segunda-feira, 8 de maio de 2017

TARDE DESESPERANTE NA PALHA BLANCO...JORGE DE CARVALHO MERECIA OS DOIS PRÉMIOS, MAS NÃO LEVOU NENHUM PARA CASA…

Vila Franca de Xira, 7 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Chegou a ser desesperante estar na Palha Blanco. Com as bancadas “despidas” de aficionados e de entusiasmo, a contrastar com outras tardes de glória que ali se viveram. Para o Concurso de Ganadarias de hoje, a empresa escolheu as de Passanha Sobral, Jorge de Carvalho, Branco Núncio, António Silva, Souza d’Andrade e São Torcato. Pela negativa, a apresentação do exemplar de Branco Núncio (sem cara); e pela positiva, a superior apresentação do toiro de Jorge Carvalho. Quanto a comportamento, foi reservado o de Sobral, fácil o de Núncio, colaborador o de Silva, complicado o Andrade e veio de menos a mais o de São Torcato. Para mim, o toiro de Jorge de Carvalho (un tio!) teve muitas virtudes e foi o melhor da tarde. Merecia vencer os dois prémios em disputa, mas não levou nenhum para casa!!!

Os três cavaleiros que se anunciaram – Francisco Palha, João Maria Branco e João Salgueiro da Costa – assinaram uma tarde desprovida de conteúdo. Porque tourear é diferente de cravar ferros… Francisco Palha ainda apontou no primeiro do seu lote, mas as actuações de Branco e Salgueiro foram paupérrimas em tudo. Para esquecer!

O grande momento da tarde foi protagonizado pelos Amadores de Vila Franca de Xira ao terceiro toiro da corrida. Uma grande pega de Vasco Pereira, superiormente ajudado pelo seu irmão. Pelo grupo da terra pegaram ainda Rui Godinho e Márcio Francisco, ambos à primeira tentativa. Justamente, venceram o prémio “João Vilaverde”para o melhor grupo. Pelos Amadores de Alcochete concretizaram João Machacaz à terceira (dobrou Fernando Quintela depois duas tentativas frustradas), Manuel Pinto à segunda e a encerrar Pedro Viegas à primeira.

Foto: Pedro Batalha

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CARTAXO: RENOVADA MENSAGEM DE ANA BATISTA

Cartaxo, 1 de Maio 2017
Por: Catarina Bexiga

Terra de vinho, mas também de gente aficionada, que deve reconhecer o esforço e o empenho de quem quer “dar vida” ao Cartaxo. Da parte do empresário José Luís Gomes ficou o exemplo. Em fase de recuperação, um cartel que se aplaude!

Os toiros de Prudêncio exigiram aos três toureiros soluções para os seus problemas. A Telles Bastos tocou o pior (3.º) e o melhor (6.º), mas a maioria esperou muito pelos cavalos.

Ana Batista reflectiu maturidade e torería na sua passagem pelo Cartaxo. Entendeu na perfeição o seu primeiro, sacando o toiro dos tércios para os médios, e mantendo-se sempre ligada para concretizar as sortes. Com o “Roncal” a serie de curtos veio a mais. Frente ao quinto, a cavaleira de Salvaterra de Magos conservou a atitude, mas o toiro teve tendência para se desligar e para se reservar no momento do ferro. Apesar de tudo, com o “Conquistador” houve momentos que ficaram na retina.

Determinação foi o “segredo” da primeira lide de Manuel Telles Bastos. O de Prudêncio teve querença em tábuas, e ao sair, investia com violência. Montado no “Diestro”, apresentou recursos para ultrapassar os problemas e os dois últimos curtos, a sesgo, tiveram muito mérito. Com o sexto da tarde, o mais fácil do curro, limitou-se a cravar os ferros com vulgaridade.

A tarde custou trabalho ao cavaleiro Luís Rouxinol. Desta vez, o conhecido “Douro” não andou a gosto com o primeiro do lote; e a “Viajante” apenas logrou um bom curto no segundo. Para Rouxinol, cavaleiro de grande regularidade, esta tarde teve um sabor estranho…

As pegas estiveram a cargo de dois grupos. Pelos Amadores de Lisboa pegaram João Varanda de Carvalho e Martim Cosme Lopes, ambos à primeira; e António Galamba à segunda. Os forcados do Cartaxo passaram no “exame”, concretizando todas as pegas à primeira. Pegaram o cabo, Bernardo Campino, Fábio Beijinho e Duarte Campino.  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

