quarta-feira, 30 de maio de 2018

PENSAMENTO DO DIA: TER OPINIÃO INCOMODA…


Por: Catarina Bexiga

Intitulei, recentemente, o meu apontamento de Coruche de “RIVALIDADE…O “MOTOR” DA FESTA DE TOIROS”. Porque no estado em que se encontra o ambiente (preocupante) em Portugal, precisamos de algo que nos motive, que nos estimule, que nos entusiasme. Volto a repetir, como outrora: “Paixões, que dividiram os Aficionados, encheram as bancadas e agitaram os debates fora das arenas...”

Tomo como exemplo recente, a tarde do passado dia 25 de Maio em Madrid, em que Alejandro Talavante (duas orelhas e ovação) e López Simón (orelha e orelha) saíram em ombros da Monumental de Las Ventas. Li várias opiniões, quem gostasse mais de um e quem gostasse mais de outro; o que achei perfeitamente normal, porque a rivalidade saudável no toureio “empurra” a Festa de Toiros para a frente…

Entrando na nossa pobre realidade, mais concretamente, no tema “agitar os debates fora das arenas”… Todos temos direito a ter a nossa opinião, desde que a expressemos de forma CIVILIZADA / RESPEITOSA (o que, infelizmente, falta a muita gente que anda na Festa de Toiros). Não retiro uma vírgula ao que escrevi sobre Coruche, é a minha opinião (não ofendi ninguém), mas constatei, através dos comentários, que o “clã” de Francisco Palha – acredito que alheio à questão, porque presumo que seja pessoa bem formada e com educação – ficou ofendidíssima que eu afirmasse que, pessoalmente, sublinho, pessoalmente, gostei mais dos argumentos apresentados nas actuações de Luís Rouxinol Jr.

Tal como mencionei no referido apontamento, a Festa de Toiros precisa deles (de Francisco Palha e de Luís Rouxinol Jr., entre outros…), mas jamais precisou de “enredos”, de “raivas”, de “ódios”. Lamento se (tanto) Vos incomodei com a minha opinião; mas para defenderem a Vossa, façam-no com mais dignidade, com mais decoro. Porque o cavaleiro de quem são amigos é católico – como eu – talvez ele Vos possa transmitir uma mensagem elementar: “Respeitar as opiniões dos outros, em qualquer aspecto e situação da vida, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter.”    

Foto: João Silva

segunda-feira, 28 de maio de 2018

CORUCHE: RIVALIDADE...O "MOTOR" DA FESTA DE TOIROS

Por: Catarina Bexiga

Por todo o mundo, as grandes rivalidades foram o “motor” da Festa de Toiros. Paixões, que dividiram os Aficionados, encheram as bancadas e agitaram os debates fora das arenas... Assim, também a Festa de Toiros cresceu de entusiasmo. Em Espanha, os exemplos são vários – uns mais duradouros outros mais fugazes – como aquela famosa rivalidade entre Joselito e Belmonte, que tanto ofereceu ao Toureio. Por cá, os exemplos são escassos, mas podemos mencionar o que se passou com João Branco Núncio e Simão da Veiga; posteriormente entre José Mestre Batista e Luís Miguel da Veiga; ou António Ribeiro Telles e João Salgueiro. No toureio a pé, nunca podemos esquecer Manuel dos Santos e Diamantino Viseu. Parelhas que, pelo entusiasmo que despertaram e pelos partidários que granjearam, contribuíram para que a Festa de Toiros caminhasse pelo seu próprio pé…

Ontem, em Coruche, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr. tourearam o seu primeiro mano-a-mano. E com uma mais-valia (como tem que ser!), com uma corrida séria de Palha, uma corrida que teve as exigências naturais de uma ganadaria dura, mas que não foi nenhum “bicho papão”. Toureáveis a maioria; apenas com mais problemas o quarto da função.

Pessoalmente, gostei mais dos argumentos apresentados por Luís Rouxinol Jr. Sempre com disposição e com determinação; e mostrando-se intencional na construção das suas actuações. Sobressaiu no segundo montado no Douro; e no sexto com o Amoroso. Duas actuações distintas, mas convincentes. Como quarto (o pior do curro), resolveu com desembaraço.

As actuações de Francisco Palha, a quem também não faltou querer, basearam-se em pequenas “explosões”. Com o seu primeiro, montado no Favorito (da quadra de António Ribeiro Telles) teve a prestação mais equilibrada; com o terceiro começou com uma meritória gaiola e terminou com um arriscado curto com o Roncalito; e com o quinto terminou com outro arriscado curto com o mesmo cavalo.

