segunda-feira, 4 de maio de 2026

VILA FRANCA: TARDE EXIGENTE. MÉRITO REPARTIDO!

Por: Catarina Bexiga

Tarde exigente, das que pedem capacidades e argumentos, e daquelas que já não estamos muito habituados a ver nos tempos que correm. Mas, por isso, uma tarde diferente, séria, de grande compromisso para todos, das que não enfadam. Os seis toiros a concurso saíram irrepreensíveis de apresentação, cada um dentro do tipo da ganadaria que representava, aplaudido à entrada o 1.º, 4.º e 5.º, mas todos eles com problemas para resolver. O toiro de Cunhal Patrício teve mobilidade, mas foi distraídote e esperava no momento do ferro; o de Sommer d’Andrade revelou-se trotón inicialmente, mas depois modificou-se, e investiu com certa transmissão; o de Canas Vigouroux raspou muito, teve poder, mas saiu com vontade de complicar; o de Oliveira Irmãos esperou sempre muito; o de Fernando Palha teve tendência para descair para tábuas; e o de Vale Sorraia mostrou-se imprevisível, embora no momento do ferro fosse pelo seu caminho.

Perante tal cenário, os três cavaleiros tiveram que “se fazer à vida”… e o mérito foi repartido. Manuel Telles Bastos sentiu-se mais à vontade com o Cunhal Patrício do que com o Oliveira Irmãos; por outro lado António Prates e Tristão Ribeiro Telles dividiram o protagonismo, especialmente, nos seus últimos toiros, com mérito acrescido pela forma como ultrapassaram os problemas. De António Prates sobressaiu a formar desafogada como lidou, prescindindo dos bandarilheiros e tomando ele próprio conta da situação. Depois optou por concretizar a quiebro os ferros sem igualar o nível. Tristão Ribeiro Telles também contornou com irreverência as dificuldades que teve pela frente, que não foram poucas. Deu a cara e marcou pontos.

Pelos Amadores de Santarém pegaram João Faro, Joaquim Grave (que esteve gigante na cara do Canas Vigouroux, esperando estoicamente pela investida) e Duarte Palha. Todos concretizaram à primeira tentativa e conquistaram o prémio em disputa para o melhor grupo. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Rodrigo Andrade à primeira, Rodrigo Camilo à segunda, na melhor pega da tarde, com uma grande primeira ajuda e Vasco Carvalho também à primeira.

No fim, o prémio apresentação foi para o exemplar de Fernando Palha e o prémio bravura para o toiro de Sommer d’Andrade.

Mérito é a palavra que melhor define a tarde de Domingo na Palha Blanco.

FOTO: PEDRO BATALHA

sábado, 2 de maio de 2026

CARTAXO: A SINCERIDADE DO TOUREIO DE PARREIRITA CIGANO!

Por: Catarina Bexiga

O Toureio a Cavalo actual precisa de sinceridade. Daí, a surpresa causada por parte do cavaleiro Parreirita Cigano, ontem, na praça de toiros do Cartaxo. Logo de saída, marcou a diferença, porque fez uma coisa cada vez mais rara de se ver. Em ambos os toiros, parou-se e mostrou-se no cite, montado no “Salpique”, desenhando depois a sorte. Os ferros não foram todos perfeitos, mas as boas intenções estiveram presentes. No seu primeiro toiro começou com dois quiebros, mas como os resultados ficaram aquém do esperado, teve discernimento para mudar de estratégia. E ainda bem que o fez. A restante actuação ganhou novos voos com o “Jogral”, simplesmente, porque abordou o toiro com sinceridade, pisou os terrenos da verdade, ficando com o adversário debaixo do braço no momento da reunião. No segundo toiro manteve o mesmo registo e as mesmas boas intenções. Sem “lições” estudadas, manteve a autenticidade, e quer com o “Lisboa” quer com o “Maravilha”, voltou a cravar um “punhado” de bons de ferros. Ficou provado que, com sinceridade, o caminho pode ser outro…

De Toureio a Cavalo tudo o resto que se viu soube a pouco. Luís Rouxinol teve uma tarde discreta. Por outro lado, Joaquim Brito Paes sentiu dificuldades em se afirmar.

A ganadaria do Eng. Jorge de Carvalho foi repetida depois do êxito, nesta mesma data, há um ano atrás. Não tão completo como o anterior, mas o curro da divisa arrudense voltou a ter mobilidade, cumprindo na generalidade, quiçá o terceiro e quarto mais reservadotes.

