domingo, 24 de maio de 2026

SALVATERRA DE MAGOS: ROUXINOL JR. IMPÔS-SE. TELLES FILHO DEU A CARA.

Por: Catarina Bexiga

Luís Rouxinol Jr. e António Telles filho aproveitaram a oportunidade e “marcaram pontos” na tarde de ontem, no tradicional Concurso de Ganadarias de Salvaterra de Magos. As suas actuações foram diferentes, até porque o cavaleiro de Pegões saiu favorecido com o lote que lhe tocou em sorte; mas, acima de tudo, foram os argumentos que ambos apresentaram com cada um dos seus toiros que fizeram da tarde interessante e diversificada.

Dizia-me um amigo, aqui há dias, agora quando se pergunta: como andaram os cavaleiros em determinada tarde? A resposta mais comum de se ouvir: “andaram benzinho”; mas, a verdade, é um “andaram benzinho” que no dia seguinte já ninguém se lembra. Mas, ontem, em Salvaterra não foi isso que aconteceu, porque o que vimos ontem, ainda nos lembramos hoje… e por mais alguns dias!

Luís Rouxinol Jr. teve uma tarde consistente, com muita disposição e determinação. Com o toiro de Lima Cabral – para mim o melhor da tarde – com mobilidade e transmissão, mas que não foi premiado como tal, montado no “Picasso”, começou por apontar um segundo comprido poderosíssimo, para depois construir uma actuação sólida e sempre a mais, com destaque para os dois últimos curtos. Com o toiro de Fernando Palha, Rouxinol Jr. começou com uma gaiola, e a mesma atitude que teve com o primeiro manteve-a no segundo do seu lote. O toiro cumpriu, mas partia para o cavaleiro a passo e sem fijeza, todavia, montado no “Jamaica”, Rouxinol jr. esteve inteligente, esperando pelo toiro e criando burburinho.

Com dois toiros completamente distintos, com muitos problemas para contornar, não podemos ficar indiferentes à postura de António Telles filho. O toiro de José Dias começou por descair para tábuas, mas com o tempo melhorou, facto a que não foi alheio a lide do cavaleiro. Sempre muito decidido e intencional, acabou por fazer com que o toiro se esquecesse da querença manifestada. Para mim a actuação valeu, sobretudo, pela forma como deu a volta ao toiro. Com o exemplar de Torre de Onofre, gazapón, sem entrega, teve uma vez mais que procurar encontrar soluções. A vontade foi a base de tudo o resto. Deu a cara em ambos do seu lote. Tarde muito meritória.

Francisco Palha rubricou uma tarde menos conseguida do que os seus colegas de cartel. O toiro de Foro do Almeida mostrou-se reservado e o de Manuel Veiga igual (no entanto, sobressaiu a forma humilhada como investiu nos capotes). De saída, em ambos os toiros, procurou diferenciar-se; mas depois faltou verdade e consistência ao seu toureio.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram José Duarte à segunda tentativa, Tomé Batalha à primeira e Tiago Silva também à primeira. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Guilherme Dotti à primeira, André Câncio à terceira com uma boa primeira ajuda e Rodrigo Camilo à primeira.

No fim, o júri decidiu premiar o toiro de Fernando Palha com o prémio Bravura e o exemplar de Torre de Onofre (bonito de pelagem e hechuras) com o prémio Apresentação.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

VILA FRANCA: TARDE EXIGENTE. MÉRITO REPARTIDO!

Por: Catarina Bexiga

Tarde exigente, das que pedem capacidades e argumentos, e daquelas que já não estamos muito habituados a ver nos tempos que correm. Mas, por isso, uma tarde diferente, séria, de grande compromisso para todos, das que não enfadam. Os seis toiros a concurso saíram irrepreensíveis de apresentação, cada um dentro do tipo da ganadaria que representava, aplaudido à entrada o 1.º, 4.º e 5.º, mas todos eles com problemas para resolver. O toiro de Cunhal Patrício teve mobilidade, mas foi distraídote e esperava no momento do ferro; o de Sommer d’Andrade revelou-se trotón inicialmente, mas depois modificou-se, e investiu com certa transmissão; o de Canas Vigouroux raspou muito, teve poder, mas saiu com vontade de complicar; o de Oliveira Irmãos esperou sempre muito; o de Fernando Palha teve tendência para descair para tábuas; e o de Vale Sorraia mostrou-se imprevisível, embora no momento do ferro fosse pelo seu caminho.