CURIOSIDADES DA SEMANA SANTA

Estamos em plena Semana Santa. Hoje a noite de Sevilha, é algo mais do que uma simples noite, é um sentimento, uma paixão… Hoje, vive-se La Madrugá. O paso de La Macarena (Hermandad a que pertencem vários toureiros) chega a ser comovente. A imagem, levada pelos Costaleros e acompanhada pelos Nazarenos, percorre durante horas as ruas de Sevilha, sendo saudada por Saetas e gritos em seu louvor. A propósito fique a saber que:

1 - No peito, a imagem  de La Macarena leva cinco esmeraldas em forma de rosas, denominadas de Mariquillas, oferta do matador de toiros Joselito El Gallo. Mas a seu respeito existem outras curiosidades. A morte de Joselito El Gallo aconteceu a 16 de Maio de 1920, na praça de toiros de Talavera de la Reina (Toledo), na sequência da cornada de Bailador daganadería da Viúva de Ortega. O acidente comoveu a província de Sevilha e especialmente a Hermandad de La Macarena, da qual fazia parte o toureiro sevilhano. Pela primeira e única vez, La Macarena vestiu de negro, em sinal de luto e reconhecimento.


2 - Contam os livros que durante a Segunda República Espanhola (proclamada a 14 de Abril de 1931) vários membros republicanos saquearam diversos templos sevilhanos, e perante o perigo, o sacristão de La Macarena levou-a para a sua casa e meteu-a na sua cama, simulando uma pessoa. À noite transportou a imagem para o Cemitério de San Fernando, e argumentando ser um marmorista, depositou-a na sepultura de Joselito El Gallo, onde permaneceu oculta durante dois meses. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

VILA FRANCA DE XIRA: EM CADA JAQUETA DE RAMAGENS UM PEDAÇO DE HISTÓRIA…

Vila Franca de Xira, 9 de Abril 2017
Por: Catarina Bexiga

Em cada forcado um coração vilafranquense. Em cada jaqueta de ramagens um pedaço de história. A Palha Blanco registou uma grande moldura humana no Festival Taurino que assinalou os 85 anos dos Amadores de Vila Franca de Xira. A melhor maneira de reconhecer a trajectória do grupo e de o acarinhar em dia especial…

O ponto alto da tarde foi a actuação do matador de toiros Curro Diaz com um novilho de Falé Filipe. Um hino ao toureio clássico. Para começar um par de lances à Verónica; e depois uma faena de fino corte, com muletazos profundos e templados, e o toureiro a gosto. Deu duas merecidas voltas à arena.

A Vitor Mendes tocou um novilho violento, dos três o único que não serviu. Mendes despachou-o com ofício. Referir, que João Ferreira cravou dois excelentes pares de bandarilhas, ganhando o pitón e cravando na cara. Saudou nos tércios.

João d’Alva, aluno da Escola de Toureio “José Falcão”, deixou uma importante mensagem na Palha Blanco. Concentrado, entendeu o novilho de Falé Filipe, e construiu uma faena pausada, procurando levar largo os muletazos, e sentindo-se toureiro.

A cavalo, António Ribeiro Telles lidou um novilho parado com ferro Casa Avó. Montado no “Favorito”, a sua sapiência superou as dificuldades. Com detalhes de maestria.

O novilho, com o mesmo ferro, que tocou a Luís Rouxinol, embora sem fijeza no momento do cite, teve mobilidade. Montado no “Douro”, Rouxinol defendeu o seu estatuto, à base da disposição.  

Ana Batista regressou às arenas com um esmerado sentido de lide. O Casa Avó teve acentuada querença em tábuas, mas a cavaleira soube contrariar-lhe a vontade. Montada no “Roncal”, o segredo esteve na ligação, sem perder a cara ao adversário, para lograr concretizar as sortes.

Depois do toureio a pé, menos conteúdo tiveram as restantes actuações a cavalo. Com um novilho de António Silva, Paulo Jorge Santos limitou-se a andar desembaraçado; e com o exemplar de Charrua, o praticante António Prates acusou a responsabilidade.