Pelos Amadores de Coimbra pegaram Bruno Monteiro à primeira tentativa e Henrique Flório à quinta. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram Tiago Pombo à primeira e Rodrigo Gonçalves à terceira. Pelos Amadores do Cartaxo foram caras Bernardo Sá à primeira e Tiago Fonseca à segunda.

No intervalo foi homenageado o campino José “Mimoso”.

FOTO: SÓNIA CAJADA

segunda-feira, 30 de março de 2026

ALMEIRIM: ANTÓNIO TELLES E LUÍS ROUXINOL, A MENSAGEM DE DOIS VETERANOS…

Por: Catarina Bexiga

Ambos marcaram a diferença. Simplesmente, porque foram fiéis ao conceito que os tornou grandes. Porque praticaram o toureio verdadeiro e intencional. Tourearam a cavalo, com todas as letras, de acordo com o comportamento dos toiros que tiveram por diante. Dar a um toiro a lide adequada é fundamental para o êxito. Refiro-me ao que fizeram António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol este Domingo de Ramos em Almeirim. Com 40 anos de alternativa (António já os cumpriu e Luís está prestes a cumprir), ambos deixaram uma mensagem importante à nova geração de toureiros que ainda tem o privilégio de os ver. A eles, e aos aficionados!

António Ribeiro Telles reacendeu a chama dos que sabem o que é tourear a cavalo. De saída, deu importância aos compridos - o que é raro ver-se nos tempos actuais - e com o “Alegre”, novidade que tem na quadra, com um toiro reservado de Conde de Murça, lidou primorosamente, com ligação, saber e sabor, deixando vontade de o acompanhar esta temporada.

Luis Rouxinol assinou em Almeirim uma das melhores actuações que lhe vi nos últimos anos. O seu toiro foi manso com querença em tábuas, mas montado na “Nazaré”, o cavaleiro de Pegões esteve superior, com atitude, conhecimentos e capacidades. A sesgo retirou o toiro da querença várias vezes, para o deixar nos médios e aí consumar as sortes. Actuação de muito mérito e superação.

Apesar de bem apresentados, os toiros de Conde de Murça não esconderam a sua conduta de mansos. Os dois primeiros foram os que apresentaram mais dificuldades, sobretudo o de Luís Rouxinol, e aos restantes faltou raça e empurre.

Depois de António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol, entrou “em cena” um outro tipo de toureio… com outras prioridades, com outros contornos… Francisco Palha ainda procurou dar emoção aos curtos; Miguel Moura só aqueceu as bancadas com a sorte de gaiola inicial e nos ladeios; Tristão Ribeiro Telles não rompeu, abusando das distâncias aquando dos cites, e Vasco Veiga viu-se indefinido.

Os dois grupos de forcados estiveram por cima do desafio. Pelos Amadores de Montemor-o-Novo pegaram Vasco Ponce, Joel Santos e José Maria Cortes, todos à primeira tentativa. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Miguel Faria à primeira, Vasco Carvalho à segunda e Rodrigo Andrade à primeira.

Repito: a tourear, António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol marcaram a diferença. E muita!

FOTO: PEDRO BATALHA

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

2.º da FEIRA: VILA FRANCA INCOMODA, MAS FAZ FALTA!

Por: Catarina Bexiga

É, sempre, uma noite diferente. De responsabilidade para todos. Uma daquelas que rouba o sono, na véspera, a quem vai tourear na Palha Blanco. Com uma afición diferente. Com uma exigência, à qual os toureiros não estão habituados. Por mais que incomode, faz falta!

Os Amadores de Vila Franca foram os grandes protagonistas da noite. A abrir, uma extraordinária pega a cargo de Miguel Faria - muito provavelmente a pega da temporada - seguindo-se uma outra importante pega da autoria de Vasco Carvalho. Depois, concretizaram Rodrigo Caminho, um outro Rodrigo mas de apelido Andrade fez também uma grande pega, o cabo Vasco Pereira dobrou o lesionado Guilherme Dotti (a única executada à terceira tentativa) e a encerrar André Câncio. Duas grandes ajudas deram Rodrigo Dotti e Diogo Duarte, merecendo também uma referência o rabejador Rafael Leonardo. Mais uma noite de afirmação dos Amadores de Vila Franca!

Falar do Toureio a Cavalo praticado, actualmente, nas nossas arenas é um exercício difícil de fazer. Sobretudo, para quem sabe e gosta do verdadeiro Toureio a Cavalo; pois custa a “aceitar” um toureio que desvirtua a essência do próprio toureio. Por isso, escrevi no início, que Vila Franca incomoda, mas faz falta!

