domingo, 14 de junho de 2026

REGUENGOS DE MONSARAZ: HÁ UM NOVO ROUXINOL NAS ARENAS!

Por: Catarina Bexiga

Acredito que para Luís Rouxinol tenha sido um dia carregado de emoções fortes; pois, na temporada que antecede a da sua despedida das arenas, após 40 anos de Alternativa, ainda tem o privilégio de assistir ao debute de mais um filho toureiro. Só ele saberá o que levava na cabeça e transportava no coração. Sensações únicas e, com toda a certeza, um dia que jamais esquecerá. Ontem, o Simão Vicente partilhou as cortesias com o seu pai e com o seu irmão, junto com António Telles pai e filho; figura franzina e rosto sério, um misto de acanhamento e responsabilidade, que com o passar do tempo se foi transformando em confiança e optimismo. Após as quatro primeiras actuações, o Simão saiu à arena para concretizar um sonho, brindado a lide ao público e, a título póstumo, ao seu avô, Alfredo Rouxinol, o patriarca da família Rouxinol. Os compridos ajudaram a “medir” o Passanha (reservadote) e a “sentir” o público (que muito o acarinhou), mas também a descontrair; para depois ir buscar a “Nazaré” e revelar-se como toureiro. Teve à vontade dentro da praça quis fazer as coisas bem feitas e cravou quatro curtos de excelente nota. Promissora estreia… e é caso para afirmar: Há um novo Rouxinol nas arenas!

O curro de Vale Sorraia, bem-apresentado e com a sua particular pelagem cardena, saiu díspar de comportamento. O primeiro, foi um toiro fácil; o segundo, mais reservado; o terceiro, voluntarioso; o quarto, manso com querença nas tábuas; o quinto (para a lide a duo, Telles pai e filho) outro toiro manso, mas este complicado; e o sexto (para a lide a duo de Rouxinol pai e filho) colaborador.

De regresso a Reguengos de Monsaraz, António Ribeiro Telles assinou uma actuação que subiu de tom na serie de curtos. Montado no “Alegre”, sentiu-se toureiro, deu gosto vê-lo lidar e os cinco curtos que cravou tiveram a sua chancela. No quarto mostrou-se muito no cite, em tom provocatório, cobrando um grande ferro.

Em tarde de muito significado, as melhores recordações de Luís Rouxinol recaíram nas actuações dos seus dois filhos, pois teve motivos para ficar orgulhoso de ambos. Com o seu toiro andou esforçado, mas sem possibilidade de luzimento.

Luís Rouxinol Jr. voltou a dar nas vistas, de saída, com o “Picasso”, sobretudo pela forma como se superou no segundo comprido, poderosíssimo. Depois, para os curtos, apostou no “Jamaica” e a lide foi em crescendo, procurando dar primazia de investida ao toiro e cravando três grandes ferros curtos.

António Telles filho teve que andar laborioso para conseguir deixar a ferragem da ordem. Não teve fortuna no sorteio, e apesar da disposição, os resultados também demoraram a aparecer.

A duo, António Telles e António Telles filho tiveram uma actuação movimentada; e Luís Rouxinol pai e filho, encerraram a tarde/noite com uma actuação com sabor a êxito popular.

Pelos Amadores de S. Manços, João Amador dobrou Martim Moreno, sendo superiormente ajudado, seguindo-se Rodrigo Grilo à primeira. Pelos Amadores do México concretizaram Alejandro Batista à terceira e o cabo René Tirado à primeira. Pelos Amadores de Monsaraz foram caras André Claudino à segunda e Miguel Valadas à primeira. O novilho de Passanha foi pegado pelos três grupos, sendo cara Manuel Valadas, dos Amadores de S. Manços, que dobrou Afonso Amador.

De Parabéns está a Reguengos Afición por todos os trabalhos de melhoramento que têm feito na praça de toiros “José Mestre Batista”; agora também com novos curros. Um exemplo a seguir.

FOTO: PEDRO BATALHA

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