sábado, 18 de julho de 2026

CAMPO PEQUENO: MORANTE, UM NOME COM SELO!

Por: Catarina Bexiga

Dizem que é o melhor toureiro da história. E eu acredito. O seu conceito rompe protótipos. Em si vemos vários toureiros e várias épocas do toureio. Vemos o melhor de Joselito, Belmonte, Chicuelo, entre outros. José António, Morante de la Puebla, resume a história do toureio. Há quem lhe veja tudo e quem não lhe veja nada. É normal, porque o toureio tem destas coisas. Mas José António tem algo diferente…sobra-lhe (em sentido figurativo) torería. Em todas as expressões, em todos os gestos. Em todo o corpo, há um toureiro. O seu conceito tem feitos sonhar os aficionados. Como aquele 14 de Junho de 2005 em Salamanca – que tive a sorte de ver «in loco» – sobre a qual José António definiu: ¿La faena de su vida? “Puede que sí, ahora mismo no recuerdo una igual. A esta le he puesto el corazón y el alma, y he sentido cosas muy bonitas”; ou como aquele 5 de Abril de 2006 em Sevilla, em que o de La Puebla definiu: "Si no fue la faena soñada, estuvo muy cerquita.". José António é um privilegiado; e nós, aficionados, igual. Porque nascemos e vivemos no seu tempo.

Ontem vimo-lo no Campo Pequeno. Como ele próprio é. No entanto, trazer uma Figura do Toureio a Portugal tem que se lhe diga. As imposições são sempre muitas…e há sempre quem tenha que ceder. Os dois toiros de Álvaro Nuñez, terciados, resenhados para Morante de la Puebla não me surpreenderam. O episódio repete-se quase sempre que uma Figura do Toureio se deixa anunciar no nosso país. Salvo raras excepções. E houve mesmo quem mostrasse o seu descontentamento, mas o ambiente (festivo) fez parecer outra coisa. Não reclamo para o Campo Pequeno, o toiro de Madrid ou Bilbao, mas, o Campo Pequeno merece um toiro com apresentação condizente com a sua categoria. E isso não aconteceu. O certo é que quanto mais importância se dá ao toiro… mais importância terá a obra com ele conseguida. Não tenham dúvidas.

José António, Morante de la Puebla, manteve a chama acesa toda a noite. Toureou à verónica, ao ralenti, rematando com meia, seguido de um quite por chicuelinas, o seu primeiro. Depois começou a faena junto a tábuas com o braço esquerdo apoiado na madeira, com tremendo gosto e imensa torería. Como foi aquele trincherazo imortal.  O toiro revelou-se manso, com tendência para descair para os terrenos de dentro, mas Morante colocou harmonia em tudo o que fez, sobressaindo vários derechazos… que muitas vezes pareceram intermináveis. Com o seu segundo, agitaram-se as bancadas quando pediu para bandarilhar. Todavia, contou mais a intenção, do que os resultados. O toiro de Álvaro Nuñez tinha mais exigências que o anterior, e obrigou a um Morante mais sabedor. Começou a faena de joelhos em terra, com ajudados por alto, para depois ir construindo a faena pouco a pouco, tendo como epilogo uma serie de naturais, com vários muletazos que ficam na retina.

A poucos dias de tomar a alternativa, Tomás Bastos teve uma noite que terminou melhor do que começou. Recebeu o seu primeiro à verónica, seguindo-se um quite por saltilleras. O novilho de La Cercada não lhe colocou as coisas fáceis. Bastos tentou a sorte pelos dois pitóns, mas a falta de raça do inimigo condicionou muito o luzimento do seu labor. Para receber o último colocou-se de joelhos para um farol seguido de verónicas. E o ambiente aqueceu. Pediu também ele para bandarilhar, mostrando que é um tercio que domina com facilidade. O início da faena foi titubeante, até que entendeu o novilho e a faena foi crescendo de interesse. Sobressaíram as últimas series de naturais, largos e com empaque. Terminou a faena por ajustadas bernardinas.

A noite começou com o toureio a cavalo. António Ribeiro Telles rubricou uma actuação dentro do que nos habituou ultimamente. Dos três compridos, destacou-se o terceiro, poderosíssimo. Depois, montado no Alegre, preparou as sortes com classe, com o cavalo a passo, sabendo o que estava a fazer. A serie de curtos teve como ponto alto o terceiro.

Fermín Bohórquez vestiu-se de toureiro, por um dia, para fazer as cortesias no Campo Pequeno. Andou a gosto, sem lhe pesar o regresso, logrando uma actuação vistosa, rematada com dois pares de bandarilhas.

Lidaram-se dois toiros de Murteira Grave fáceis, tendo o segundo proporcionado a chamada do do ganadero à arena. Prémio que me pareceu excessivo.

Pelos Amadores de Santarém pegaram Francisco Graciosa à primeira tentativa e Salvador Ribeiro de Almeida à segunda.

No inicio, o compositor António  Catalão Labreca entregou a Morante de la Puebla a partitura com o pasodoble que lhe dedicou e que foi escutado durante uma das suas faenas.

A predisposição para ver o diestro de La Puebla foi a mesma toda a noite. Porque se a lotação do Campo Pequeno esgotou quatro dias antes foi graças a ele. E no fim, o esperado: Morante em ombros pela porta grande do Campo Pequeno!

FOTO: PEDRO BATALHA

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