segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O "DIA DA TAUROMAQUIA" FOI UM SUCESSO! E OS PRÓXIMOS OITO MESES?

Por: Catarina Bexiga

Às vezes, com as minhas palavras, posso transmitir mais inquietudes do que entusiasmos, mas acreditem que faço um esforço para equilibrar os pensamentos.

O “Dia da Tauromaquia” (23 de Fevereiro) foi um sucesso! Milhares de pessoas passaram pelo Campo Pequeno. Quem foi, foi pela sua condição de Aficionado (mais do que pelo cartel), foi por missão! A jornada serviu para o pretendido: valorização e promoção da Festa!

Pela frente temos agora oito meses de toiros… Actualmente, existe uma oferta enorme de espetáculos de lazer, muito variada, muito atractiva, alguns deles económicos, mas que competem directamente com o espectáculo taurino!

Hoje (e sempre) o principal objectivo dos empresários é o de montar cartéis que chamem Aficionados às bilheteiras. Embora, as “troca de cromos” entre os empresários que são simultaneamente apoderados retirem, em alguns casos, importância às combinações.

Actualmente, todos fazem falta! Os que vão a 30 corridas por ano e os que vão somente a 3 por temporada. Todavia, temos que nos convencer, que a base da Festa está na emoção e, se desaparece a emoção, desaparece o interesse. Dos que vão a 30 por ano e dos que vão a 3 por temporada.

A Festa precisa de autenticidade. Porque ao leigo, qualquer coisa, pode entreter; mas ao Aficionado, que procura as bilheteiras hoje, amanhã e depois de amanhã, esse vai para ver tourear.

O grande repto para 2019 é apenas um! Juntar todos num espetáculo de qualidade, que nos faça desfrutar!

Foto: Touradas

domingo, 3 de fevereiro de 2019

ILUSIÓN...

Por: Catarina Bexiga 

Ilusión. A palavra mais ouvida em cada início de temporada por parte de toureiros, ganaderos, empresários, aficionados, etc. Ilusión, porque se trata de esperança, desejo de lograr algo, sentimento de alegria...

Por cá, o Festival de Mourão  deu o "pontapé de saída" como sempre; e a afición de todos foi mais forte do que a chuva e o frio que se fizeram sentir na tarde do passado dia 1 de Fevereiro. Para mim, mais importante do que o resultado artístico, foi o desejo com que todos nos voltámos a encontrar, foi o desejo com que todos voltámos a "respirar" toiros! 

A Monumental do Campo Pequeno receberá a 23 de Fevereiro o Dia da Tauromaquia, um evento importante para a promoção da Festa de Toiros, que deve contar com a presença de todos!

Os últimos tempos têm sido pouco tranquilos, com muitas inquietações e preocupações pelo meio... mas o certo é que passo a passo (com a ajuda da PróToiro), as "vitória" são superiores ás "derrotas".

A temporada de 2019 está a chegar. Todos (intervenientes directos e indirectos) devemos ser conscientes de que existe muita coisa a melhorar para a "sobrevivência" do espectaculo. Que Deus reparta a sorte! E que nunca percamos a Ilusión!

sábado, 24 de novembro de 2018

A INCONGRUÊNCIA DA SOCIEDADE...

Por: Catarina Bexiga

Desde sempre, assumi a minha Afición em todo lado e junto de todos aqueles que se cruzaram comigo na minha vida. Na pré-primária, na primária, do 5.º ao 12.º ano de escolaridade e na Universidade. Ou seja, o meu gosto pela Festa de Toiros tem sido transversal às várias fases (infância/adolescência/idade adulta) da minha vida. E sem que alguém me tivesse “imposto” tal gosto. Inclusive, fui eu que procurei “descobrir” esse mundo – intolerado por uma parte da Sociedade – mas fiel a princípios que são extremamente importantes para que o Homem entenda como deve estar na vida, como deve de agir, como deve de respeitar, como deve de ajudar…Etc.

A incongruência da Sociedade é algo que observo com preocupação. A “humanização” dos animais é um dos temas da actualidade. Pois, os animais de estimação são muitas vezes vistos como “filhos” ou “irmãos”. Todavia, os animais serão sempre animais. E os humanos serão sempre humanos. Cada um tem o seu espaço. Alterar esta conduta é mexer nas próprias Leis da Natureza.