Que assim continuem, porque a Festa de Toiros precisa deles!

Pelos Amadores de Lisboa pegaram João Galamba à quarta tentativa, Bernardo Mira à segunda, e João Varanda à primeira. Pelos Amadores de Coruche concretizaram José Tomás à primeira, seguindo-se duas rijas intervenções por parte de  Fábio Casinhas à primeira e João Ferreira Prates à segunda. O Troféu “Carlos Galamba”, para o melhor ajuda, recaiu no forcado João Laranjinha dos Amadores de Coruche.

Foto: João Silva

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A QUADRA DE VITOR RIBEIRO PARA O SEU REGRESSO ÀS ARENAS...

Após dois anos afastado do toureio, o cavaleiro Vítor Ribeiro regressa às arenas, este Sábado, 19 Maio, no tradicional Concurso de Ganadarias de Évora. Com a moral renovada e varias novas apostas, Ribeiro apresenta-nos hoje a sua quadra para a temporada 2018.







CAMPO PEQUENO: UMA TEMPORADA TORISTA OU PARA TURISTA?

Por: Catarina Bexiga

Pretender “vender” a temporada do Campo Pequeno como temporada Torista parece-me excessivo, e a prova está na nocturna de ontem na capital.  Um curro de David Ribeiro Telles (da linha Murube!?), díspar de apresentação e sem o trapio que exige uma praça de toiros de primeira categoria. Uma coisa é uma temporada Torista e outra é uma temporada para Turista, que não sabem distinguir um coelho de uma lebre, por isso “comem” tudo…

O Campo Pequeno é uma praça de toiros com um público sui generis. Entre outras actitudes, por exemplo ontem, após a última actuação de Pablo Hermoso de Mendoza, várias pessoas abandonaram os seus lugares, manifesta falta de respeito para com os demais intervenientes. Apenas foram ver o Pablo porque lhes disseram que é o “melhor”, como poderão ir ver Marilyn Manson a 27 de Junho, Forever King of Pop a 22 de Setembro ou Status Quo a 29 do mesmo mês…

Os toiros de David Ribeiro Telles careceram de transmissão. Na minha opinião, o melhor tocou, em primeiro lugar, a António Ribeiro Telles, um toiro que se arrancou de vários terrenos. O segundo e quarto foram reservadotes, o quinto não se mexeu, e os restantes deixaram-se… Faltou o essencial, a raça, o “picante”, a emoção!

António Ribeiro Telles esteve longe do nível a que se viu, recentemente, em Vila Franca de Xira e em Salvaterra de Magos. Intermitente no primeiro do seu lote e vulgar no segundo.

Pablo Hermoso de Mendoza viu-se a gosto no segundo da noite, fiel ao seu conceito, com classe, elegância e ligação; e andou esforçado com o quinto, o pior do curro.

A primeira actuação de João Moura Caetano não levantou voo (embora muito festejada pelo cavaleiro); e na última colocou um pouco mais de "chama" ao seu toureio.

Pelos Amadores de Lisboa pegaram Martim Lopes à primeira tentativa, Duarte Mira também à primeira e João Varanda à segunda. Pelo grupo de Coruche concretizaram Miguel Ribeiro Lopes à primeira, João Prates também à primeira e António Tomás, que dobrou Miguel Raposo, após várias tentativas frustradas.

Outras notas:
- Ficou por fazer um minuto de silêncio em memória do Dr. Ramón Villa, médico cirurgião que faleceu, esta Quinta-feira, e que salvou a vida a vários toureiros;
- Após o terceiro toiro, saltou à arena um anti-taurino;
- O Delegado Técnico Tauromáquico Tiago Tavares dirigiu de acordo com a exigência que deve ter a praça de toiros de Lisboa. Não mostrou o lenço branco à primeira actuação de António Ribeiro Telles, nem à primeira de João Moura Caetano; e impediu que Pablo Hermoso de Mendoza desse duas voltas no seu primeiro toiro. O novo Regulamento não pode cair em “vícios”… O meu aplauso!

Foto: Facebook Campo Pequeno

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SALVATERRA DE MAGOS: ANTÓNIO, MAIS TOUREIRO DO QUE NUNCA!

