domingo, 9 de agosto de 2026

O ESTADO DA NAÇÃO...

 

Por: Catarina Bexiga

Não sei escrever de glamour. Por isso, não sei escrever sobre o Campo Pequeno… que se tornou o local onde o que mais interessa é “vender” glamour (por parte da empresa) e “passear” glamour (por parte da maioria dos seus frequentadores). Prefiro escrever sobre toureio ou sobre as ideias que, muitas vezes, me inquietam após um espectáculo taurino. Deve ser limitação minha, sentir dificuldade em conviver com tanto glamour junto. Mas, prefiro mesmo o toureio. É ele que me leva às praças!

Por falar em toureio… Nos últimos tempos, o Toureio a Cavalo tem sofrido mudanças significativas. Uma delas – quiçá a mais alarmante – a forma como a grande parte dos nossos cavaleiros toureiam em função do toiro que têm na cabeça e não em função do toiro que têm pela frente. Hoje quer-se impor a mesma lide a todos os toiros - os mesmos terrenos, as mesmas distâncias, a  sorte da moda (ao pitón contrário), etc. – quando muitas vezes o próprio animal pede o contrário. O que castra, de imediato, o interesse da modalidade. Porque cada toiro tem o seu comportamento e a cada um tem que se lhe dar a lide adequada. Chama-se, a isso, toureio!

No entanto, a tendência não está apenas no que atrás menciono; depois – sobretudo através das redes sociais – querem-nos fazer acreditar numa coisa que não aconteceu. E que até os próprios vídeos que publicam revelam às claras!  Quiçá, na tentativa que persuadir os menos conhecedores e menos exigentes; ou mesmo, de colocar em causa (e fazer duvidar) o conhecimento do próprio aficionado que sabe o que é o toureio. Mas lá diz o provérbio, “mais cego que o cego é aquele que não quer ver!”.

Só por descargo de consciência… ontem, houve toiros no Campo Pequeno. Duarte Fernandes tomou a Alternativa das mãos do seu tio Rui Fernandes. E coube ao novato cavaleiro – que se vê sobrado de capacidades – a lide mais interessante da noite; a primeira, com um toiro de Maria Guiomar Cortes de Moura que se mexeu, embora carecesse de transmissão. Diego Ventura esbarrou com o pior lote (de um curro gordo e sem raça) e não se sentiu a gosto; e Rui Fernandes andou animoso. Pegaram os Amadores do Aposento da Moita (com destaque para o valor de António Lopes Cardoso) e os Amadores de Turlock.

Volto a afirmar, escrever de glamour não é para mim…


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