Em contrapartida, vivemos numa Sociedade em que:

✔ Cerca de 10% das camas existentes nos hospitais do Estado estão ocupadas por idosos que são abandonados pelas famílias; 

✔ Continua a disparar o número de idosos abandonados em lares da terceira idade;

✔ A “morte da professora Amélia Fialho” ou a “morte do triatleta Luís Grilo” são exemplo de casos que aparecem com frequência na Comunicação Social; 

✔ O número subiu para cerca de 32.000 vítimas de violência doméstica em Portugal, e para 24 de mulheres assassinadas no mesmo contexto; 

✔ São preocupantes os registos de violência infantil em Portugal, que envolve agressões físicas, mas também “a violência dita silenciosa”, que atinge um número muito maior de crianças;

✔ Existe um agravamento das carências alimentares nas famílias com limitações económicas, e que o número de pessoas assistidas por Instituições  que esteve "uma vez ou outra" sem comer um dia inteiro dilatou significativamente;

✔ Há mais de 600 crimes por mês nas escolas portuguesas e mais de 200 as vítimas que, por ano, são conduzidas ao hospital. Etc.

Afinal, que Sociedade é esta em que vivemos? Que Sociedade é esta, que deprecia a vida humana? Que Sociedade é esta, que tem quem afirme que a Tauromaquia é uma questão de civilização? Que incongruência tão grande!


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

FEIRA DE OUTUBRO NA PALHA BLANCO, COM A ASSINATURA ANTÓNIO RIBEIRO TELLES!


Por: Catarina Bexiga

Assim, dá gosto ser Aficionada (o)! As duas Corrida de Toiros que integraram a Feira de Outubro em Vila Franca de Xira reforçaram a ideia de que o futuro terá que – obrigatoriamente – passar pela recuperação da emoção no espectáculo. Da emoção que nos transmite o toiro bravo. Da emoção que nos transmite o nosso Toureio a Cavalo. O sinal está dado! Da Palha Blanco trouxemos grandes recordações….

- DOIS GRANDE TOIROS, MAS… Dois grandes toiros competiram entre si no Concurso de Ganadarias de 7 de Setembro, o de São Torcato e o de Veiga Teixeira. O de São Torcato foi um toiro com muita classe e cheio de virtudes; inclusive, no último curto, investiu de largo para o cavaleiro. O de Veiga Teixeira foi um toiro que teve “motor” e investiu com transmissão atrás do cavalo, mas no momento do ferro esperava um pouco. O Director de Corrida premiou ambos com volta ao ganadero. O júri decidiu entregar o prémio (ex-aequo) aos dois. Reconheço que foram dois toiros importantes; mas pessoalmente, gostei mais do toiro de São Torcato. Dos grandes toiros que tenho gravado na memória, este foi para mim o toiro da temporada!

- TARDE DE COMPETIÇÃO. Voltou a sentir-se competição entre Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr. Finalmente, há quem “abane” isto! A Francisco Palha tocou o toiro de São Torcato e a Rouxinol Jr. o toiro de Veiga Teixeira. Na minha opinião, a primeira actuação de Francisco Palha foi sobrevalorizada pelos seus conterrâneos. Então se vissem os três ferros que cravou (dois dias antes) na Chamusca havia um “tsunami” em Vila Franca … A melhor actuação de Luís Rouxinol Jr. surgiu com o sexto da função. O de Veiga Teixeira investiu com raça, e teve um cavaleiro à altura. Grande estreia a de Rouxinol Jr. na Palha Blanco!

- A EXIGÊNCIA DE VILA FRANCA. Todos os toureiros a sentiram! A Palha Blanco sabe exigir, mas também sabe valorizar. Sabe assobiar, mas também sabe aplaudir. Fazem falta mais “Palha Blancos”…  Todavia, ½ casa na tarde de Domingo revela que os jovens precisam de se afirmar definitivamente; e uma lotação esgotada na noite de Terça-feira prova que os grandes acontecimentos – como o mano-a-mano António Ribeiro Telles / Diego Ventura – aumentam o entusiasmo dos aficionados e do público em geral.