Por: Catarina Bexiga

Grande tarde de António Ribeiro Telles. Plena de madurez, de capacidades, de Maestria! Uma tarde que vale pelo seu conjunto. Pela sabedoria. Pela Torería. Pelo sabor. Com o toiro de Conde de la Maza, distraído e sem entrega, a actuação do cavaleiro da Torrinha esteve repleta de intencionalidade. Montado no “Favorito”, apontou um grande segundo ferro comprido, seguindo-se três curtos com a mesma nota. Tudo o que fez chama-se Toureio! O de Veiga Teixeira, extraordinariamente apresentado, foi um toiro sério, que teve mobilidade e que investiu com raça. António andou poderoso, aguentando as arrancadas, com o toiro a querer emparelhar-lhe com o cavalo, mas sempre senhor da situação. Montado no “Alcochete” o quarto curto foi o melhor de todos. A actuação teve vibração, houve risco (no último ferro entrou demasiado ao toiro e sofreu um toque), houve verdade, houve emoção! Grande tarde de António Ribeiro Telles. Grande tarde (com casa cheia) de Toureio a Cavalo à Portuguesa.

Francisco Palha esteve decidido e valente com um manso de lei com o ferro de Canas Vigoroux. Uma actuação que lhe dá crédito. Depois com o sobrero de Veiga Teixeira andou discreto.

Ao rejoneador Andrés Romero tocou o toiro de Miura (improprio para um Concurso de Ganadarias e sem raça) e um segundo sobrero de António Silva, com os quais assinou duas actuações desprovidas de interesse.

Pelos Amadores de Santarém pegaram António Goes à primeira tentativa, Fernando Montoya à segunda e Ruben Gioveti à primeira, uma das melhores pegas da tarde. Pelos Amadores de Coruche (num grande momento) concretizaram Pedro Coelho à segunda, João Prates à primeira e António Tomás à primeira com uma preciosa ajuda de José Cavaco.

No fim, o toiro de Veiga Teixeira venceu, merecidamente, os dois prémios em disputa: “Apresentação” com o nome de João Ramalho e “Bravura” com o nome de José Costa.

Foto: Pedro Batalha

sexta-feira, 11 de maio de 2018

CHAMUSCA: PINTO E DIAS GOMES ROÇARAM O TRIUNFO…


Por: Catarina Bexiga

Quinta-feira de Ascensão na Chamusca. Ambiente único nas ruas. E a merecer mais público nas bancadas da quase centenária praça de toiros. Da tarde de ontem, guardo as actuações dos dois toureiros mais jovens do cartel… a roçar o triunfo!

Duarte Pinto voltou a deixar “selo” das suas capacidades, sobretudo no último do seu lote. Com o segundo da tarde, montado no “Cesário” de curtos, apenas cumpriu. Pode fazer melhor. Se tem pisado um pouco mais os terrenos do Prudêncio, as sortes teriam outro impacto. Porém, com o quinto, montado no “Espectáculo” apontou e com o “Visconde” entendeu o toiro, viu-se intencionalidade no seu toureio, cravando três curtos bons, os melhores da tarde! Na minha opinião, merecia o prémio!

Luís Rouxinol defendeu a seu estatuto com as armas habituais. A sua primeira actuação (com o Girassol) resultou intermitente; e com o quarto (montado no Douro) andou vistoso, tirando partido do toureio de cercanias. Levou para casa o prémio "Dr. João Duque".

Os toiros de Prudêncio serviam para triunfos maiores. Foram todos colaboradores. O 1.º, 2.º e 4.º, mais fáceis; o 3.º, mesmo com ligeira querença nos tércios, não complicou…

Tarde de competição entre os dois grupos da terra, com atitudes que merecem ficar registadas. Pelos Amadores da Chamusca pegaram Luís Isidro à segunda tentativa, despedindo-se das arenas, e Bernardo Borges à primeira, na pega mais homogénea da tarde e merecedora do prémio "Eng. Jorge Duque". Pelo Aposento da Chamusca concretizaram João Saraiva à primeira tentativa e Francisco Andrade à terceira. Na sua última volta à arena, o forcado Luís Isidro também foi reconhecido pelo grupo “rival”, especialmente por parte de ex-cabo Tiago Prestes e do actual Pedro Coelho dos Reis. Gravei o gesto.

Manuel Dias Gomes recebeu superiormente de capote os seus dois toiros. Com elegância. Com suavidade. O seu lote revelou-se díspar de comportamento. O seu primeiro prometeu, mas chegou à muleta a “puntear los vuelos”. O toureiro andou esforçado. O seu segundo teve melhor condição, e Manuel Dias Gomes procurou a estética, mais que a emoção. À faena faltou um pouco de ritmo, mas houve muletazos autênticos, de cartel!

Fotos: Pedro Batalha

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