O curro de Canas Vigouroux - com a particular pelagem jabonera – teve toiros com vários matizes. O primeiro foi manso, a fugir insistentemente para tábuas; o segundo voluntarioso, com investidas cadenciadas, o melhor da noite, premiado com a chamada da ganadera; o terceiro não se empregou; o quarto também fez amago para tábuas; o quinto teve pouca raça e o sexto foi um toiro sem entrega, que raspou e doeu-se. Ou seja, toiros diferentes… mas toureados da mesma maneira.

Voltando ao tema, o Toureio a Cavalo é rico em sortes, e em “detalhes” ou “adornos”, que podem ser explorados em cada actuação, em função sempre do comportamento do toiro; mas, actualmente, grande parte dos nossos toureiros cingem-se a uma única sorte, a de praça a praça, mesmo quando essa não se justifica, sem que tenham atenção aos terrenos ou distâncias que cada toiro pede.

João Telles foi autor de duas actuações muito idênticas, sem força para “explodir”, pois manteve-se muito “preso” ao conceito que tem na cabeça.

No seu primeiro, Miguel Moura deu mais importância ao toureio suplementar (leia-se ladeios) do que ao toureio fundamental; e no segundo quis impor o seu toureio sem sucesso.

João Salgueiro da Costa teve uma actuação modesta no primeiro; e sofreu uma aparatosa colhida no segundo (quando o cavalo se voltou para trás na cara do toiro), que depois superou com tenacidade e determinação.

Ontem, valeu-nos a grande noite dos Amadores de Vila Franca!

FOTO: PEDRO BATALHA

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

1.ª da FEIRA: VILA FRANCA VOLTA A TER UM TOUREIRO!

 

Por: Catarina Bexiga

A renovação da Festa de Toiros passa, sobretudo, pelo aparecimento de novos toureiros, capazes de levantar expectativas; e, nos últimos tempos, o novilheiro vila-franquense Tomás Bastos tem devolvido à nossa afición um entusiasmo que há muito não se sentia.

Com a colhida, na véspera, do matador de toiros David de Miranda - oportunamente contratado pela empresa, após os seus mais recentes triunfos - a mesma optou pelo caminho “mais fácil”, e obrigou-nos a ver mais duas lides a cavalo, o que não é a mesma coisa. Longe disso!

Da Galeana vieram dois toiros atacados de carnes, bastotes, para o toureio a cavalo; e outros dois, mais harmoniosos, que estavam destinados ao toureio a pé, mas que tiveram um destino bem diferente. Dos maiores, o lidado em primeiro lugar por Tristão Ribeiro Telles veio a menos; e o segundo lidado por Francisco Palha acabou em tábuas. Dos outros dois, chamou a atenção a forma humilhada como investiu nos capotes o primeiro da tarde, mas lidado a cavalo, esperou muito no momento do ferro; e o quinto sendo o melhor, com mais “picante”.

Francisco Palha teve uma tarde discreta na Palha Blanco, com duas actuações irregulares, sendo evidente o “cansaço” da sua actual quadra. De nota superior, recordo o segundo comprido, no seu primeiro toiro, montado no “Estrondo”, um grande ferro!

Tristão Ribeiro Telles tem facilidade em comunicar com as bancadas, as suas actuações são marcadas pela disposição e determinação que imprime, mas o seu conceito ainda não está completamente definido. O público não lhe perdoou o facto do bandarilheiro lhe tocar o toiro duas vezes nas tábuas. Aliás, uma moda que persiste actualmente entre a maioria dos nossos cavaleiros, e que desvirtua as lides; porque o interesse do Toureio a Cavalo está em entender o toiro e agir de acordo com o seu comportamento; e agora, para a grande parte, deixou de haver terrenos e distâncias, deixou de se ter cuidado com as querenças, deixou de se evitar dar o braço esquerdo aos curros de saída… Enfim, muitas vezes falta sentido ao que se vê! Mas voltando às actuações do mais novo dos Ribeiro Telles; com o “Formigo” no seu primeiro, começou melhor do que terminou; e com o “Nureyev” no seu segundo, praticou um toureio mais sincero, sobressaindo o segundo e quarto curtos.  

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira, Rodrigo Camilo concretizou à primeira tentativa, Lucas Gonçalves sentiu a dureza do Grave e apenas se fechou à terceira, Guilherme Dotti fez uma grande pega à primeira e Rodrigo andrade também concretizou à primeira.