- A GRANDE NOITE DE TERÇA-FEIRA. A expectativa estava “pelas nuvens”. Apesar dos anos que os separa, ambos estão a atravessar um grande momento, mas a noite terminou com a inconfundível assinatura do cavaleiro da Torrinha. Grande noite de Toureio a Cavalo à Portuguesa. Uma “porta gaiola” no terceiro. Uma “gaiola” no quinto. Três actuações em crescendo. E um toiro de Palha para acabar com ¾ do escalafón, com o qual António esteve sensacional, pela superação das dificuldades e pelo mérito dos resultados. Parecia que tinha 20 anos! E fez, o que não fazem, os que agora têm 20 anos! No último “acabou com o quadro”. Merecia ter saído em ombros da Palha Blanco!!!

- A REFLEXÃO QUE NOS DEIXA ANTÓNIO RIBEIRO TELLES. O Toureio a Cavalo à Portuguesa é uma “herança” que nos foi deixada e que temos a obrigação de saber conservar e defender. Com seriedade e exigência. Sobretudo, por parte de quem se veste de toureiro! Não precisamos de imitar ninguém. Não precisamos de “pseudo Pablos” ou “pseudo Venturas”. Somos a Pátria do Toureio a Cavalo e temos, definitivamente, de saber valorizar o que é nosso!

- RICARDO CASTELO E O SEU LEGADO. Ricardo Castelo entregou a chefia dos Amadores de Vila Franca ao jovem Vasco Pereira na nocturna de 9 de Setembro. Despediu-se um grande forcado. Despediu-se, mas leva consigo as melhores recordações que um forcado pode levar… Despediu-se, mas sabe que deixa o grupo capaz de assumir qualquer desafio. Grande noite dos Amadores de Vila Franca. Noite de forcados importantes! Noite de grandes ajudas!

Foto: João Silva

terça-feira, 2 de outubro de 2018

VILA FRANCA DE XIRA: UN TORERO PARA ILUSIONARSE!


Por: Catarina Bexiga

Chama-se António João Ferreira! Teve a sorte de nascer com intuição para o toureio, com um valor “à prova de bala”, com uma maneira de estar e sentir o toureio muito próprias; mas o azar de nascer em Portugal. O que mais terá que fazer, para que os Empresários e os Aficionados olhem para ele e acreditem? Não se pode tourear com mais pureza. Não se pode tourear com mais firmeza. Não se pode tourear com mais cingimento. E nos últimos anos, tem toureado uma /duas Corridas por ano… Vaya, moralização! Vaya, cabeça a deste “tío”! Já o provou inúmeras vezes. Já o deixou escrito outras tantas. Na tarde de Colete Encarnado em 2014 e 2017; nas Feiras de Outubro de 2015 e 2016; já este ano em Lisboa e agora de novo na Palha Blanco. Chegará? O seu primeiro toiro de David Ribeiro Telles teve nobreza e Ferreira construiu uma faena sólida com argumentos de toureio sério. Por ambos os pitóns, houve muletazos importantes, que fizeram soar os exigentes “olés” da Palha Blanco. O seu segundo não serviu, e o seu esforço foi estéril. Este é “un torero para ilusionarse!”. Pena, nasceu na terra de Camões…

Quem também merece uma palavra de reconhecimento é João Ferreira, irmão de António João Ferreira. Esteve sensacional toda a tarde. Bregou superiormente o terceiro e de igual forma bandarilhou o sétimo. Vaya, torero de plata!

Nuno Casquinha foi repetido depois do seu triunfo no Colete Encarnado. O seu primeiro toiro investiu com certo génio, mas o seu segundo obedeceu. Casquinha manteve a sua entrega, assinando duas faenas voluntariosas, e um grande par de bandarilhas no último do seu lote.