Terminamos, com os protagonistas na tarde. Concretizaram Ricardo Castelo e Carlos Telles “Caló”, ambos à segunda tentativa, Bruno Casquinha à primeira, Ricardo Patusco à quarta e Diogo Pereira à primeira, a encerrar com chave de ouro a prestação do grupo. Na retina ficaram também outros tantos, que voltaram a vestir a jaqueta de ramagens e a pisar a Palha Blanco, forcados que enalteceram o grupo em diferentes épocas.  

domingo, 9 de abril de 2017

ADRIÁN, A FESTA DE TOIROS FÊ-LO SENTIR FELIZ

Por: Catarina Bexiga

Adrián Hinojosa, com apenas 8 anos, sofria de Sarcoma de Ewing, um tipo de cancro contra o qual estava a lutar nos últimos tempos. Todavia, como todos os meninos da sua idade, Adrián tinha um sonho. Possivelmente, longe de pensar o que futuro lhe pudesse reservar, Adrián tinha uma particularidade que o distinguia dos demais: queria ser TOUREIRO!

A 8 de Outubro em Valência – Adrián foi o rosto do Festival Taurino a favor da Fundación de Oncohematología Infantil, e viu-se rodeado dos seus heróis.

Fizeram parte do cartel, Vicente Ruiz “El Soro”, Enrique Ponce, Vicente Barrera, Rafaelillo, Román, Ginés Marín e o novilheiro Fernando Beltrán.

A 8 de Outubro, Adrián fez o paseillo junto dos toureiros, foi brindado, deu voltas ao ruedo e saiu em ombros! As imagens correram o mundo, e por parte dos anti-taurinas surgiram comentários desumanos, o suficiente para ficarmos com a ideias do tipo de pessoas que são.

A Festa de Toiros é grande. Porque a grandeza também está nos gestos; nos sentimentos que provoca e na solidariedade que demonstra para com quem necessita.

Adrián, faleceu hoje sem cumprir o seu sonho, mas a Festa de Toiros fê-lo feliz. Descanse em paz.

sábado, 8 de abril de 2017

LISBOA: REVITALIZAÇÃO OU MEDIATISMO?

Lisboa, 6 de Abril 2017
Por: Catarina Bexiga

Juan José Padilla somou a terceira saída em ombros pela porta grande da Monumental do Campo Pequeno. A sua presença esgotou o coso lisboeta e suscitou na afición portuguesa um histerismo colectivo. Hoje, quem vai ver o jerezano (e muitos foram os que abandonaram as bancadas após a sua última faena) não vai , simplesmente, ver um matador de toiros que está no seu momento; Padilla é um “produto” diferenciado, um exemplo de superação, a vitória da vida sobre a morte… Particularmente, na praça de toiros da capital, a mensagem de Juan José “cai bem” num público diverso, receptivo a tudo, que procura algo que o divirta… Padilla bandarilhou os seus dois toiros de Varela Crujo, explorou a nobreza do primeiro (excessivamente premiado com a chamada do ganadero à arena), construindo uma faena variada e ligada; e com o segundo, que investiu sem classe, tirou partido da generosidade do público português. Feitas as contas, duas voltas no primeiro, mais três voltas no segundo, igual a saída em ombros.

No final da tarde de Quinta-feira, um painel de oradores, composto por João Queiroz, José António Campuzano, Rui Bento Vaquez, Manuel Dias Gomes e Pedro Brito de Sousa, abordou o tema da “Revitalização do Toureio a Pé em Portugal”.  O optimismo foi a palavra comum no discurso de todos. Todavia, depois da valorização de Juan José Padilla, cabe também aos aficionados apoiarem os matadores de toiros portugueses para a revitalização que urge. A faena de Manuel Dias Gomes em Lisboa (Setembro), com um toiro de Manuel Veiga; e a de António João Ferreira em Vila Franca de Xira (Outubro) com um toiro de Falé Filipe; mereciam que ambos tivessem na agenda vários contratos. A não acontecer, estaremos a falar de revitalização ou mediatismo?

Voltando à arena de Lisboa, na noite do seu debute, a Roca Rey tocou os dois piores toiros do encierro de Varela Crujo , o terceiro sem força, custava-lhe a seguir os voos da muleta; e o sexto revelou-se manso, investindo com brusquidão. Sem opções, o peruado esteve por cima das condições dos adversários. A espaço, ainda desfrutámos da sua classe e do seu temple.

João Moura recebeu à gaiola o seu primeiro Vinhas - que investiu melhor atrás do cavalo do que nas abordagens – e apenas logrou dois curtos convincentes, com o “Colombo”, o terceiro e quarto da serie. Frente ao desenraçado quarto da função, a actuação careceu de interesse.

Pelos Amadores de Vila Franca de Xira pegaram o cabo Ricardo Castelo e Rui Godinho, ambos à segunda tentativa.

A noite terminou como começou, com um ambientazo em redor do novo ídolo do Campo Pequeno: Juan José Padilla. 

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