Perante tal cenário, os três cavaleiros tiveram que “se fazer à vida”… e o mérito foi repartido. Manuel Telles Bastos sentiu-se mais à vontade com o Cunhal Patrício do que com o Oliveira Irmãos; por outro lado António Prates e Tristão Ribeiro Telles dividiram o protagonismo, especialmente, nos seus últimos toiros, com mérito acrescido pela forma como ultrapassaram os problemas. De António Prates sobressaiu a formar desafogada como lidou, prescindindo dos bandarilheiros e tomando ele próprio conta da situação, como já tinha demonstrado no toiro anterior. Depois optou por concretizar a quiebro os ferros sem igualar o nível. Tristão Ribeiro Telles também contornou com irreverência as dificuldades que teve pela frente, que não foram poucas. Deu a cara e marcou pontos.

Pelos Amadores de Santarém pegaram João Faro, Joaquim Grave (que esteve gigante na cara do Canas Vigouroux, esperando estoicamente pela investida) e Duarte Palha. Todos concretizaram à primeira tentativa e conquistaram o prémio em disputa para o melhor grupo. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira concretizaram Rodrigo Andrade à primeira, Rodrigo Camilo à segunda, na melhor pega da tarde, com uma grande primeira ajuda e Vasco Carvalho também à primeira.

No fim, o prémio apresentação foi para o exemplar de Fernando Palha e o prémio bravura para o toiro de Sommer d’Andrade.

Mérito é a palavra que melhor define a tarde de Domingo na Palha Blanco.

FOTO: PEDRO BATALHA

sábado, 2 de maio de 2026

CARTAXO: A SINCERIDADE DO TOUREIO DE PARREIRITA CIGANO!

Por: Catarina Bexiga

O Toureio a Cavalo actual precisa de sinceridade. Daí, a surpresa causada por parte do cavaleiro Parreirita Cigano, ontem, na praça de toiros do Cartaxo. Logo de saída, marcou a diferença, porque fez uma coisa cada vez mais rara de se ver. Em ambos os toiros, parou-se e mostrou-se no cite, montado no “Salpique”, desenhando depois a sorte. Os ferros não foram todos perfeitos, mas as boas intenções estiveram presentes. No seu primeiro toiro começou com dois quiebros, mas como os resultados ficaram aquém do esperado, teve discernimento para mudar de estratégia. E ainda bem que o fez. A restante actuação ganhou novos voos com o “Jogral”, simplesmente, porque abordou o toiro com sinceridade, pisou os terrenos da verdade, ficando com o adversário debaixo do braço no momento da reunião. No segundo toiro manteve o mesmo registo e as mesmas boas intenções. Sem “lições” estudadas, manteve a autenticidade, e quer com o “Lisboa” quer com o “Maravilha”, voltou a cravar um “punhado” de bons de ferros. Ficou provado que, com sinceridade, o caminho pode ser outro…

De Toureio a Cavalo tudo o resto que se viu soube a pouco. Luís Rouxinol teve uma tarde discreta. Por outro lado, Joaquim Brito Paes sentiu dificuldades em se afirmar.

A ganadaria do Eng. Jorge de Carvalho foi repetida depois do êxito, nesta mesma data, há um ano atrás. Não tão completo como o anterior, mas o curro da divisa arrudense voltou a ter mobilidade, cumprindo na generalidade, quiçá o terceiro e quarto mais reservadotes.

Pelos Amadores de Coimbra pegaram Bruno Monteiro à primeira tentativa e Henrique Flório à quinta. Pelos Amadores de Arruda dos Vinhos concretizaram Tiago Pombo à primeira e Rodrigo Gonçalves à terceira. Pelos Amadores do Cartaxo foram caras Bernardo Sá à primeira e Tiago Fonseca à segunda.

No intervalo foi homenageado o campino José “Mimoso”.

FOTO: SÓNIA CAJADA

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