Por: Catarina Bexiga
Não há como a Palha Blanco. Em seriedade e exigência. Ontem,
fez-se silêncio até para se ver tourear a cavalo (coisa rara entre nós!); um
silêncio que pode parecer duro, mas que, no fundo, é o silêncio do respeito. Um
ambiente pouco querido dos nossos cavaleiros, mas que só dá grandeza ao
espectáculo e a quem se sabe superar na Palha Blanco. Porque nos grandes palcos
as palmas não se pedem, conquistam-se. E assim é em Vila Franca. Ontem, não
houve toiros de “passerelle”; houve um curro de Veiga Teixeira sério e exigente
que colocou a todos à prova. Sem excepção.
À arena saíram seis exemplares rematados, todos com cinco
anos ou à beira de os cumprir, sendo merecida uma palavra de enaltecimento ao
empresário Bernardo Alexandre, pela importância que quis aportar à Feira de
Outubro nos seus dois espectáculos.
João Salgueiro teve duas actuações diferentes em mérito. Na
primeira um mérito enorme, porque o Veiga Teixeira media, esperava, arreava… um
“tio” para mandar qualquer um para casa. E Salgueiro “puxou dos galões”. Não
foi uma actuação brilhante, mas foi uma actuação de superação. De valor. Com o
segundo, as dificuldades foram menores, mas a actuação muito mais discreta.
João Moura Jr. também assinou duas actuações distintas. Com o
seu primeiro de Veiga Teixeira (distraído e indiferente) limitou-se a cravar os
ferros; mas com o seu segundo, com mais vontade de investir (um bom toiro
merecedor da chamada à arena do maioral) e mais apto ao seu conceito, colocou
em prática o habitual toureio de praça a praça, viagens vibrantes (mas enganosas)
e reuniões na paralela.
Os ferros da noite foram da autoria de António Prates. E esta
foi a vez que vi o cavaleiro de Vendas Novas mais maduro e mais toureiro. Só
tenho pena que não tenha o seu conceito totalmente definido. Porque foi um
“Prates” no primeiro toiro e outro “Prates” no segundo. E o que vi no primeiro
merece ser valorizado e elogiado. Montado no Fantástico, marcou a diferença na
disposição e em muitos detalhes, para depois voltar a marcar também a diferença
na forma como provocou o toiro e como cravou com impacto. Com o segundo do seu
lote, manteve a atitude, mas mudou de conceito.
Grande noite tiveram os Amadores de Vila Franca. Pois é com
toiros como os de Veiga Teixeira desta noite que se vê quem são os FORCADOS com
maiúsculas. Noite de mudança de cabo e passagem de testemunho de Vasco Pereira
para Rodrigo Dotti. Foram Caras Rodrigo Andrade à primeira tentativa, Lucas
Gonçalves à segunda, Vasco Pereira à primeira, Vasco Carvalho à segunda,
Guilherme Dotti apenas à quarta e Rodrigo Camilo à primeira. Como
primeiro-ajuda, o novo cabo, Rodrigo Dotti, esteve enorme. Mais uma noite bonita
para a história dos Amadores de Vila Franca.
Termino como comecei: Não há como a Palha Blanco. Em
seriedade e exigência!
FOTO: PEDRO BATALHA