No capítulo do toiro, o tema ficou aquém das expectativas. O trapio da Palha Blanco não pode ser desprezado. Retiradas ilações sobre a reação do público, Ricardo Levezinho terá que preservar o tema com olhos de Aficionado… Inicialmente, estavam anunciados quatro toiros de Ribeiro Telles e quatro de Falé Filipe; mas devido a problemas sanitários acabaram por vir a totalidade de Ribeiro Telles. O primeiro e sexto foram contestados pela apresentação. O primeiro demasiado comodo de cara e o sexto uma “cabra” (curiosamente, na foto a campo, o toiro não parecia o mesmo...). Quanto à volta aos ganaderos no quinto da função, ainda estou por entender… foi um toiro que sempre esperou e só investiu (ao 3.º curto) a favor das tábuas…

A cavalo pouco se passou para memória futura. João Moura Jr. e João Telles Jr. pareceram “incomodados” com o público da Palha Blanco. Só no quinto da tarde, quando Moura Jr. decidiu imprimir mais vibração ao seu toureio as “coisas” aqueceram. Não sou a favor dos despropósitos, mas com mais público como o da Palha Blanco talvez o Toureio a Cavalo tivesse outro nível… Porque isto de ver “festejar” determinados ferros começa a ser penoso…

Pelos Amadores de Santarém concretizaram António Goes e António Pombeiro, ambos à primeira tentativa. Pelos Amadores de Vila Franca de Xira pegaram Pedro Silva à terceira e David Moreira, na melhor pega da tarde, à primeira.

Voltamos à Palha Blanco nos próximos dias 7 e 9 de Outubro!


Foto: Pedro Batalha

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

MONTIJO: HOUVE COMPETIÇÃO! HOUVE TRIUNFO GRANDE DE ROUXINOL JR.!


Por: Catarina Bexiga

Houve competição de verdade! Houve entrega dos toureiros. Sentiu-se rivalidade na arena. E houve Toureio a Cavalo do que faz desfrutar o Aficionado. Inclusive, foi das poucas vezes que o senti, os três protagonistas do cartel encararam a tarde com “espírito” competitivo. Assim, ganhámos todos!

João Telles Jr. apareceu num registo muito mais válido que o habitual. Surpreendeu! Primeiro, porque deu mais importância aos compridos, montado no “Glorioso”. Segundo, porque revelou maturidade (evidente em ambos do lote), viu-se mais concentrado na cara dos toiros e com um conceito muito mais convincente. A sua segunda actuação com o “Gaiato” foi das melhores que lhe vi esta temporada.
Francisco Palha assinou duas actuação semelhantes em estrutura e irregular nos resultados. De saída, esteve melhor no seu segundo, com o “Gigão”. Depois de bandarilhas – optou (na maior parte das vezes) por colocar os toiros em tábuas e por atacar de largo – em ambas as actuações recorreu à “Duquesa” e ao “Roncalito” e foi com este último que cravou os ferros mais impactantes.

Luís Rouxinol Jr. teve uma grande tarde no Montijo. Com entrega. Com ambição. E com cabeça! Entendeu perfeitamente os seus dois toiros e Toureou a Cavalo como “dizem os livros”! Deu importância aos compridos, quer com o “Caju” quer com o “Aquiles”. Depois, no primeiro do seu lote, montado no “Douro”, esteve intencional nas atitudes e abordou de forma provocante a reservada investida do toiro. Os dois últimos curtos foram os melhores. No sexto da tarde (que investiu com mais transmissão que os restantes), com o “Amoroso”, agigantou-se ainda mais. Actuação em crescendo, sem perder a cara do adversário, sem perder o ritmo, e terminada com um grande par de bandarilhas e um palmo de violino. Foi o justo vencedor do prémio em disputa.  

Os toiros de Paulino da Cunha e Silva saíram reservados, com pouca transmissão; mas não levantaram problemas, não complicaram. O sexto (com mais mobilidade e “som”) foi o melhor do curro.

Em disputa também estava o trofeu para a Melhor Pega. Pela T.T. Montijo pegaram Luís Carrilho e Márcio Chapa, ambos à terceira tentativa. Pelos Amadores do Montijo concretizaram João Paulo Damásio à primeira e Joãe Pedro Suiças à quinta. E pelos Amadores de Tomar foram solistas Vasco Freitas à primeira e Helder Parker também à primeira, vencendo o prémio para a Melhor Pega.


Foto: Pedro Batalha

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