foi distraídote e esperava no momento do ferro; o de Sommer d’Andrade revelou-se trotón inicialmente, mas depois modificou-se, e investiu com certa transmissão; o de Canas Vigouroux raspou muito, teve poder, mas saiu com vontade de complicar; o de Oliveira Irmãos esperou sempre muito; o de Fernando Palha teve tendência para descair para tábuas; e o de Vale Sorraia mostrou-se imprevisível, embora no momento do ferro fosse pelo seu caminho.
Perante tal cenário, os três cavaleiros tiveram que “se fazer à vida”… e o mérito foi repartido. Manuel Telles Bastos sentiu-se mais à vontade com o Cunhal Patrício do que com o Oliveira Irmãos; por outro lado António Prates e Tristão Ribeiro Telles dividiram o protagonismo, especialmente, nos seus últimos toiros, com mérito acrescido pela forma como ultrapassaram os problemas. De António Prates sobressaiu a formar desafogada como lidou, prescindindo dos bandarilheiros e tomando ele próprio conta da situação, como já tinha demonstrado no toiro anterior. Depois optou por concretizar a quiebro os ferros sem igualar o nível. Tristão Ribeiro Telles também contornou com irreverência as dificuldades que teve pela frente, que não foram poucas. Deu a cara e marcou pontos.
Pelos Amadores de Santarém pegaram João Faro, Joaquim Grave (que esteve gigante na cara do Canas Vigouroux, esperando estoicamente pela investida) e Duarte Palha. Todos concretizaram à primeira tentativa e conquistaram o prémio em disputa para o melhor grupo. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Rodrigo Andrade à primeira, Rodrigo Camilo à segunda, na melhor pega da tarde, com uma grande primeira ajuda e Vasco Carvalho também à primeira.
No fim, o prémio apresentação foi para o exemplar de Fernando Palha e o prémio bravura para o toiro de Sommer d’Andrade.
Mérito é a palavra que melhor define a tarde de Domingo na Palha Blanco.
FOTO: PEDRO BATALHA
sábado, 2 de maio de 2026
CARTAXO: A SINCERIDADE DO TOUREIO DE PARREIRITA CIGANO!
Por: Catarina Bexiga
O Toureio a
Cavalo actual precisa de sinceridade. Daí, a surpresa causada por parte do
cavaleiro Parreirita Cigano, ontem, na praça de toiros do Cartaxo. Logo de
saída, marcou a diferença, porque fez uma coisa cada vez mais rara de se ver. Em
ambos os toiros, parou-se e mostrou-se no cite, montado no “Salpique”,
desenhando depois a sorte. Os ferros não foram todos perfeitos, mas as boas
intenções estiveram presentes. No seu primeiro toiro começou com dois quiebros,
mas como os resultados ficaram aquém do esperado, teve discernimento para mudar
de estratégia. E ainda bem que o fez. A restante actuação ganhou novos voos com
o “Jogral”, simplesmente, porque abordou o toiro com sinceridade, pisou os
terrenos da verdade, ficando com o adversário debaixo do braço no momento da
reunião. No segundo toiro manteve o mesmo registo e as mesmas boas intenções.
Sem “lições” estudadas, manteve a autenticidade, e quer com o “Lisboa” quer com
o “Maravilha”, voltou a cravar um “punhado” de bons de ferros. Ficou provado
que, com sinceridade, o caminho pode ser outro…
De Toureio a
Cavalo tudo o resto que se viu soube a pouco. Luís Rouxinol teve uma tarde
discreta. Por outro lado, Joaquim Brito Paes sentiu dificuldades em se afirmar.
A ganadaria
do Eng. Jorge de Carvalho foi repetida depois do êxito, nesta mesma data, há um
ano atrás. Não tão completo como o anterior, mas o curro da divisa arrudense
voltou a ter mobilidade, cumprindo na generalidade, quiçá o terceiro e quarto
mais reservadotes.
Pelos
Amadores de Coimbra pegaram Bruno Monteiro à primeira tentativa e Henrique Flório
à quinta. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram Tiago Pombo à
primeira e Rodrigo Gonçalves à terceira. Pelos Amadores do Cartaxo foram caras
Bernardo Sá à primeira e Tiago Fonseca à segunda.
No intervalo
foi homenageado o campino José “Mimoso”.
FOTO: SÓNIA CAJADA
segunda-feira, 30 de março de 2026
ALMEIRIM: ANTÓNIO TELLES E LUÍS ROUXINOL, A MENSAGEM DE DOIS VETERANOS…
Por: Catarina Bexiga
Ambos marcaram a diferença. Simplesmente,
porque foram fiéis ao conceito que os tornou grandes. Porque praticaram o
toureio verdadeiro e intencional. Tourearam a cavalo, com todas as letras, de
acordo com o comportamento dos toiros que tiveram por diante. Dar a um toiro a
lide adequada é fundamental para o êxito. Refiro-me ao que fizeram António Ribeiro
Telles e Luís Rouxinol este Domingo de Ramos em Almeirim. Com 40 anos de
alternativa (António já os cumpriu e Luís está prestes a cumprir), ambos deixaram
uma mensagem importante à nova geração de toureiros que ainda tem o privilégio
de os ver. A eles, e aos aficionados!
António Ribeiro Telles reacendeu
a chama dos que sabem o que é tourear a cavalo. De saída, deu importância aos
compridos - o que é raro ver-se nos tempos actuais - e com o “Alegre”, novidade
que tem na quadra, com um toiro reservado de Conde de Murça, lidou
primorosamente, com ligação, saber e sabor, deixando vontade de o acompanhar
esta temporada.
Luis Rouxinol assinou em Almeirim
uma das melhores actuações que lhe vi nos últimos anos. O seu toiro foi manso
com querença em tábuas, mas montado na “Nazaré”, o cavaleiro de Pegões esteve
superior, com atitude, conhecimentos e capacidades. A sesgo retirou o toiro da
querença várias vezes, para o deixar nos médios e aí consumar as sortes.
Actuação de muito mérito e superação.
Apesar de bem apresentados, os
toiros de Conde de Murça não esconderam a sua conduta de mansos. Os dois
primeiros foram os que apresentaram mais dificuldades, sobretudo o de Luís
Rouxinol, e aos restantes faltou raça e empurre.
Depois de António Ribeiro Telles
e Luís Rouxinol, entrou “em cena” um outro tipo de toureio… com outras
prioridades, com outros contornos… Francisco Palha ainda procurou dar emoção aos
curtos; Miguel Moura só aqueceu as bancadas com a sorte de gaiola inicial e nos
ladeios; Tristão Ribeiro Telles não rompeu, abusando das distâncias aquando dos
cites, e Vasco Veiga viu-se indefinido.
Os dois grupos de forcados
estiveram por cima do desafio. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Vasco
Ponce, Joel Santos e José Maria Cortes, todos à primeira tentativa. Pelos
Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Miguel Faria à primeira, Vasco
Carvalho à segunda e Rodrigo Andrade à primeira.
Repito: a tourear, António
Ribeiro Telles e Luís Rouxinol marcaram a diferença. E muita!
FOTO: PEDRO BATALHA




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