Por: Catarina Bexiga
Acredito
que para Luís Rouxinol tenha sido um dia carregado de emoções fortes; pois, na
temporada que antecede a da sua despedida das arenas, após 40 anos de
Alternativa, ainda tem o privilégio de assistir ao debute de mais um filho
toureiro. Só ele saberá o que levava na cabeça e transportava no coração. Sensações
únicas e, com toda a certeza, um dia que jamais esquecerá. Ontem, o Simão Vicente
partilhou as cortesias com o seu pai e com o seu irmão, junto com António
Telles pai e filho; figura franzina e rosto sério, um misto de acanhamento e responsabilidade,
que com o passar do tempo se foi transformando em confiança e optimismo. Após
as quatro primeiras actuações, o Simão saiu à arena para concretizar um sonho,
brindado a lide ao público e, a título póstumo, ao seu avô, Alfredo Rouxinol, o
patriarca da família Rouxinol. Os compridos ajudaram a “medir” o Passanha
(reservadote) e a “sentir” o público (que muito o acarinhou), mas também a descontrair;
para depois ir buscar a “Nazaré” e revelar-se como toureiro. Teve à vontade dentro
da praça quis fazer as coisas bem feitas e cravou quatro curtos de excelente
nota. Promissora estreia… e é caso para afirmar: Há um novo Rouxinol nas
arenas!
O curro
de Vale Sorraia, bem-apresentado e com a sua particular pelagem cardena, saiu díspar
de comportamento. O primeiro, foi um toiro fácil; o segundo, mais reservado; o
terceiro, voluntarioso; o quarto, manso com querença nas tábuas; o quinto (para
a lide a duo, Telles pai e filho) outro toiro manso, mas este complicado; e o
sexto (para a lide a duo de Rouxinol pai e filho) colaborador.
De
regresso a Reguengos de Monsaraz, António Ribeiro Telles assinou uma actuação
que subiu de tom na serie de curtos. Montado no “Alegre”, sentiu-se toureiro,
deu gosto vê-lo lidar e os cinco curtos que cravou tiveram a sua chancela. No
quarto mostrou-se muito no cite, em tom provocatório, cobrando um grande ferro.
Em tarde
de muito significado, as melhores recordações de Luís Rouxinol recaíram nas
actuações dos seus dois filhos, pois teve motivos para ficar orgulhoso de
ambos. Com o seu toiro andou esforçado, mas sem possibilidade de luzimento.
Luís
Rouxinol Jr. voltou a dar nas vistas, de saída, com o “Picasso”, sobretudo pela
forma como se superou no segundo comprido, poderosíssimo. Depois, para os
curtos, apostou no “Jamaica” e a lide foi em crescendo, procurando dar primazia
de investida ao toiro e cravando três grandes ferros curtos.
António
Telles filho teve que andar laborioso para conseguir deixar a ferragem da ordem.
Não teve fortuna no sorteio, e apesar da disposição, os resultados também
demoraram a aparecer.
A duo,
António Telles e António Telles filho tiveram uma actuação movimentada; e Luís
Rouxinol pai e filho, encerraram a tarde/noite com uma actuação com sabor a êxito
popular.
Pelos
Amadores de S. Manços, João Amador dobrou Martim Moreno, sendo superiormente
ajudado, seguindo-se Rodrigo Grilo à primeira. Pelos Amadores do México
concretizaram Alejandro Batista à terceira e o cabo René Tirado à primeira.
Pelos Amadores de Monsaraz foram caras André Claudino à segunda e Miguel
Valadas à primeira. O novilho de Passanha foi pegado pelos três grupos, sendo
cara Manuel Valadas, dos Amadores de S. Manços, que dobrou Afonso Amador.
De
Parabéns está a Reguengos Afición por todos os trabalhos de melhoramento que têm
feito na praça de toiros “José Mestre Batista”; agora também com novos curros.
Um exemplo a seguir.
FOTO: PEDRO BATALHA