O novilheiro Tomás Bastos confirmou na sua terra o bom momento que atravessa a sua carreira; e a prova está também (e sobretudo) nos seus mais recentes triunfos em Espanha. Os seus dois Graves tinham acabado de completar três anos de idade, e para a Palha Blanco, de apresentação, mereciam outra seriedade. De capote, Tomás Bastos andou variado, por um lado com verónicas, por outro com saltilleras ou chicuelinas mais vistosas. O seu primeiro Grave foi uma “máquina de investir”, aguentando a ligação e o poderio conferido pelo toureio vila-franquense. A faena baseou-se no pitón direito, com várias series de derechazos, cingindos e profundos, quase sempre rematados com personalíssimos passes de peito. O último da tarde não tinha força, e não aguentava mais do que dois ou três muletazos seguidos, inviabilizando o ritmo da faena. A resposta de Tomás Bastou foi perentória, “não investiu o novilho, investiu ele”, optando pelo toureio de cercanias e pelos desplantes, fazendo o público da Palha Blanco (casa cheia) explodir de entusiasmo. Nova saída em ombros. E Vila Franca volta a ter um Toureiro!

FOTO: PEDRO BATALHA



quarta-feira, 17 de setembro de 2025

1.ª da FEIRA da MOITA: DOIS TOUREIROS COM HORIZONTE E SAÍDA EM OMBROS DE TOMÁS BASTOS!

Por: Catarina Bexiga

Rivalidade. Capacidades. Ambição. São as três palavras que melhor definem o espírito com que Marco Pérez e Tomás Bastos encararam a noite, de ontem, na praça de toiros “Daniel do Nascimento”, na Moita. Uma noite, em que ambos, disputaram a supremacia; mas mais importante do que isso, em que ambos, mostraram ser dois toureiros com horizonte. E é este o espírito que alimenta paixões e move multidões. Todos ficámos a ganhar!

Dos campos de Olivenza, vieram dois toiros com o ferro de Talavante, com melhores hechuras o segundo, mas sem classe nas investidas. Por outro lado, aos dois novilhos de Calejo Pires (muito fechados de cara), sobrou nobreza, mas faltou-lhes raça… Se com os “primeiros” de cada lote, os dois toureiros tiveram argumentos para se sobreporem às adversidades; com os “segundos”, viu-se uma outra dimensão do toureio de ambos, mais profunda, mais templada… mais a gosto!

Logo de capote, Marco Pérez e Tomás Bastos “picaram-se”. Houve competição e variedade, pois nenhum perdeu a oportunidade de se luzir, respondendo aos quites um do outro.

Da primeira faena de Marco Pérez guardo os doblones com que iniciou o trasteo de muleta. O de Talavante protestou por ambos os pitóns, mas Pérez manteve-se insistente, e mesmo que não acreditasse que o toiro poderia melhorar, nunca se cansou de dar muletazos. O de Calejo Pires manseou para tábuas várias vezes, mas como tinha muita nobreza, o jovem diestro de Salamanca praticou um toureio sempre muito ligado e intuitivo.

Embalado pelos seus mais recentes (e vários) triunfos, Tomás Bastos reencontrou-se com a Moita e continua a manter o idílio. Com o seu toiro de Talavante respondeu em “novilheiro”, pois a meio da faena pôs (ainda) mais entrega e mais chispa, conseguindo chegar ás bancadas. Com o novilho de Calejo Pires, outro que voltou a procurar os terrenos de dentro, Bastos esteve muito encajado, sobressaindo o toureio ao natural. Voltou a marcar uma posição e a reforçar a imagem de que é um toureiro com quem podemos contar.

Da parte do toureio a cavalo há pouco para recordar. Com um toiro do Eng. Jorge de Carvalho, sem entrega e que esperou no momento do ferro (inclusive, frenou), António Ribeiro Telles não se entendeu com o “Murmullo” no primeiro curto e limitou-se a cumprir com o “Alcochete”. O segundo com o mesmo ferro, deixou-se, mas sem ser claro; e com ele António Ribeiro Telles filho andou sobrado a lidar, sempre com ligação e sentido, mas sem romper na serie de curtos.

Pelos Amadores da Moita pegaram João César à primeira tentativa e João Pombinho à segunda.

Noite de expectativa em redor de Marco Pérez e Tomás Bastos, correspondida com uma grande entrada de público… e no fim, saída em ombros de Tomás Bastos, após ter somado quatro voltas à arena e conquistado o direito de abrir a porta grande que leva o nome de “Nossa Senhora da Boa Viagem”, padroeira da Moita.

FOTO: PEDRO BATALHA

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